Ato em apoio a Stédile lota Câmara Municipal do Rio

 

O ato realizado dia 5 de outubro na Câmara Municipal do Rio em apoio ao líder dos trabalhadores rurais sem terra(MST), João Pedro Stédile, lotou as galerias do legislativo carioca. A cerimônia foi organizada pelo mandato do vereador Reimont(PT) e contou com a participação de dezenas de movimentos sociais e entidades da sociedade carioca que deram seu apoio a Stédile frente a agressão sofrida recentemente no aeroporto de Fortaleza, no Ceará, por grupos de extrema direita ligados ao PSDB e ao DEM. Muitos do oradores que fizeram uso da palavra também mostraram indignação com o acontecido no velório do ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte e repudiaram com veemência os ato hostis e agressivos que não respeitaram o luto da família do ex-companheiro do PT. Em homenagem a Dutra foi feito um minuto de silêncio pelos presentes.

O vereador Reimont abrindo os trabalhos falou que o seu mandato é aberto a vários movimentos sociais que estão presentes nesta manifestação de apoio a democracia e contra a escalada da violência contra os setores progressistas no Brasil. Reimont fez um chamado a unidade das esquerdas para enfrentar estes setores conservadores que querem tumultuar o processo democrático brasileiro com provocações como a que aconteceu com João Pedro Stédile e com José Eduardo Dutra. Ele lembrou que esta escalada dos fascistas já vem desde as eleições de 2014 quando nunca se viu tanta baixaria nos meios de comunicação e nas redes sociais com ataques pessoais e de baixo nível contra a integridade das pessoas. Reimont acredita que esta reação das elites é porque elas não aceitam a vitória por quatro administrações seguidas no governo federal de setores populares que fizeram uma série de mudanças na sociedade brasileira que incomodaram os donos do poder.

A deputada Inês Pandeló (PT) afirmou que os ataques que o PT vem sofrendo mostram um grande preconceito contra os setores que foram beneficiados pelas políticas do atual governo. Para ela a ascensão de um operário ao poder não é aceita por uma parte das classes dirigentes brasileiras e muito menos que seja sucedido por uma mulher que participou da resistência a Ditadura Militar de 1964. As pessoas de bem no Brasil precisam se unir aos setores progressistas para barrar este processo golpista que está em curso. A parlamentar disse que é preciso uma unidade da população brasileira para fortalecer a democracia e impedir um retrocesso nas conquistas que custou muitas vidas e sangue de muitas gerações.

O Deputado Federal do PT, Wadih Damous, falou que o povo brasileiro vai barrar o golpe, uma vez que não existe sustentação jurídica para levar adiante este processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Além dos parlamentares da oposição no Congresso Nacional um dos expoentes contrários a presidente da república é o Ministro do STF, Gilmar Mendes, que em cada voto ou parecer no poder judiciário cria um panfleto midiático contra o governo. O Ministro Gilmar Mendes poderia ser mais útil no Congresso Nacional como um bom deputado do PSDB ou do DEM, do que no supremo.”; afirma Damous.

O senador Lindberg Farias criticou a atual política econômica do governo Dilma e cobrou uma mudança em vários setores da economia como a queda nas taxas de juros que são as maiores do mundo. Segundo ele temos que defender o atual mandato da presidente da república, mas cobrar mudanças na economia que levem o país ao crescimento e a diminuição da tragédia do desemprego que está aumentando a passos largos. “Este ajuste fiscal não irá resolver o problema do deficit das contas públicas e irá levar o país ao processo recessivo do PIB e aumentar o sofrimento da população mais pobre. Estamos fazendo uma política econômica igual a dos tucanos e esta agressividade da oposição é para pressionar o aumento das forças de mercado na economia como tirar da Petrobras a operação de 30% do pré-sal e diminuir as leis trabalhistas a era antes da CLT de Vargas”; Conclui o senador do PT.

Na sua exposição o líder dos Sem Terra, João Pedro Stédile, disse que este encontro na Câmara do Rio, é uma maneira de dar uma sacudida na militância política e social do Rio e para esclarecer algumas situações. Ele disse que um dos problemas que afetam os partidos de esquerda hoje no Brasil é falta de análise de conjuntura sobre as pautas dos trabalhadores e dos movimentos sociais. O problema é que a militância tem feito análise em cima das notícias da grande imprensa e não das pautas dos trabalhadores e por isso a perda de identidade com as lutas populares. “As classes sociais hoje estão divididas no Brasil tanto as classes dirigentes como a classe operária, uma vez que a crise que acontece no Brasil é política, social e econômica e por isso vai demorar algum tempo para ser solucionada, talvez alguns anos. As pessoas que estão indo as ruas neste momento fazem parte da militância dos movimentos sociais, uma vez que a massa da população economicamente ativa está assistindo televisão em casa e não está na luta de classes como em outros momentos como na época da Diretas Já em que conseguimos colocar dois milhões de pessoas nas ruas do Rio e de São Paulo. Só mudaremos este quadro com uma nova ascensão da luta de classes no movimento dos trabalhadores”; concluiu o líder do MST.

Julio Cesar de Freixo Lobo