As eleições estaduais de 2014 serão uma guerra em Goiás

As eleições da chamada democracia burguesa giram em torno da busca do poder. Nessa moldura os “melhores” candidatos são os que têm projeto para o poder e não de poder a serviço da sociedade na sua carência de justiça social.

Em Goiás, a burguesia aliada aos grandes negócios da produção na terra, como a agropecuária e o agronegócio, todos voltados para os interesses do capital e não da sociedade, vive uma crise de poder.

Nas últimas eleições estaduais aqui saiu vencedor o projeto neoliberal ligado ao tráfego de interesses com as máfias marginais ligadas a Carlinhos Cachoeira.

Segundo denúncias do Deputado Estadual Mauro Rubens do PT, presidente da Comissão Estadual dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, o grupo de Marconi Perillo, ainda profundamente ligado ao bicheiro Carlos Cachoeira, continua atuante como bando marginal eticamente mas influente nos negócios do Estado.

Mauro Rubens declarou aos movimentos sociais reunidos em dezembro de 2013 para receber o diploma dado às lideranças populares pelos serviços prestados à luta pelos direitos humanos, que o bando que se instalou no núcleo do poder executivo estadual inovou, mas que continua se encontrando para tomar decisões políticas de caráter corrupto e privatista.

Desde que Marconi Perillo chegou ao governo, cuja campanha eleitoral lhe garantiu a vitória sobre a oposição, a onda de privatizações da saúde, da educação, da segurança, do transporte, da energia elétrica, algumas iniciadas no seu segundo período de governo, se aprofundou.

As consequências são tragédias sociais sobre tragédias sociais levando o povo ao desespero e ao enfraquecimento político.

A blindagem do desgoverno neoliberal privatista e corrupto de Perillo por parte da imprensa dá-se sob rios de reais despejados nas burras da mídia, que se cala permitindo o vendaval de destruição da consciência política do povo e do seu espírito cidadão.

Esse projeto opressor se submeterá ao debate político na campanha eleitoral de 2014.  Ressalte-se, contudo, que o povo na condição de eleitor encontra-se amordaçado e sem luzes para perceber a densidade da corrupção e do desvio do poder, que se volta contra ele.

Além da mídia comprada todas as áreas e espaços de luta política se encontram encharcados pela corrupção neoliberal, numa verdadeiro massacre da subjetivação popular.

A polícia é fortemente corrupta e violenta, jogando o povo nas mãos do terror e da insegurança. Isso explica o volume de crimes que só aumenta, em muitos casos com a participação de policiais.

Outro destaque que se deve fazer para demonstrar o massacre social da liberdade e da luta política é o campo da educação pública. Aí os investimentos são mínimos no estilo de que o que o governo faz é apenas para inglês ver. Por isso contrata atores e atrizes da Globo para propagandear e fazer o que povo chama de as mais lindas escolas das propagandas, onde todas as crianças, adolescentes e jovens gostariam de estudar, se não fossem irreais e safadamente ilusórias.

Destaque-se ainda a mobilidade social de responsabilidade do governo do Estado. São as piores do País, com baixa qualidade e conforto zero para os trabalhadores.
E assim vai por todos os setores de serviços que o Estado privatizado e corrompido deteriora como uma doença mortal.

Pergunta-se sobre as possibilidades eleitorais em face de um quadro desses, num ambiente onde o desgoverno do Estado move-se na contramão do País.

Constantes pesquisas são amostragens da divisão política desvantajosa para os avanços econômicos e sociais.

De um lado, um governo corrupto que amordaça a mídia e cega o povo, joga dinheiro público na compra de partidos e de apoios.

De outro, uma oposição dividia e com projetos débeis. O PMDB do ex-governador Iris Rezende divide-se entre ele e o mega empresário Júnior Fri Boi, que ingressou naquela sigla com o único interesse de se candidatar ao governo do Estado. Este não tem projeto nem discurso político.

O que busca é o poder pelo poder e, talvez, dar visibilidade para sua empresa.
Resta no campo da oposição o prestígio de Antônio Gomide, que faz bom governo à frente da Prefeitura de Anápolis, o segundo colégio eleitoral do Estado. Gomide é petista, num campo de esquerda daquele partido.

A despeito da alta valorização de seu governo atestada pelas pesquisas de opinião que lhe dão quase 90% de aprovação, Gomide não é conhecido no Estado e não conta com todo o apoio do PMDB, agregando força reduzida com o PT, que ainda é pequeno.

Porém, Antônio Gomide tem se mostrado interessado na campanha eleitoral e por ela se movimenta intensamente em contatos e articulações pelo Estado de Goiás.

Sua avaliação é de que conseguirá acumular apoio para desequilibrar o bloco dominante representado pelo atraso e pelo neoliberalismo mais perverso e corrupto deste Estado, comandado pelo grupo de Marconi Perillo.

O desafio do povo e da esquerda é o de concentrar forças e esforços no sentido de construir um projeto de poder que coloque as necessidades e interesses de desenvolvimento com justiça social e retomada do Estado para a sociedade, expulsando o neoliberalismo e harmonizando Goiás com o Brasil.

Mesmo sob divisão do campo de esquerda e fragilização dos partidos, muitos capitaneados pela visão coronelista dos votos a cabresto e da concentração de poder nas mãos da direita, o desafio deve exigir da militância maior dedicação para a edificação de projeto político que resgate a dignidade do povo e a unidade de amplos setores em torno desse projeto.


Orvandil Moreira Barbosa Sucursal Goiânia