Afonso Celso, presente!

 

É com pesar que comunicamos o falecimento do comunista histórico Afonso Celso (93) em 19 de outubro de 2015, no Rio de Janeiro.

“Afonsinho” nasceu em Campos de Goytacazes, estado do Rio de Janeiro. Aos 3 anos de idade sofre a perda do pai. Mas o braço forte da mãe, nos embates pela sobrevivência, o conduz aos estudos e às responsabilidades econômicas.

O ritmo das transformações sociais ungido pelo rebenque da crise de 1929 e da II Grande Guerra coloca o jovem Afonso Celso, frente a frente, com o novo pensamento que floresce no mundo, através das rachaduras do sistema capitalista: o comunismo. No Brasil, o principal condutor deste pensamento é o Partido Comunista.

Sobrevivendo de seu trabalho, entusiasta pelos estudos de filosofia, as ideias revolucionárias lhe bateram à porta da consciência. O mistério do porquê das coisas acelerarem suas paixões e a luta cotidiana prepara sua adesão às fileiras do Partido e do verdadeiro combate.

É nas Forças Armadas, como recruta, que inicia sua verdadeira ligação com o Partido Comunista. Ali, a tradição revolucionária brasileira - de 22, 24, 27 e 35 - influenciam sua formação. E o vulto de Luiz Carlos Prestes, a exemplo de tantos outros heróis, iluminam seus passos e o faz mergulhar nos difíceis caminhos da Revolução Brasileira.

Afonsinho, por sua dedicação e fidelidade ao Partido e sua aplicação aos estudos, rapidamente passa a atuar no movimento estudantil, após seu desligamento do Exército. Assume tarefas de direção da estrutura partidária e logo é indicado para concorrer como parlamentar. É eleito por duas vezes como vereador e deputado.

Seu primeiro mandato, como deputado, é interrompido com o golpe de 1964, sendo cassado e preso. Liberado da prisão, cai na clandestinidade. Sua formação revolucionária logo o conduz a tarefas no setor militar do Partido.

Primeiramente, a frente dos comitês de preparação militar do Partido; nos idos de 60, a revolução parecia estar por um triz. Após o golpe de 1964, tornou-se homem de ligação entre o CC e os comitês regionais, em diferentes estados brasileiros - São Paulo, Pernambuco e Bahia.

Durante a clandestinidade, esteve sob a proteção de amigos em Brasília, onde exerceu suas funções de advogado. Esteve na retomada da luta pela Anistia. E tomou parte no comitê do PCB, que preparou a recepção a Luiz Carlos Prestes, quando este regressa do exílio.

Afonso Celso, mesmo simpatizando e se solidarizando com os jovens que aderiram à luta armada contra a ditadura, acompanhou as posições do Partido de não participação. Com o retorno de Luiz Carlos Prestes e as divergências no Comitê Central do Partido Comunista, não vacilou e logo se pôs ao lado do Cavaleiro da Esperança, junto com vários camaradas. Com a saída de Prestes do PCB, estes camaradas, juntamente com Afonsinho, empreendem a luta pela reconstrução do Partido Comunista. Contudo, diante da difícil conjuntura nacional e internacional, formada com o súbito desmoronamento do campo socialista e da URSS, o grupo sofreu inúmeros reveses e se diluiu.

Mas todo este tenebroso cenário não abalou as convicções do velho comunista e, mesmo diante das dificuldades, continuou atuante e confiante no surgimento de um novo movimento capaz de unir os revolucionários e conquistar o socialismo. E nessa perspectiva que se somou à luta do Movimento 5 de Julho. Movimento que mais tarde funda o PCML.

Afonso Celso, presente!

Extraído da entrevista “Quem faz o Movimento” - INVERTA nº 81, 1996.

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