A (o)posição vira-lata da elite brasileira

 

Vamos enfim entrar no século XXI com a nossa Petrobrás controlando a riqueza do petróleo e a técnica no pré-sal e com a nossa Eletro-nuclear controlando o disputado urânio e técnica da propulsão nuclear, ou iremos retroceder ao século XIX como tenta impor a elite brasileira? A resposta a esta questão não depende de um sim ou não.

Dependerá, entre outras coisas, de quem controlar as duas empresas que são imprescindíveis para o desenvolvimento nos campos tecnológico, científico e econômico do país.

Quem controlar a Petrobrás, em consequência, o pioneirismo e a impressionante riqueza do pré-sal, e a Eletro-nuclear, com a inovação das ultracentrífugas e a construção do submarino de propulsão nuclear, terá as rédeas do desenvolvimento tecnológico de ponta no Brasil e na América Latina.

Se continuarem sob controle estatal, os cérebros serão formados em nosso solo e a riqueza produzida continuará nas mãos do estado nacional; se caírem nas mãos dos monopólios, a riqueza será sugada de nosso solo para enriquecer especuladores.

Na primeira forma de propriedade o país entra no século XXI como potência energética; na segunda, retrocederemos aos tempos do colonialismo.

A descoberta do petróleo no pré-sal pela estatal Petrobrás não significou apenas a descoberta de uma das maiores jazidas do planeta (com reservas calculadas em pelo menos 35 bilhões de barris), colocando o país entre as 10 maiores potências petrolíferas e podendo ser um dos 6 maiores exportadores mundiais (com 4,2 milhões de barris diários), mas também a nossa independência energética e os recursos materiais e humanos para entrarmos neste século da ciência e da revolução digital.

No entanto, para garantir este passo à frente, o pré-sal deve continuar nas mãos do povo brasileiro sob a gestão do Estado, no caso, da estatal Petrobrás.

Se a estatal for fragmentada e os campos do pré-sal forem explorados sob o velho regime de “concessão”, a nossa independência energética será transferida para as mãos de meia dúzia de conglomerados internacionais, atarraxando a secular corrente da dependência.

Somente por conta dos royalties em torno do controle da Petrobrás sobre o pré-sal, os recursos destinados à educação e saúde públicas serão na ordem de R$ 1,3 trilhão para os próximos 30 anos, o suficiente para formar toda uma geração de brasileiros e pavimentar os alicerces de uma nova força produtiva ao país.

Seja para a apropriação desta espetacular riqueza, seja para monopolizar o know-how (saber científico-técnico) em torno da exploração desta camada (em que a Petrobrás é a pioneira), ou para servir de simples reserva “estratégica”, a oligarquia estadunidense vem promovendo em aliança com a oligarquia brasileira (tendo à frente os testas de ferro PSDB, Rede Globo e Corte de Inquisição de Curitiba) uma intensa campanha de desmoralização e boicote à Petrobrás.

Com o consequente desmonte da estatal poderão enfim resgatar seus bagaços na bacia das almas a preço de banana.Conforme as revelações do ex-técnico Edward Snowden, quando em serviço para a CIA (Agência Central de Espionagem dos Estados Unidos), não só a Petrobrás como todos os principais cargos e, inclusive, o próprio presidente da estatal foram objetos de espionagem industrial.

A espionagem é crime não só no Brasil como em qualquer parte do planeta, inclusive naquele país que o cometeu –  os EUA.

Apesar das denúncias, ao invés de condenar veemente a violação e adotar as medidas previstas em convenções internacionais, a elite brasileira negociou com o autor do delito o objeto do crime para chantagear e perseguir politicamente dirigentes da estatal e do governo federal.

A moeda de troca de “nossa” elite é a entrega da Petrobrás aos EUA, e a própria soberania do país. Sob o manto da conspiração e da intensa campanha midiática contra a maior estatal brasileira, o testa de ferro da Chevron no Brasil, o senador José Serra (PSDB-SP), apresentou projeto de lei que acaba com o atual modelo de exploração do pré-sal, isto é, colocando fim ao controle da Petrobrás sobre o pré-sal e os royalties.

Como é de feitio fascista, Serra chama maliciosamente “seu” projeto de “medida patriótica”!!! A orquestra regida pela oligarquia estadunidense toca de modo tão afinado o golpe contra a Petrobrás que decidiu ir mais longe.

Também em aliança com a oligarquia brasileira, é claro, os EUA avançam sobre a sua outra área de interesse estratégico sobre o planeta, a energia nuclear.

A elite nacional é tão subserviente aos EUA que sequer mudaram o script promovido contra o pré-sal e a Petrobrás: as informações extraídas de modo criminoso (espionagem industrial) também servem de base para o mesmo “Capitão América” (Sérgio Moro) prender unilateralmente as peças chaves da Eletro-nuclear e governo federal; na inquisição, direciona e extrai a confissão já previamente esperada; a mídia, com a Globo à frente, torna público os vazamentos destas “confissões” para desencadear a crise na empresa estatal; os parlamentos legalizam a trama, direcionando os recursos públicos contra a própria empresa pública.

Com a intensa campanha orquestrada, a elite converte toda inteligência nacional em torno do desenvolvimento nuclear, desde o desenvolvimento das modernas ultracentrífugas até a construção do submarino de propulsão nuclear, em inimigos contra a nação e os agentes de espionagem e seus testas de ferro em “patrióticos”.

O Brasil possuí a 6ª maior reserva mundial de urânio (U3O8) com 309.370 toneladas.

Para servir como combustível, o urânio precisa passar por processo de enriquecimento.

Para isso, o país desenvolveu a técnica de enriquecimento em ultracentrífugas, máquinas que giram à velocidade de 70 mil rpm.

Com esta técnica, o país já consegue enriquecer o urânio a 3%, que é o combustível utilizado nas usinas de energia elétrica, e a 20%, o necessário na propulsão de submarinos.

Só não dominamos ainda a técnica de enriquecimento a 90%, o necessário para produzir bombas nucleares.

Nelson Rodrigues dizia que os brasileiros têm “complexo de vira-latas”, pois tudo o que vem de fora do país sempre será considerado melhor que o equivalente nacional.

Pela sua convivência no meio da elite não foi capaz de enxergar que não se tratava de todos os brasileiros, mas sim dos seus próprios pares: a elite brasileira, a mesma classe de reacionários que pouco mudou desde os tempos dos donatários das capitanias.

Essa “elite branca” se coloca explicitamente acima das leis nacionais e se autoproclamam não reacionários, não corruptos e não vira-latas.

Mas são exatamente o que negam ser.

Não podemos ficar assistindo a destruição da Petrobrás e, agora, da Eletro-nuclear, levada a cabo pelo PSDB, Rede Globo, entre outros testas de ferro dos EUA.

Todos os crimes devem ser julgados e seus agentes condenados, principalmente os crimes de espionagem industrial e de lesa-pátria. Não podemos retroceder ao século do obscurantismo medieval, do colonialismo servil e da escravidão, quando não tínhamos a Petrobrás nem a Eletro-nuclear.

José Tafarel