4 de Fevereiro, Semente de Pátria Nova

O dia 4 foi a semente de uma pátria nova que segue em pé de luta contra o sistema capitalista que, mais que nunca, parece estar dando seus últimos respiros.

“Houve durante tantos anos, tantos silêncios sob as balas, tantas manhãs sem pão e sem consciência do por quê, tantas palavras gastas para não convencer, tantos discursos, panfletos, filmes, tantos mortos, tantos caídos, tantas marchas, greves, tantas paredes manchadas sem futuro... e foi suficiente um minuto de palavras concretas para que a esperança tomara as ruas de novo e crescente, voltasse a dizer as mesmas palavras mas com milhares de ouvintes e oradores, para que se enchessem de novo as paredes de letras e frases, novas e velhas.” (Liliane Blaser, Los años duros del alumbramiento, Revista Memorias n. 24)

Em 4 de fevereiro cumpriram-se vinte anos do levantamento militar liderado por Hugo Chávez Frías na Venezuela. Nesse país, a data é comemorada como a semente da Revolução Bolivariana porque se converteu em uma referência de luta, na qual apareceu uma liderança para as organizações políticas de esquerda que tinham sido desarticuladas, massacradas e desmobilizadas durante a década de setenta e oitenta pela Operação Condor, um plano de coordenação articulado entre os regimes neoliberais e ditatoriais do continente e o Departamento de Estado Estadunidense.

A rebelião começou a organizar-se desde princípios da década de oitenta, quando vários comandantes, capitães, maiores e tenentes formaram clandestinamente o Exército Bolivariano Revolucionário 200 (EBR 200) e juraram acabar com quarenta anos de traições ao povo por parte de uma elite política entreguista que tinha vendido o país às multinacionais, o afundando na miséria.

O massacre de 27 de fevereiro de 1989, uma explosão social contra as medidas econômicas neoliberais impostas pelo FMI, que resultou no assassinato de mais de duas mil pessoas, marcou o caminho e deixou claro para o EBR a urgência da rebelião.

Na madrugada de 3/02, várias guarnições em todo o país se levantaram e marcharam para Caracas para a tomada do poder. O levantamento, no entanto, foi imediatamente sufocado e Hugo Chávez, perante as câmeras do país, fazia algo que nenhum político venezuelano havia feito há anos, assumiu responsabilidade pelos fatos.

Mas o estopim tinha sido aceso e o povo venezuelano não foi o mesmo. A pressão social elevou-se, os protestos multiplicaram-se e o Estado corrupto e assassino perdeu toda legitimidade. Quatro anos depois, Chávez e os demais líderes rebeldes foram postos em liberdade, no começo de uma grande campanha nacional que daria seus resultados em 1998, quando a Revolução Bolivariana tomava o poder pela via eleitoral, com mais de 60% dos votos e a imediata convocação a uma constituinte para refundar o Estado.

O dia 4 foi a semente de uma pátria nova que segue em pé de luta contra o sistema capitalista que, mais que nunca, parece estar dando seus últimos respiros.

Julia P