A crise do capital, a guerra e a Cúpula do BRICS no Brasil

O sucesso da Cúpula do BRICS pode ser considerada a segunda Copa do Mundo da Presidenta Dilma Rousseff. Se o cenário de desestabilização não ocorreu na Copa, as eleições presidenciais são o novo campo de batalha.

Passados cerca de 4 anos da eclosão da recente crise capitalista, o que se observa de novo é uma lenta recuperação das economias centrais e uma queda no ritmo de crescimento dos chamados países emergentes, entre estes, o Brasil. O declínio do ciclo de crescimento, nestes últimos, reflete-se de forma mais acentuada nas condições de vida dos trabalhadores e na disputa entre as oligarquias, ameaçando governos não alinhados com o imperialismo e aumentando as dificuldades econômicas dos chamados países emergentes e em desenvolvimento.

A queda no ritmo de crescimento afeta diretamente a oferta de empregos. Se levarmos em conta a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua (mais ampla), o índice de desemprego chegou a 7,1%. Efetivamente, índice bastante abaixo de países em situação de composição orgânica de capital mais intensa (maior aporte de capital fixo – máquinas e equipamentos em relação ao capital variável – força de trabalho): 16,03% na Espanha e 11,90% na Zona do Euro. Para o nosso índice de desemprego, 1,5 não é crescimento tão inexpressivo, e não deve ser comparado mecanicamente com o crescimento chinês, pois, além deste país passar  atualmente por transformações já atingidas por nós na década de 1970, como a urbanização de sua população, este processo é dirigido pelo Partido Comunista que liderou a vitoriosa Revolução de 1949.

Desde a eclosão da última crise em 2008 também é possível dizer que o imperialismo, além de intensificar o horror econômico, aumentou o horror da guerra. São milhares de mortos, milhares de pessoas deslocadas de seus territórios de origem (pogrons) e destruição de importantes equipamentos de infraestrutura. A lista de países alvos da fúria genocida e calculada do imperialismo é extensa: Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, Palestina, Ucrânia e tantos outros! As diversas guerras localizadas e contínuas parecem substituir os grandes conflitos mundiais já vivenciados pela humanidade. Mas não há quem não acompanhe razoavelmente o que ocorre em volta para não se perguntar sobre se um conflito maior está por vir. De fato, isso deve ter ocorrido nos últimos dias depois da queda do avião da Malásia e da guerra  israelense contra os palestinos. Guerra que ainda deve exigir rigor dos futuros historiadores em classificá-la: semelhante a Hiroshima e Nagasaki? Aos extermínios de homens, mulheres e crianças nos campos de concentração nazista?
A simples destruição de forças produtivas para ativar novo ciclo de crescimento  deve ser considerada, e lembrar ainda que a principal potência econômica mundial tem sua economia ancorada na indústria bélica e não dá para não associar a recente recuperação da economia estadunidense às guerras desencadeadas desde 2001.

A retórica não consegue esconder as mãos sujas de sangue. A posição do governo dos Estados Unidos, por intermédio de seu presidente, Barack Obama, no caso da Palestina, foi de ratificar o massacre em Gaza e de apoio aos nazi-fascistas do governo de Israel; quanto à Ucrânia, além de extensa nota de pesar pelos mortos no voo da Malásia (os mortos em Gaza parecem não sensibilizar o presidente estadunidense), insiste em aplaudir os nazistas do governo golpista de Kiev e ameaçar a Rússia de retaliações.

As novas sanções atingem setores importantes da economia russa, como bancos públicos russos e empresas de armamentos. Agora os Estados Unidos conseguiram a adesão da União Europeia, tornando a situação mais grave e que não poderá ser respondida como nas primeiras sanções, que atingiam apenas personalidades do governo. Aquelas foram respondidas com um toque de humor: os russos ofereceram mais nomes para aumentar a lista!

No entanto, a melhor resposta ao agravamento do quadro geopolítico internacional foi a VI Cúpula do BRICS (Brasil, Rússia, Índía, China e África do Sul), realizada em Fortaleza, no último 15 de julho. A Declaração da Cúpula representa um passo importante na configuração de um bloco que se alinha na contra-tendência ao imperialismo mundial. O que fica claro nas duas medidas aprovadas: a criação do Novo Banco de Desenvolvimento e o do Fundo Monetário dos BRICS, contraponto à hegemonia imperialista no Banco Mundial e no FMI (Fundo Monetário Internacional).  Além da reunião dos 5 membros do BRICS, houve encontro com os 33 países da CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), sinal da importância que o Brasil atribui ao bloco regional.

O Novo Banco de Desenvolvimento tem como objetivo mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável dos países do BRICS e de outras economias emergentes e em desenvolvimento. O capital inicial autorizado será de US$ 100 bilhões.
O fundo comum de reservas, também aprovado no encontro, terá uma quantia inicial de US$ 100 bilhões.

Sem dúvida, foram dados passos importantes para afrouxar o envolvimento desses países nas malhas da dependência financeira e diplomática. Como o tratado de Fortaleza não foi ainda um Bretton Woods do Sul, questões como a supremacia do dólar permanecem sem resposta: cesta de moedas, uma nova moeda?

O sucesso da Cúpula do BRICS pode ser considerada a segunda Copa do Mundo da Presidenta Dilma Rousseff. Se o cenário de desestabilização não ocorreu na Copa, as eleições presidenciais são o novo campo de batalha. Se as eleições são terreno onde as classes dominantes se sentem à vontade para manter sua dominação, há elemento diferencial a ser considerado: mesmo o terreno eleitoral oferece, nas circunstâncias atuais, pouca segurança para o capitalismo em sua fase terminal. Aproveitar o acirramento dessas contradições para isolar os setores mais reacionários das oligarquias e avançar nas condições subjetivas para a revolução deve ser o objetivo central dos comunistas revolucionários.

Lembremos duas frases recentes de líderes de Nossa América: “Está na hora de conhecer um pouco mais a realidade” (Fidel, sobre a reunião do BRICS); “Passos históricos de grande magnitude para o mundo que está nascendo”, afirmou o presidente venezuelano Nicolás Maduro no enconto, ao mesmo tempo que lembrava que, em meio às más notícias sobre a operação terrestre para desalojar palestinos de Gaza e a intensificação do conflito da Ucrânia, do Brasil, com a reunião dos BRICS, nasciam as melhores notícias.

Abaixo o governo neonazista da Ucrânia!
Pela libertação da Palestina e imediata retirada das tropas israelenses!
Pela autodeterminação dos povos e pela revolução proletária!
Rumo aos 23 anos do Jornal INVERTA, 22 anos de distribuição do Granma Internacional de Cuba no Brasil e os 10 anos do acordo com a agência de notícias Prensa Latina!


CEPPES (Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais), 4 de agosto de 2014

André Moreau
André Moreau disse:
02/11/2014 03h30

Os companheiros do IDEA - Programa de TV - Canal Universitário de Niterói - Unitevê - Universidade Federal Fluminense, saúdam os companheiros do Inverta, pela jornada rumo aos 23 anos de resistência na boa luta, sem a qual seria impossível chegarmos a esse momento de embate que vivenciamos.
Saudamos a Honorável Presidenta Dilma Rousseff e aos presidentes dos países aliados que compõem o BRICS.
Nós, que lutamos pelo IDEA a boa luta, sabemos das dificuldades na superação de obstáculos que o sistema nos coloca no dia-a-dia.
André Moreau
Jornalista, Diretor do IDEA
pastoralidea@vm.uff.br

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