A real atualidade do município de Itaboraí

A cidade de Itaboraí, pertencente à região metropolitana do Rio de Janeiro e que, entretanto, já foi considerada uma cidade rural, a partir do século XXI passou a ser vista como um grande centro comercial e industrial, especialmente com as mudanças que pretendem realizar as oligarquias financeiras do Estado. Essa mudança teve impulso com o processo enriquecimento advindo da descoberta dos lençóis marítimos de hidrocarbonetos, substância que dá origem a diversas matrizes energéticas como o petróleo, o óleo diesel, dentre outros, além de possibilitar a construção de refinarias que produzem mercadorias utilizadas em vários setores da vida social.

Segundo o planejamento das autoridades estaduais, uma destas grandes refinarias está contratada para ocupar o município de Itaboraí e com isso, principalmente em relação à especulação bancária e imobiliária, vê-se uma modificação da real situação deste município, que é uma cidade subdividida em 08 importantes distritos: Centro, Porto das Caixas, Itambí, Sambaetiba, Visconde de Itaboraí, Cabuçu, Manilha e Pachecos. Em sua maioria, todos já foram considerados de grande importância para o Estado e para o país, especialmente na época em que a produção rural estava em seu auge, e também passaram por uma forte decadência econômica em que só se sustentavam os apelos místicos de toda ordem. Hoje o Município, pela sua posição geográfica e estratégica, recebeu o Polo Petroquímico “COMPERJ”.

As empresas que estão se instalando na cidade vêm trazendo seus trabalhadores efetivos ou contratados fazendo com que o município dobre o número de habitantes nos últimos sete anos. Porém a infraestrutura e sua política de serviços públicos não acompanham esta mudança avassaladora. Trabalhadores de toda parte do país vêm para Itaboraí tentar uma vida melhor. Mesmo com o crescimento da cidade, o Município não se preparou para ter ensino público de qualidade em nenhuma de suas esferas: Municipal, Estadual ou Federal, contando apenas com 82 escolas municipais, 19 escolas estaduais, 21 escolas particulares e nenhuma de ensino técnico. Não foram feitos investimentos para a ampliação de uma rede de novas escolas públicas e muito menos um vigoroso projeto de construção de unidades de ensino tecnológico, com projetos de educação de primeira linha para profissionalizar tanto os jovens de Itaboraí quanto os filhos do proletariado que chegam a este município.

Ao mesmo tempo, em função da sede de capital dos setores ligados à região, esquecem-se da expressiva historiografia que liga Itaboraí ao conjunto do Estado do Rio de Janeiro. Esta cidade histórica possui o primeiro Teatro do Brasil, o Teatro João Caetano que foi construído no Séc. XIX em estilo Colonial e que até hoje nunca passou por uma reforma interna e/ou total reforma externa. O convento São Boa Aventura, no Distrito de Porto das Caixas, que foi construído 1660 pela Ordem Franciscana do Brasil e também o Parque Paleontológico de São José são outros aspectos de importância cultural e histórica. Todo esse patrimônio não é objeto de nenhum projeto desenvolvido pelo Poder Público tanto para manutenção, ampliação e/ou exploração turística-cultural. O Convento São Boa Ventura é, atualmente, responsabilidade da Petrobrás. O Teatro não foi utilizado em nenhum projeto que possa envolver a comunidade. Não existe nenhum cinema e só existe uma biblioteca pública. A cidade também é mãe de alguns nomes que contribuíram para a historia cultural do país como: Joaquim Manoel de Macedo, João Caetano, Salvador de Mendonça, Visconde de Itaboraí e o Jornalista Alberto Torres.

Itaboraí, cidade com perspectiva de se transformar em uma das grandes do Brasil, hoje não conta com governantes que invistam no desenvolvimento cultural e educacional. Há apenas o aumento do inchaço especulativo imobiliário, enquanto os habitantes não têm acesso à cultura. Os seus políticos não têm o comprometimento com o objeto de transformar a cidade e seu povo em uma referência cultural do Brasil para que possamos ter orgulho de ser habitantes desta região que não apenas representa um novo projeto de utilização de uma matriz energética e seus derivados, mas também representa a parte importante da história nacional e de nosso estado.

 

 

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