Ocupação das escolas em São Paulo

 

O amplo movimento de estudantes das escolas públicas estaduais que estourou em São Paulo representa um momento histórico na luta pela qualidade da educação. Na primeira semana já eram mais de 50 escolas e esse número passou de 200 com três semanas. O movimento que começou com a ocupação da Escola Estadual Diadema na região do ABCD paulista representa uma resposta às medidas de ataque à educação pública, via projeto de reorganização do ensino, divulgadas pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB). Esse projeto prevê o fechamento de 93 instituições e a estruturação do ambiente escolar para que tenha somente um ciclo (Fundamental I, Fundamental II ou Médio).

Essa ação do governo, prevista para o ano que vem, acarreta na precarização do ensino. Com o fechamento de pelo menos 94 escolas, muitas professoras e professores, e demais funcionárias e funcionários, serão demitidos, e o número de estudantes por sala aumentará desastrosamente com menos prédios. Por conta da proposta dos ciclos únicos, a maioria dos períodos noturnos nas escolas serão fechados, entre outros desdobramentos que tornam essa reorganização muito mais prejudicial do que benéfica.

De modo geral, as ocupações surgiram como uma alternativa de luta mais efetiva do que somente as manifestações de rua, no sentido potencial de criar um fato em torno da reorganização, o que prejudica a imagem da gestão Alckmin que teve o pior índice de aprovação dos seus quatro mandatos. Depois de um determinado momento, as manifestações de rua voltaram a ser uma saída tática depois que a mídia burguesa ajudou a abafar o crescimento das escolas ocupadas A maior parte das manifestações ocorreram de forma descentralizada, nos bairros, com baixo número de estudantes travando avenidas com as cadeiras da escolas, os atos explicitaram a violência policial deixando muitos menores feridos e levaram diversas pessoas detidas com truculência e arbitrariedade.

As organizações ligadas às ocupações

Nas iniciativas temos visto a presença de organizações que muitas vezes não são citadas, mas que estão representadas por militantes organizados presentes dentro das escolas, são elas: UMES, UBES, ANEL (PSTU), MPL, PSOL, Território Livre, MSA, entre outras. Essas organizações não são só influentes nas escolas na qual suas e seus militantes estão de apoio, mas dão a linha das iniciativas de criação de uma agenda única. Houve um grande racha no movimento com o aparecimento de reuniões de ocupação com influência das organizações da base de apoio do governo do PT e outras do Comando das Ocupações - composto por ocupações com influência da ANEL, PSOL, MPL, autônomas, etc de modo que não houve uma pauta unitária.

A Juventude 5 de julho busca participar ativamente na luta, ombro a ombro com os estudantes secundaristas, estando presente e em contato com ocupações das periferias de São Paulo. Vemos que para além da reorganização, está em jogo um projeto a longo prazo de privatização do ensino público que se estende para todas as instâncias, como estamos vendo no caso de Goiás que já tem escola ocupada. A reorganização é uma das pontas desse imenso iceberg que é a privatização do ensino, que chega para as filhas e filhos da classe trabalhadora com muita força, através do corte de verbas, do fechamento de escolas, da terceirização de serviços, da fragmentação da categoria das  professoras e professores em categorias menores, do corte de salários entre outras medidas que vem sendo pouco a pouco impostas pelo governo do PSDB ao longo de mais de 20 anos de gestão. Afirmando isso, também queremos contrariar as organizações golpistas que querem afirmar que a reorganização é parte do ajuste fiscal querendo atacar diretamente o governo Dilma e abafando a questão de classe por trás do projeto e do próprio contexto de crise.

De qualquer forma vai ser a capacidade dos estudantes de tornar permanente esses focos de luta articulados, o que realmente garantirá que os problemas do ensino público estadual dentro de seu projeto de privatização sejam sanados para além da desastrosa reorganização.

O último fato decisivo na luta secundarista foi a revogação do decreto da reorganização por parte do governo tucano, o que significa uma suspensão minimamente temporária do projeto da reorganização. Isso em si já é uma vitória, pois o governo paulista do PSDB é conhecido por não recuar nem frear nunca. A tática dos estudantes no momento não é consenso, o que sabemos é que devemos fortalecer ainda mais a organização que conseguimos nas escolas e seguir em luta.

J5J-SP