A crise do capital, o Brasil e a luta de classes

Nos países centrais, a recuperação sofre uma inflexão nos Estados Unidos, no primeiro trimestre deste ano o PIB caiu 0,7%; na Zona do Euro o crescimento se mantém em torno de 1%.

As contradições orgânicas do capitalismo, que tornam impossível a expansão eterna deste sistema, se manifestam na forma aparente de crises cíclicas e gerais, a última delas apareceu de forma mais contundente a partir de 2008.

O desenvolvimento desigual das nações sob o capitalismo dá a impressão de que tal ou qual país já se recuperou, ou tenha passado imune pela crise por conta desta ou daquela política econômico. Mas isso é apenas uma ilusão, não há saída para esta realidade dentro dos marcos do capitalismo. Mesmo quando há um crescimento econômico, indicando uma aparente recuperação, ele é apenas prenúncio para uma nova crise, em um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Nos países centrais, a recuperação sofre uma inflexão nos Estados Unidos, no primeiro trimestre deste ano o PIB caiu 0,7%; na Zona do Euro o crescimento se mantém em torno de 1%.

O Brasil, que se manteve imune nos primeiros anos da crise internacional, agora enfrenta seus efeitos. Os dados apontam que o país vive a mais grave recessão em duas décadas: o crescimento do PIB em 2014 foi de 0,1% e a tendência é de que seja ainda menor em 2015. O desemprego chegou a 8% no último trimestre, destacando-se o fato de que na construção civil o número de desempregados já atingiu 288 mil; acrescente-se a isso o aumento da taxa de juros de 13, 75 e a inflação em torno de 8,39%.

Com isso não se pode ignorar o efeito perverso da baixa do ciclo econômico.

No caso do Brasil, à redução no crescimento do PIB deve-se acrescentar a guerra econômica movida pela burguesia, uma verdadeira chantagem do setor financeiro, que entrou em greve de investimentos contra a opção dos governos Lula e Dilma de não alinhamento automático com os interesses do imperialismo, política que fica visível no papel desempenhado nos BRICS e na tímida, mas inadmissível para as oligarquias internas e seus asseclas, retomada do papel do Estado em alguns setores da economia, especialmente, na adoção do modelo de partilha para extração do petróleo do pré-sal.

Os estímulos ao consumo com a ampliação das políticas compensatórias aqueceram o mercado interno na última década, mas foram insuficientes para manter o nível de crescimento de cerca de 7%. Além do petróleo, houve a retomada da indústria naval, setor tradicional de nossa industrialização, que se assemelha à aviação, representado pela Embraer e seus competitivos aviões. Isso parece pouco em meio a pior crise desde 1929, mas suficiente para que toda mídia das oligarquias repita infinitamente a tese do malogro da política industrial dos últimos governos. Mas será que é isso mesmo? Levar eletricidade a áreas do país em que essa tecnologia esperou mais de cem anos para chegar pode ser chamado de fracasso? Podemos dizer que é pouco, insuficiente, como também dobrar o ingresso no ensino superior em 10 anos. Fazer em 10 o mesmo número de vagas que as oligarquias levaram 500 anos para fazer é um fracasso ou um sucesso?

Marchando na contratendência ao neoliberalismo e ainda tendo que vencer a guerra em três frontes: midiática, econômica e judiciária, que adquiriu caráter explícito a partir das chamadas manifestações de junho de 2013 e se intensificou no processo eleitoral, o governo foi vitorioso nas urnas, mas encontrava-se nas cordas, com o ajuste fiscal pela frente.

Para dar cores próprias ao horror econômico do capital, a oposição de direita ressuscita o PL 4330 da precarização dos direitos trabalhistas, eufemisticamente chamada de “terceirização”. Passava-se da predominância da guerra econômica para a guerra midiática ou para a política propriamente dita, a partir de então com a direita retomando todo seu arsenal de medidas anti-povo: defesa do genocídio contra a juventude pobre, chamado de redução da maioria penal, cerceamento da soberania popular travestido de reforma política, que se acrescentam aos atentados aos direitos trabalhistas, e outras medidas.

Na sua ânsia de sugar as últimas gotas de sangue dos trabalhadores e desqualificar mais ainda a soberania popular burguesa, a extrema direita parlamentar está indo longe demais, a ponto de sacrificar, mais uma vez, os seus próprios quadros de posições mais conciliadoras. Para isso joga-se no lixo trabalho de comissões parlamentares e semeia-se o caos. O jogo pesado tem como resultado, até o momento, a rejeição do chamado “distritão” e aprovação do aumento do poder econômico nas campanhas eleitorais. À pseudo-esquerda eleitoral resta se envolver em acordos espúrios ou semear a confusão entre ações do governo e investida da direita parlamentar contra os trabalhadores.

Nesse quadro, o governo e forças do centro se movimentam. Uma medida positiva do primeiro foi o envio da Medida Provisória que amplia a taxação sobre o lucro dos bancos de 15% para 20%, o que representa de 3 para 4 bilhões dos 70 bilhões do ajuste fiscal. Na ponta do lápis, parece pouco, mas tem importância simbólica porque prova que é possível avançar sobre a parte do grande capital. Os trabalhadores não podem pagar pela crise, eles devem pressionar para que o ajuste fiscal seja feito sobre o andar de cima, e não sobre quem carrega toda a sociedade em suas costas.

Apertado pelo ajuste e com a folha de pagamentos dos funcionários comprometida, até o governo do Rio Grande do Sul, que é comandado pela extrema-direita, vai dobrar o imposto sobre as heranças.

Nesse cenário, as lutas sociais vão se intensificar e se radicalizar. A marcha pelo impeachment com 300 manifestantes se confraternizando com os golpistas do Congresso deve ser entendida em conjunto com as manifestações midiáticas: quando os monopólios da mídia se retraem as “manifestações” voltam à sua dimensão real. Não podemos esquecer disso, assim não corremos o risco de superestimar as primeiras nem subestimar os segundos.

Na defesa dos trabalhadores e do povo pobre, é importante saber que um governo frágil e limitado é melhor do que todos os governos das oligarquias que exerceram o poder há cinco séculos. É preciso ganhar tempo para criarmos as condições subjetivas para a revolução comunista, que dê um fim ao horrror capitalista e aos seus atentados aos trabalhadores e ao povo pobre.

Pelas liberdades democráticas! Contra o golpe e em defesa do governo Dilma!
Pelos direitos sociais e contra o PL 4330! Contra a terceirização e os demais atentados aos direitos trabalhistas!
Não à redução da maioridade penal!
Contra o projeto de lei que acaba com a demarcação de terras indígenas e quilombolas no país!
Contra a criminalização dos movimentos sociais sob a falsa alegação de antiterrorismo!
Por legislação que combata a influência do poder econômico nas campanhas eleitorais!
Em  defesa do processo de paz na Colômbia!


Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML-Br)

ENDEZ
ENDEZ disse:
25/09/2015 14h42

A substituição do trabalho vivo (humano) pelo trabalho morto (das máquinas) para produção de mercadorias na busca pelos altos lucros e o ganho da concorrência mercantil originou uma crise estrutural, porém não cíclica do sistema patriarcal produtor de mercadorias (capitalismo e socialismo). Portanto, se as máquinas produzem mais e em menos tempo a tendência é uma baixa do preço das mercadorias na concorrência da economia de mercado, ou seja, há uma desvalorização do valor, gerando uma crise insuperável dentro da lógica do sistema capitalista/socialista, temos como exemplo prático o que está ocorrendo na Europa, Estados Unidos, atualmente no Brasil, etc., provocando altos índices de desempregos fazendo com que as pessoas não possam mais consumir esta produção. Revelando assim a concretude do limite deste sistema patriarcal de produtor de mercadorias. Uma vez, que, dentro da lógica autodestrutiva deste sistema as mercadorias são produzidas para trocar e vender e não para o uso e bem estar das pessoas, seu caráter qualitativo é irrelevante, o que interessa é o lucro, tendo como vítima principal o grande número de seres excluídos do processo de consumo, trazendo sofrimento á população em todos os quadrantes do planeta, já que o sistema não consegue mais absorver a grande quantidade de trabalho (humano), desta forma, surgindo assim vários protestos que nada conseguem em relação ao restabelecimento ao lugar mínimo de zona de conforto para com as vitimas mais vulneráveis do processo de desintegração deste sistema.
Diante do exposto, entendo que todas as formas de lutas de todos os movimentos sociais imanentes e que obviamente dão sobrevida e sustentação a este sistema também estão em crise, não conseguem dá resposta para sua superação, nem mesmo com toda a implementação de sua radicalidade em suas lutas conseguem conquistar seus objetivos econômicos, principalmente porquê eles que estão dentro da mesma lógica do capital, o sistema não tem mais como atender por mais simples que seja suas reivindicações, uma vez, que este mesmo sistema está destruindo sua própria substancia (o trabalho humano), gerando um grande numero de pessoas não rentáveis. Sendo assim, como poderemos vislumbrar uma possível superação? Superar a crise ou superar o sistema? Anteriormente, a falta de compreensão da nossa relação social cuja formatação fetichista engendrada pela abstração real valor que teve o homem como seu criador tinha sido o grande gargalho para nossa superação enquanto “sujeito”. Hoje, tendo a compreensão da lógica do funcionamento do sistema ao nosso alcance e implementando uma prática consistente e consciente poderemos dar os primeiros passos necessários para a construção de uma consciência do sujeito antiquiprocó e dar o vôo do ganso Indiano ( voa a 9.000 mts.) ou talvez do Gyps rueppellii, ( voa a 11.200 mts.) rumo a construção de uma sociedade baseada numa relação social consciente e humanizada. Sem mediação do dinheiro, sem verticalização, sem instrumentalização, sem o controle central de algumas figuras que se colocam como salvadores, manipuladores e estão presente em todos os movimentos sejam sociais, literários, religiosos, sindicais, políticos, etc., e sem a instituição de movimentos sociais, que conhecemos até então. A verdadeira superação da emancipação humana transcendente está em nossas mãos, ela só será possível sem a mediação e presença de qualquer tipo de movimento social. Só assim poderemos alcançar o referido objetivo, se não superarmos nós mesmos como iremos superar nosso principal inimigo primeiro temos que entender que somos e fazemos parte desse sistema que só se sustenta através da barbárie, para a emancipação se estabelecer precisamos superar todas as categorias (mercadoria, trabalho, dinheiro, política, estado, sindicato, religião, valor, etc.,) que dão sobrevida a este sistema inicuo destruidor da humanidade e que transforma o universo em área anecúmena. Não é por acaso que estão em busca de habitarem outros planetas. Avançaremos neste desafio de nos emancipar deste sofrimento? Ou seremos destruídos pelo inimigo?

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