Ocupação Rosa Leão cumpre um ano de luta!

Apesar das inúmeras mobilizações e diversas reuniões com autoridades de todos os níveis – regional, municipal, estadual e federal -, a ocupação Rosa Leão continua sob ameaça de despejo e sem possibilidade de diálogo com a prefeitura, assim como as outras três ocupações na chamada Mata do Isidoro - Ocupações Zilah Spósito-Helena Greco, Vitória e Esperança - e todas as ocupações no município de Belo Horizonte.

No dia 17/05/14, a Ocupação Rosa Leão cumpriu um ano de luta, numa comemoração político-cultural que incluiu muita comida, cultura e alegria.

Com a participação de diversos movimentos sociais e organizações culturais que prestam solidariedade e apoiam sua luta, a festa representa um marco importante no difícil caminho percorrido por aquelas famílias que escolheram lutar por seus direitos e contra os interesses do grande capital imobiliário e sua corja de lacraios.

Com um palco instalado e com bandeiras vermelhas por todas partes, a coordenação da Ocupação abriu a noite com homenagens e agradecimentos àqueles personagens e organizações que contribuíram com esse primeiro ano de luta.

Todos os presentes, moradores e convidados, puderam em seguida compartilhar e desfrutar do enorme bolo com os dizeres: “Ocupar é um direito...”
Várias atividades culturais coloriram a festa, proporcionadas por moradores e apoiadores da ocupação.

A festa fechou com chave de ouro, o Duelo de MC’s, atividade de resistência cultural reconhecida em toda a cidade e no país também como forma de luta, ocupando diversos espaços da capital mineira.

Apesar das inúmeras mobilizações e diversas reuniões com autoridades de todos os níveis – regional, municipal, estadual e federal -, a ocupação Rosa Leão continua sob ameaça de despejo e sem possibilidade de diálogo com a prefeitura, assim como as outras três ocupações na chamada Mata do Isidoro - Ocupações Zilah Spósito-Helena Greco, Vitória e Esperança - e todas as ocupações no município de Belo Horizonte.

Infelizmente, pouco há avançado em benefício das famílias desde que o Jornal Inverta noticiou a situação da Rosa Leão na edição 469 de novembro de 2013.

As inúmeras dificuldades enfrentadas por esses lutadores e lutadoras e as arbitrariedades do poder judicial e executivo não foram suficientes para dissuadir as milhares de família cuja única alternativa é lutar por uma vida digna.

Não é fácil resistir contra as grandes empreiteiras, o capital imobiliário e os políticos, grandes e pequenos oportunistas que consideram o Parque do Isidoro, a última área verde de Belo Horizonte, a ‘cereja do bolo’ da especulação imobiliária.

Com inimigos poderosos e numeroso, enfrentando obstáculos internos e externos, o povo das ocupações realiza um esforço cotidiano para se organizar e viver em comunidade, as tarefas mais difíceis para quem resiste.

Além disso, durante esse primeiro ano de luta, já foram realizadas as mais diversas atividades políticas e sociais, desde a ocupação da prefeitura de Belo Horizonte, marchas e passeatas pela comunidade e pela cidade de Belo Horizonte, o desfile do bloco de carnaval Filhos do Tcha-Tcha, até uma jornada de doação de sangue, cine-fóruns, e a mais recente campanha de alfabetização na ocupação.

Felicitações e muita força à Ocupação Rosa Leão, que dá continuidade a uma luta histórica do povo brasileiro e dos povos do mundo e, por sua vez, serve como exemplo para que tantas outras pessoas  percebessem que lutar é a alternativa do povo.

Erguemos nossa voz em apoio aos moradores e moradoras da Ocupação Rosa Leão ao entoar uma de suas palavras de ordem: “O povo unido jamais será vencido. O povo organizado jamais será humilhado!”

Ocupação Rosa Leão: Naquele Bairro Encantado...

Depois das comemorações de seu primeiro aniversário, a Ocupação Rosa Leão recebeu um grupo de visitantes misteriosos e inesperados: o espetáculo “Naquele Bairro Encantado”.

Veio se aproximando lentamente um quinteto de mascarados, velhinhos e velhinhas que pareciam vir de um lugar muito distante no tempo, trazendo música, lembranças e esperança para a comunidade através de um cortejo de casa em casa por uma das quadras da Ocupação Rosa Leão e pelo Conjunto Ubirajara.

Cantaram e tocaram canções em homenagem à força e coragem de todos aqueles que lutam e lutaram por uma vida digna, acompanhados em diversos momentos por artistas e cultores populares que fazem vida nessa ocupação.

Entoaram diversas músicas que já não tocam nas rádios, mas que compões o vasto repertório que há décadas conta a vida dos trabalhadores por todo nosso território; músicas que foram cantadas esse dia também pelos trabalhadores - camponeses, operários, cozinheiras, domésticas, caminhoneiros, estudantes, etc - que hoje fazem vida na Ocupação Rosa Leão.

Foram surpreendendo por sua humildade, simpatia e pela excelência e virtuosismo de sua arte, conquistando assim o coração de todos os presentes.

Infelizmente, a ocupação é muito extensa e as ladeiras muito inclinadas para os idosos mascarados, e, apesar de apresentarem um espetáculo de quase três horas, muitos moradores das 15 quadras da ocupação não tiveram a oportunidade de desfrutar dessa obra de arte.

Da mesma maneira singela e inesperada que chegou, o Grupo Teatro Público foi se despedindo e desapareceu, deixando a impressão de que foi tudo um sonho.

Um sonho daqueles que deixam no coração a expectativa de um dia se reencontrar, e nutrem, como dessa vez, a esperança de um futuro melhor para aqueles cuja vida se constrói na luta.


Júlia Pereira