Máfia dos Caça-níqueis privatiza o estado de Goiás

O desencanto da população deve ser canalizado pelos comunistas revolucionários no sentido da compreensão do caráter corporativo da democracia burguesa, propagadora de uma pretensa liberdade aproveitada por grupos endinheirados que, infiltrados, colocam o estado privatizado, igualmente, a serviço da criminalidade.

Um saldo de mais de 80 dias de escândalos ininterruptos, até o presente momento 82 “autoridades” denunciadas, 06 atualmente presos, e um enorme descrédito nas instituições políticas do estado burguês, avaliadas por pesquisas realizadas pela grande imprensa local, revelam até onde o governo das elites pode chegar em aliança ao crime organizado.


O Estado capitaneado pela burguesia entreguista chega ao seu mais alto grau de exploração, imaginável somente dentro do sistema capitalista, campo fértil para capilaridade de um grupo que assaltou o governo com ramificações dentro dos poderes legislativo, executivo e judiciário. Acobertados, verdadeiros esquemas de assalto aos cofres públicos e captação de dinheiro ilícito foram montados com aval de políticos, empresários e da polícia corrupta.


Destaque para o chefe do poder executivo, Governador Marconi Perillo, do PSDB, que enfrenta hoje um forte movimento popular de “impeachment” com base em 200 ligações grampeadas pela polícia em que é citado como conivente na indicação de membros do esquema ao governo estadual, além de até hoje tentar explicar a venda de uma casa que lhe pertencia, local em que foi preso o “empresário” Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chefe da quadrilha.
Fácil entender a motivação desses esquemas quando se constata que somente 30 máquinas caça-níqueis em operação, comandada pelo “empresário” bicheiro arrecadavam em média ao mês R$ 1 milhão em dinheiro ilícito, segundo depoimento do delegado Matheus Rodrigues à polícia.


O reflexo de tudo isso na população goiana é que uma recente pesquisa constata que 25,2% não votariam ou anulariam seu voto nas próximas eleições, número que atualmente “ganharia” as eleições em Goiás. Nesse sentido, a pesquisa revela ainda que 63,5 admitem influencia da chamada Operação Monte Carlo da polícia federal (Fonte: “O Popular”).


O desencanto da população deve ser canalizado pelos comunistas revolucionários no sentido da compreensão do caráter corporativo da democracia burguesa, propagadora de uma pretensa liberdade aproveitada por grupos endinheirados que, infiltrados, colocam o estado privatizado, igualmente, a serviço da criminalidade.


Torna-se muito importante, mostrar a população que as eleições são tão somente um dos caminhos para a transformação da sociedade e que, objetivamente, só a derrubada do sistema pelos trabalhadores organizados pode efetivamente contribuir para a transformação. O voto nulo em protesto ou a eleição de “gente honesta” atenuam, mas não resolvem problemas que são inerentes ao sistema baseado na exploração do homem pelo homem. O povo deve aproveitar as eleições para a conquista de mandatos comprometidos com a construção de espaços de conscientização e organização revolucionária dos trabalhadores.
A verdadeira democracia deve ser conquistada pelo povo organizado, objetivando a transformação revolucionária em um estado democrático que não obedeça aos ditames do capital. O governo deve ser gerido a serviço da maioria da população desprovida dos bens e dos mecanismos de produção do capitalismo, classe essa que se torna revolucionária à medida que nela reside o sujeito da história que encaminhará a transformação da nova sociedade socialista.

Laércio J. da Silva
Sucursal GO