A economia de SP despenca 5,5% a maior retração do Brasil

Os economistas e a mídia conservadora fazem um grande espetáculo quando o assunto é o retrocesso dos dados da economia no Brasil, como o PIB caindo, o desemprego subindo e a crise econômica grave que o país atravessa. Na verdade, o estado de São Paulo é o que tem os piores indicadores econômicos nesta crise, mas os especialistas teimam em culpar a presidenta Dilma Rousseff por este caos.

 

A grande mídia, encabeçada pela Rede Globo, Veja e Folha de São Paulo, fez um alvoroço geral quando saiu o último indicador do desempenho da economia brasileira: o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 4,5% no 3º trimestre de 2015 (o índice do 4º trimestre ainda não se encontra compilado) em relação ao mesmo período de 2014, de acordo com levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Chamadas panfletárias ganharam as manchetes: “A queda no PIB é a maior da série histórica”, “A maior contração entre as economias globais”, “Os indicadores sinalizam que a crise não chegou ao fundo do poço”, “A crise é maior do que a estimada”, “O futuro é incerto” etc.

Convidam “economistas”, “especialistas” e “comentaristas” para traçar um futuro ainda mais apocalíptico do que aquele sombrio já apresentado anteriormente. “É imprescindível mudarmos de rumo a atual política do governo Dilma”, sentenciam. A única receita que conseguem pronunciar é a mesma de sempre: “O Estado corrupto tem que sair da economia e deixar tudo ao mercado” e “As políticas sociais e investimentos públicos devem ser transferidos à iniciativa privada”.

Em ato seguido da divulgação do PIB saem os indicadores do desempenho das economias estaduais, uma espécie de “PIB estadual”, que deram forma àquele PIB do Brasil. O pior desempenho entre as economias regionais que encontramos é justamente a do estado economicamente mais importante do país, São Paulo, controlado por um governo que segue o receituário do tal “mercado”, o padrão global da administração pública: a política neoliberal.

Para simples comparação, enquanto o PIB do Brasil caiu 4,5%, o “PIB” de São Paulo despencou 5,5% no mesmo 3º trimestre de 2015, em comparação ao do mesmo período do ano anterior. Se compararmos ainda o desempenho destas duas economias nos demais trimestres, sempre em comparação com o mesmo período do ano anterior, vemos que São Paulo sempre puxou o indicador nacional para baixo: no 2º trimestre, São Paulo despencou 4,2% contra 2,6 da economia brasileira; no 1º trimestre, SP caiu 2,8% contra 1,6 do país.

Se estendermos esta comparação para o ano anterior, o precário desempenho da economia paulista impactou ainda mais fortemente o resultado negativo da economia brasileira: no 4º trimestre de 2014, em relação ao de 2013, o “PIB” de SP caiu 2,6% contra 0,2% nacional; no 3º trimestre, SP jogou o país ainda mais para baixo, despencando 3,5% contra o mesmo 0,2% do Brasil. A desproporção entre os indicadores continuou nos resultados anteriores.

É claro que um ou outro trimestre é muito pouco para julgar e condenar um governo. O PSDB controla o estado de São Paulo há 21 anos. Quando assumiu o primeiro ano de governo, em 1994, por meio da dupla neoliberal Mário Covas e Geraldo Alckmin, a economia de São Paulo representava 37,3% do PIB brasileiro, de longe a mais importante na composição nacional – daí o apelido à época de “locomotiva brasileira”. No entanto, depois de 21 anos de PSDB, a relevância de São Paulo para o Brasil despencou: hoje (2014) representa 32,0%, segundo o próprio órgão paulista Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados). Os números, por si só, apontam o quanto foi prejudicial ao maior estado do país a política neoliberal.

Quando assumiu o governo, em 1994, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, pegou o Brasil ocupando a 10ª posição entre as economias mais importantes do planeta, segundo estudo da consultoria Global Invest. Depois de 8 anos, quando foi despachado do governo, FHC/PSDB deixou o país na 15ª colocação, segundo ainda a Global Invest. Este foi o legado de FHC/PSDB ao presidente Lula (PT) ao tomar posse em 2002. Em 2014 (os dados de 2015 não foram concluídos), já sobre o comando da presidenta Dilma, o Brasil não só já havia se recuperado do desastroso governo de FHC/PSDB, como avançou ao invejável posto de 7ª economia mais importante do planeta. Os números, mais uma vez e por si só, apontam o quanto prejudicial também foi ao país a política neoliberal.

Se o critério para o impedimento de um governo eleito for o desempenho de sua política econômica, então deveríamos proclamar em alto e bom som: “Impeachment já ao governo neoliberal de Geraldo Alckmin!”

Se o desempenho do governo neoliberal de Geraldo Alckmin, em particular, é tão prejudicial ao estado (e ao país), por que então a grande mídia e seus “economistas”, “especialistas” e “comentaristas” não pronunciam nenhuma palavra ou citação contra o incompetente governador e sua desastrosa política recessiva? Será que a grande mídia está sendo imparcial e apresentando a verdade desnuda do governador Alckmin ou há clara evidência de espetacularização e perseguição ao governo Dilma?

Desde o primeiro ano do governo Lula, a oligarquia paulista se converteu no centro da reação e de desestabilização do governo federal. Quer (oligarquia, PSDB, Rede Globo) tomar a qualquer custo o governo federal e impor ao país um representante puro-sangue neoliberal e, assim, voltar ao atrelamento incondicional do Brasil ao imperialismo estadunidense e afogar o processo de resistência em toda a América Latina. Há o consenso nas facções reacionárias (oligarquia paulista, grande mídia, PSDB e setores do PMDB) que um dos pilares para o sucesso do golpe contra a presidenta Dilma (e as eleições de 2014) é a espetacularização dos “indicadores negativos” da economia. Este é o combustível midiático para retroalimentar a crise política e econômica para a sobrevida do golpe.

Roberto Figueiredo