Cartelização e corrupção nos serviços públicos do estado de SP

A crise no transporte tem nome: cartelização internacional e corrupção dos governos do PSDB, particularmente de Geral Alckmin. Os custos da privatização do setor (cartelização e corrupção) faz com que o custo transferido individualmente em cada passagem saltar de R$ 1,90 para R$ 3,00.

Os carteis controlam os serviços públicos e as obras públicas Brasil afora, particularmente em seu principal e mais importante estado, o de São Paulo, onde a demanda por transporte público são monumentais. Com a privatização dos serviços públicos, a famigerada “Parceria Público Privada” (PPP), os carteis passaram não só a controlar os serviços públicos, como também as obras públicas que serão “priorizadas” pelo governo, as próprias “licitações públicas” e os seus “custos” (custo + super lucro + propaganda + corrupção). Com a conversão destes serviços em simples mercadoria privada, os processos licitatórios passaram a ser senão um procedimento formal para burlar a legislação, isto é, dar uma fachada legal à cartelização internacional e esconder a corrupção do governo paulista do PSDB.


O governador Geraldo Alckmin “optou” por fazer manutenção nos vagões do metrô (Metrô) e trens (CPTM) por ser uma medida “econômica”, de “baixo custo”. Então fez várias “licitações pública”. Apesar de toda a divulgação das licitações e de inúmeras propostas que se habilitaram para realizar as manutenções, as empresas “vencedoras” eram, surpreendentemente, sempre as mesmas.

Por meio de diversos consórcios ou subcontratações para disfarçar a concorrência, estavam lá: Alstom, Siemens, CAF, Bombardier, TTrans (Metrovias), Mitsui, ADtranz, Hyundai e CCR (Camargo < /span>Correa), Tejofran, MGE, TCBR, Temoinsa e Iesa. Segundo o sindicato dos metroviários, o custo de manutenção de cada vagão ficou em cerca de 86% dos custos de um vagão zero. O preço da reforma individual cobrado pelo cartel era de R$ 3,2 milhões, enquanto que um vagão novo sai por cerca de R$ 3,5 milhões, a época dos contratos.


Não é só na manutenção dos vagões da CPTM que o esquema do cartel e da corrupção dos governos do PSDB ocorrem. A construção ou expansão das Linhas 2 (Linha sob a Av. Paulista), 3 (Linha Nordeste–Noroeste), 4 (Linha Sudeste-Sudoeste) e 5 (integração da Linha 1 com a 2), enfim, praticamente toda a rede de metrôs, foram obras encomendadas e realizadas pelo cartel, por meio do que os neoliberais chamam pomposamente de “Parceria Público Privada” (privatização disfarçada). Com a mutretagem das PPP’s, o cartel conseguia inflar as “licitações” ou “contratos” em 30%.

Com este superfaturamento, os carteis obtinham superlucros de até 50% (inimagináveis por meio de “concorrência” ou “capacitação” técnica) e distribuíam até 15% de propinas para o alto escalão do governo paulista do PSDB. A milionária propina era depositada não em nome de pessoa física, mas em empresas de fachada (“offshores”) no Uruguai e por meio de doleiros.


De cada R$ 10,00 “investidos” para “melhorar” o transporte público, R$ 3,00 são desviados para o super lucro e pagamento de propinas. No entanto, os R$ 7,00 em “obras” não atendem as necessidades da população. O sistema neoliberal converteu os serviços públicos em mercadoria para atender a ganancia dos carteis internacionais e da corrupção do PSDB.

O resultado desta política é um transporte público escasso (são 11 pessoas ocupando o mesmo metro quadrado dentro de um trem em horário de pico), lento (se perde de 4 à 5 horas em deslocamentos diários) e extremamente caro (se o preço fosse corrigido pela inflação desde o primeiro ano do governo Covas (1995) até o dia de hoje, a tarifa atual deveria ser de R$ 1,90 (segundo o sindicato dos metroviários).


A crise no transporte tem nome: cartelização internacional e corrupção dos governos do PSDB, particularmente de Geral Alckmin. Os custos da privatização do setor (cartelização e corrupção) faz com que o custo transferido individualmente em cada passagem saltar de R$ 1,90 para R$ 3,00. Não há como o transporte público voltar a ser um serviço universal com custos sociais sem que não haja a imediata estatização e a prisão dos responsáveis no governo e no cartel.


José Tafarel