Alguns aspectos da conjuntura nacional

À educação popular nunca foi dada a atenção necessária, em um país onde passou a predominar o subemprego ou as profissões não especializadas, como formas de acumulação primitiva de capital, desenvolvidas pelo proletariado que por suas culturas e educação, em geral, eram sempre contidas nos seus anseios de justiça, criando revoltas e atos de rebeldia, pela repressão policial, que foi se especializando em formas de extermínio, ora veladas, ora às claras, desenvolvendo-se entre as corporações policiais, a certeza da impunidade, e aquilo que era justificado como luta contra os comunistas ateus, alcançou o inimigo comum.

Sabemos todos que enfrentamos uma ditadura civil-militar que se justificou no sentido de assegurar a invasão das oligarquias financeiras imperialistas e os interesses dos monopólicos nacionais que pretendiam a associação ao capital externo e, assim, venderam o país destruindo as últimas reservas do capital nacional, que este processo  prosseguiu nos primeiros governos “democráticos-burgueses (capitalistas)” da nova República.Os fatores que justificam estas assertivas são a grande dívida externa de caráter quase insolúvel, e, por fim, a aplicação dos princípios da nova-velha economia política do neoliberalismo, reduzindo as atribuições dos Estados nacionais e, consequentemente, destruindo os direitos trabalhistas e sociais a que tinham acesso o proletariado do campo e da cidade. Ao mesmo tempo,  grandes parcelas das camadas médias sofriam o processo de proletarização, transformando-se em profissionais liberais, como médicos, advogados, professores e outros em assalariados dependentes dos salários, passam a sobreviver, como qualquer trabalhador, das torturas do trabalho. E como impor transformações tão rápidas aos meios de produção e de exploração de mais-valia relativa e absoluta à massa tão grande de trabalhadores?

Através da militarização da repressão política e, ainda, pela facistização dos meios de informação e contra-informação político-ideológicas. A primeira, dando origem às polícias militares  tendo um caráter ostensivo, visível a qualquer cidadão, com finalidade de se impor pelo medo e terror, enquanto a polícia civil, auxiliada pela militar,  invadia a vida do povo trabalhador de maneira impune e injustificada. O que se iniciou como “cruzada contra as manifestações de ruas organizadas pelos comunistas terroristas ateus” e que se manteve para exterminar os grupos que se puseram em armas contra a tirania, e que dizimou as principais lideranças políticas do proletariado, inclusive, exportando seu “modos operandi” através da famigerada operação condor, principalmente aos países do Cone Sul (Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai). Tudo apoiado por uma lei nazista do silêncio, e um sistema de grandes propagandas ufanistas e contra-informação sobre o destino dos presos políticos e até mesmo os presos comuns, existindo um grande hiato na nossa história que não é explicado e, apenas, parentes e revolucionários vivos que não desbundaram e se mantém fieis aos seus princípios lutam por elucidar, com a recém criada comissão da Verdade, tão postergada por tantos governos pós ditadura e tão decididamente requisitada pelos grupos Tortura Nunca Mais de todo país, já que os meios de informação política da ditadura eram a tortura e o aniquilamento psíquico-social destes lutadores. Ao mesmo tempo, queremos saber como Estados de extrema militarização foram espetacularmente desleixados no que consistia na invasão nacional de quadrilhas de comércio clandestino de narcóticos e armamentos pesados. Estas são as bases das políticas de segurança que ainda observamos hoje.

No momento atual,  os gastos com segurança pública elevam-se cada vez mais, o débil desenvolvimento que alcançamos, já ao final do terceiro governo do PT, que alguma melhora para a vida do proletariado e do povo pobre trouxe, em geral, não consegue responder à máxima de Darcy Ribeiro, criador do projeto dos CIEPs, então criticado por toda esquerda institucional, para ser copiado pelos mesmos críticos, em nossa época, que dizia, sem rigor em relação à citação original deste grande educador e pesquisador brasileiro, porém em sua essência que deveríamos dar uma educação de qualidade a nossas crianças hoje, para não temê-las no futuro. À educação popular nunca foi dada a atenção necessária, em um país onde passou a predominar o subemprego ou as profissões não especializadas, como formas de acumulação primitiva de capital, desenvolvidas pelo proletariado que por suas culturas e educação, em geral, eram sempre contidas nos seus anseios de justiça, criando revoltas e atos de rebeldia, pela repressão policial, que foi se especializando em formas de extermínio, ora veladas, ora às claras, desenvolvendo-se entre as corporações policiais, a certeza da impunidade, e aquilo que era justificado como luta contra os comunistas ateus, alcançou o inimigo comum que transformou-se em todo cidadão pobre, trabalhador, morador das favelas e subúrbios cariocas, além da esmagadora população da Baixada fluminense. Estes homens, mulheres, jovens e crianças passaram a ser os responsáveis pelo que foi denominado pela mídia oligárquica financeira de caos das grandes metrópoles brasileiras.

No estado do Rio de Janeiro, as chamadas unidades de polícia pacificadora (UPPs) são apenas formas de controle das áreas favelizadas da capital que, em breve, receberá grandes eventos desportivos e religiosos, par e passo a esta política assume papel mais destacado não apenas no Rio de Janeiro, mas em outras metrópoles as tropas de elite como responsáveis pelas ações de cerco, invasão, e destruição dos bolsões indesejáveis nestas áreas. Não podemos esquecer que mais de  setenta por cento das populações trabalhadoras e pobres, em geral, moram em favelas ou áreas ocupadas sem planejamento de atendimento dos chamados serviços urbanos, ao se desenvolverem quaisquer melhorias, o fantasma das remoções acompanham estas medidas, outrossim, estas populações sofrem ainda a ação criminosa das organizações paramilitares, milícias, grupos de extermínio, ação de pistoleiros e outras mazelas.

Em Fortaleza, no Ceará, os índices oficiais demonstram o extermínio da população pobre, principalmente dos jovens e crianças. Como em todo o país vigora a lei da violência do Capital e extraoficialmente já vigora a “maioridade penal”. Nas ruas e becos da capital cearense menores de 13 anos são assassinados, estando ou não com parabelo na mão; suas mortes são atribuídas pela mídia e autoridades, em grande parte, ao envolvimento destes com as drogas e aos “acertos de contas” entre gangues.

O crescimento do narcotráfico, inclusive entre cidades menores e até mesmo nas comunidades indígenas, também é algo assustador, já sabemos que existem consumidores mas existe um grande silêncio em relação aos possíveis fornecedores, que estão matando as populações proletárias, “como se matam pintos”, com o consumo do “crack”, o resto da cocaína. Além disso, os incêndios “acidentais” sempre em grandes mercados populares e o despejo de populações de suas áreas de moradia um processo de limpeza social dos centros urbanos, como novos Pereira Passos da vida.

Enquanto as políticas e ações sociais do governo federal chegam ao povo em sua forma assistencial, assistencialista ou social – denominação que depende da proximidade e dos interesses econômicos, ideológicos e, sobretudo, eleitorais  das correntes políticas, dos grupos econômicos e da mídia burguesa – e revelam uma face e um limite ao governo burguês; a outra é revelada pelo aparato repressor do Estado, oficialmente, através das polícias e secretarias de segurança: enquanto na maioria dos estados mantém-se uma versão mais próxima do famigerado tolerância zero, outras mantêm o discurso da polícia “inteligente”, fazendo baixar  taxas de mortalidade nos autos de resistência e apresentam vez e outra à justiça a “banda podre” da polícia, porém, em essência, a segurança pública dentro dos limites do capitalismo mantém-se entrosada, cada vez mais, com os interesses que devem defender, o interesse da oligarquia financeira contra o proletariado urbano e rural.

Pelo fim do extermínio do Proletariado e Juventude!
Não à Criminalização dos Movimentos Sociais e de seus militantes no campo e na cidade!
Pela articulação e fortalecimento do Movimento Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo!
Pela Revolução Proletária!
Ousar Lutar, Ousar Vencer!


CEPPES