A situação do Rio de Janeiro diante da “Voz das Ruas” que surgiu no país

As manifestações se avolumam e cada vez mais também a direita perde o controle sobre elas, o escândalo do sequestro feito pela polícia militar da UPP da Rocinha, levantou uma manifestação contra o caráter nazi-fascista desta polícia e contra a falta de segurança do povo trabalhador diante de órgãos de repressão que apenas aprenderam que seu inimigo é o povo.

A crise de transição do modo de produção capitalista provocada, entre outras determinantes, pela falência da economia política do neoliberalismo, que pretendia desmontar as estratégias do sistema contendo as crises cíclicas através das doutrinas econômicas keynesianas com a formação do Estado do Bem-estar social, que assumia encargos trabalhistas, principalmente uma política de pleno emprego, além de encargos sociais de proteção previdenciária, de saúde pública, educação e outras, para com isso conter a classe operária e seus aliados históricos, que então viviam em um mundo onde prevalecia a bipolaridade (socialismo X capitalismo), porém, porque por outro lado, estas políticas impunham uma perda de acumulação para favorecer setores das frações operárias, definidas como aristocracia operária, sendo assim chamados por terem suas satisfações mais atendidas do que os setores mais pobres destas classes.


Com o fim da bipolaridade mundial pelo desmonte dos países do Leste Europeu e a desintegração da URSS, foi aplicada a nova economia política que pretendia recuperar o liberalismo do início do capitalismo, quando ainda era concorrencial, no mundo imperialista de economia de monopólios centralizados; a mudança do Estado, tornando-se mínimo, alterou seu caráter, retornando ao seu papel de auxiliar dos negócios do Capital, não mais atuando na demanda efetiva, vindo a tornar-se mais uma peça no processo de acumulação das frações dominantes da classe capitalista no regime do Capital, hegemonizadas pelas oligarquias financeiras do imperialismo.


A alteração acentuada na composição orgânica do capital veio a favorecer as crises de acumulação e realização capitalistas levando ao estágio atual de crise de longo espectro por seu caráter cíclico mas também estrutural, com isso alterando, por seu caráter inssolúvel, as bases não só econômicas, mas desenvolvendo uma crise de valores da sociedade ou crise de paradigmas. Como já desenvolveu em suas teses o editor de Inverta, Aluisio Bevilaqua, em sua obra mais recente e muito importante.


O avanço da tecnologia aplicada no processo de produção desenvolveu o papel do trabalho vivo como apêndice da maquinaria ou meios de produção que representam o trabalho morto, ou aquele que já foi realizado e sua aplicação é sempre uma constante e têm grande importância no processo mas não se altera sua finalidade e, além disso, chega vendida para quem a comprou seja utilizada ou não, a máquina tornou-se na terceira fase da revolução industrial, máquina propriamente dita, motor, e seu próprio meio de controle e transmissão e o trabalhador foi adestrado  no sentido de repetir operações que mesmo que possam ser complexas, são repetitivas e contínuas, tornando-se acessório da produção que na aurora do capital dominava integralmente.


Estes fatos levaram a uma nova ofensiva imperialista na qual a guerra se tornou o principal  processo de sua realização expressando o que foi dito por Marx e Engels em “O Manifesto do Partido Comunista”, ou seja: é a forma de explorar mais intensamente antigos mercados, ou de conquista de novos mercados e, ainda, de destruição intensa de parcela das forças produtivas sociais, em outras palavras o desenvolvimento da economia política por outros meios que não a diplomacia e, assim, dominar as reservas de matérias primas e a força de trabalho através do darwinismo social e o malthusianismo econômico.


Com isso a crise imperialista se torna global fazendo da humanidade refém dos países centrais, as formações sociais em processo de desenvolvimento e o terceiro mundo, em geral, são submetidos ao poder dos monopólios das oligarquias financeiras.


As nações em desenvolvimento que mais sofrem a influência destas determinantes são aquelas dependentes e associadas aos grandes conglomerados financeiros imperialistas, incluindo-se neste caso o Brasil que, em editorial do Inverta do início do ano de 2009, foi demonstrado o grau de comprometimento da economia nacional com as oligarquias financeiras em caráter crescente criando enorme dependência às decisões do imperialismo.


Os últimos fatos ocorridos em nosso país, definidos como “voz das ruas” ou “choque de democracia” através de manifestações na maioria dos estados brasileiros, apresentavam, no entanto, como pedra de toque as grandes manifestações da região Sudeste, principalmente as de São Paulo e as do Rio de Janeiro. Este último mantendo contínuas massas nas ruas, mesmo após terem cessado em quase todo país as manifestações.


Apesar de haver indícios que todas estas movimentações tinham motivação vindas das classes altas pela repercussão de como as receberam os meios de comunicação da mídia burguesa, durante a Copa das Confederações, porém, restringindo-as às ações daqueles que passaram a chamar de vândalos, porém, quem são estes a quem chamam vândalos? Pois mesmo com a vinda do Papa para a Jornada Mundial da Juventude outras manifestações ocorreram no Rio de Janeiro.


O Rio de Janeiro estabeleceu uma política de segurança pública anunciada como a fórmula para acabar com o narcotráfico no estado e devolver as populações as suas cidades para usufruto exclusivo dos cidadãos de bem, porém, esta política demonstrou sua verdadeira face: um processo de cercamento das principais favelas da zona Sul e zona Norte, além de algumas regiões da capital do estado, o município do Rio de Janeiro, impondo a presença cotidiana da Polícia Militar, isso porque estas áreas são pontos estratégicos para os grandes eventos já agendados para a cidade em 2013, 2014 e 2016.


Porém, as fortes suspeitas das instituições de segurança pública do estado de associação aos paramilitares dos subúrbios cariocas e aos grupos de extermínio e assassinos profissionais que possuem ligações a parlamentares peemedebistas e ligado a isso o uso de verbas públicas federais de formas superfaturadas, tendo como principal exemplo as obras de reconstrução do estádio Mário Filho que alcançou a cifra de R$ 1 bilhão, enfraqueceram definitivamente a possível hegemonia no estado do PMDB, para a sucessão do governador Sergio Cabral, partindo, no estado, a aliança dos dois principais partidos da base aliada, o PMDB e o PT.


Além disso, a esquerda institucional avança em seu processo de denúncias ao governo através do Fórum Comunitário da Copa, o que fez o governador recuar em relação aos destinos do complexo esportivo do Maracanã, que será preservado, além da escola municipal Freendeicrh e do antigo prédio onde funcionava o Museu do Índio, no Rio de Janeiro. A direita fascista através da mídia das oligarquias financeiras procuram bater o quanto podem no governo de Cabral, porém por sua incapacidade administrativa do que por um motivo que sirva como munição para as esquerdas.


Mas, as manifestações se avolumam e cada vez mais também a direita perde o controle sobre elas, o escândalo do sequestro feito pela polícia militar da UPP da Rocinha, levantou uma manifestação contra o caráter nazi-fascista desta polícia e contra a falta de segurança do povo trabalhador diante de órgãos de repressão que apenas aprenderam que seu inimigo é o povo.


O não aparecimento do corpo do pedreiro Amarildo não é explicado já que ele estava detido no prédio desta UPP, tendo sua esposa visto quando o levaram para destino ignorado em uma viatura do local. Outrossim, é organizada na Assembleia Legislativa uma CPI para investigar a falsificação de planilhas econômicas dos transportes coletivos urbanos que, ironicamente, é constituída por elementos do parlamento fluminense com fortes ligações com empresas de ônibus e com isso transformando o local em ponto de encontro de constantes manifestações, com quebra-quebras e choques entre policiais e manifestantes, além de manifestações também no Palácio Laranjeiras, sede do executivo estadual, e também a própria residência do governador.


Os noticiários da mídia fascista a serviço das oligarquias financeiras começam a hostilizar estas manifestações, o que pode ser interpretado como perda do controle por parte desta fração burguesa sobre o destino destas manifestações, já que se começarem a alcançar outras regiões proletárias como a Rocinha, por causa da suspeita de sequestro e desaparecimento de Amarildo por policiais da UPP da localidade, poderá ser criada uma situação de violência desenfreada.


O processo que vivemos poderá levar a que a repressão endureça definitivamente e esta situação se torne insustentável para o proletariado fluminense caminhar para suas reais lutas e reivindicações.


Haroldo de Moura