Rede Autônoma de Proteção aos Militantes ameaçados de morte: em defesa da vida!

Vivemos tempos de crise, que se expressa nas contradições que assistimos cotidianamente na vida dos milhões de brasileiros e brasileiras. O povo, explorado e que sofre as piores consequências do aprofundamento dessas contradições, não se dobra e se mantém firme em sua luta, seja no campo ou na cidade. Durante todo o ano de 2011, vimos expressões disso no levante dos operários da usina de Jirau, greve dos trabalhadores da construção do Maracanã, greve dos professores em Minas Gerais e Ceará, dos bombeiros no Rio de Janeiro, dos trabalhadores do serviço funeral em São Paulo, entre outros muitos exemplos.

O capital, ameaçado e que tenta a todo custo e por todos os meios se manter, criminaliza e extermina os movimentos sociais que travam a luta. Durante todo o ano de 2011, vimos uma série de movimentos nazifascistas voltando a se expressar, como os ataques contra homossexuais em São Paulo, o genocídio do povo indígena Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, a invasão dos morros com as UPPs no Rio de Janeiro, a atuação da polícia no campus da USP em São Paulo, entre outros muitos exemplos. Tempos de crise são tempos de intensificação da luta, mas também, da reação, que não quer de maneira alguma deixar de viver como sempre viveu. Não há estado da federação em que não se manifesta a violência dos opressores contra os oprimidos.
Diante deste panorama, assistimos impotentes aos casos de assassinatos de jovens pela polícia, em sua maioria, negros da periferia e das favelas, que se multiplicam e nada acontece aos executores e responsáveis. No meio rural, os camponeses, quilombolas e indígenas vivem ameaçados pelas armas de latifundiários, madeireiros, mineradores e agentes do agronegócio (empresas de segurança privada, uma espécie “moderna” e legalizada de jagunços). Nas grandes cidades, a miséria e tudo que decorre dela são respondidas pelo Estado com operações policiais, muitas vezes de guerra. No campo, o poder econômico responde com o terror, empregando milícias, capatazes, jagunços e pistoleiros de aluguel.

Não podemos nos esquecer da execução no dia 24 de maio do extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e de sua companheira Maria do Espírito Santo da Silva por pistoleiros a mando de madeireiros. Ambos organizavam a resistência aos madeireiros na reserva Água Extrativista Praialta Piranheira, no estado do Pará. Apenas três dias depois, em 27 de maio, Adelino Ramos, líder do Projeto de Assentamento Florestal Curuquetê, em Rondônia, foi morto pelas armas dos latifundiários. Em seguida, mais três assassinatos. Nada foi apurado. Na Ouvidoria do Pará e de Rondônia, constam 170 mortos e 70 inquéritos de assassinatos, sendo que somente 10% foram considerados esclarecidos. Há ainda 216 casos que permanecem à margem da Justiça. A Comissão Pastoral da Terra contabiliza centenas de mortes desde os anos 80. Há uma lista de 1.813 líderes ameaçados de morte.

No país da Copa do Mundo e dos megaeventos, nossos lutadores e lutadoras são criminalizados, perseguidos e assassinados. Os mandantes permanecem impunes, não podemos nos esquecer dos massacres de Corumbiara e Eldorado dos Carajás, cujos responsáveis caminham livres e soltos por aí. Se os lutadores e lutadoras não terminam sendo presos, a Justiça fecha os olhos para que os grandes proprietários os reprimam com recursos próprios. Nesse nosso estado democrático de direito (burguês) não temos direito de nos organizarmos contra a injustiça. O Estado atua de forma omissa, coadjuvante ou protagonista, juntamente com o empresariado rural e urbano e diz que não há como proteger os ameaçados de morte. Isto porque não há interesse em garantir a vida daqueles que organizam movimentos contrários à grande propriedade da terra e à oligarquia agroindustrial. Os extermínios diretos e indiretos são parte do projeto do poder.

Neste momento de acirramento da luta de classes, no qual a classe trabalhadora resiste fortemente, uma de nossas maiores riquezas é certamente nossos companheiros e companheiras que se doam todos os dias na construção de uma realidade diferente. Este é o motivo pelo qual não há como defender e manter a luta dos pobres do campo e da cidade senão defendendo o direito de autodefesa e constituindo um tribunal popular para responder aos crimes dos poderosos. É preciso, sem dúvida, que os trabalhadores urbanos e rurais se unam em um só movimento.

Nossa solidariedade precisa ser concretizada na prática da defesa, proteção e preservação de nossos camaradas. Como uma iniciativa desde o dia 08 de agosto deste ano, formou-se uma Rede Autônoma de Proteção aos Militantes ameaçados de morte, composta por diversas organizações e movimentos sociais, no intuito de erguer nossas vozes em denúncias e solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras perseguidos e em repúdio aos ataques dos poderosos. Além disso, essa rede auxilia, realoca e busca dar proteção aos companheiros e companheiras ameaçados (as) que a procuram. Os que participam dessa iniciativa enfatizam a necessidade de que seja ampliada a todos os estados do Brasil, a todos os lugares onde há injustiças e, portanto, onde há perseguição daqueles que lutam contra elas. Maiores informações através da Associação de Professores da PUC-SP (APROPUC) através do endereço eletrônico apropuc@uol.com.br e do site www.apropuc.org.br

Pela criação de um tribunal de denúncia e proteção dos militantes ameaçados!

Sucursal São Paulo