32 anos da Associação de Amigos do Ouro Preto: ação e luta comunitária

No dia 19/11, a Associação de Moradores de Ouro Preto, em Nova Iguaçu-RJ, comemorou 32 anos de existência. O evento com diversas atividades políticas, sociais e culturais contou com o apoio do Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo da Baixada Fluminense.


A comemoração foi iniciada com a ação de saúde, com a realização de vários exames de Hepatite C e a verificação de pressão. À tarde, dando inicio à palestra sobre as drogas, foi exibido o filme “Panteras Negras”. Georgina Queiroz, do PCML, falou sobre como e com qual objetivo a classe dominante disseminou as drogas, transformando o proletariado em dependente químico. E o descaso por parte das autoridades públicas com o tratamento aos filhos e filhas da classe trabalhadora.


Jaqueline Alves, do Movimento de Luta Contra o Neoliberalismo, e Maria Luciene, presidente da Associação de Moradores do Ouro Preto falaram das lutas dos trabalhadores em geral e da localidade. As duas relembraram momentos históricos da luta na região, como as desenvolvidas na Federação das Associações de Moradores de Nova Iguaçu (MAB) e na Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ).


O evento foi encerrado com apresentação da peça “José”, encenada por Cleber Felipe, Rosa e Pedro Monteiro, sob a direção de Luiddi Mangeffestti.
Durante o evento foi propagandeado o jornal INVERTA, que foi bem recebido pela população local.


O INVERTA conversou com a presidente da Associação, Luciene, que falou de sua origem e das lutas da associação.


“Nasci no Ceará, tenho 60 anos, moro no Rio desde 68, estou na luta desde 1972, morava em Mesquita, também baixada, e participava de reunião sobre lutas nacionais, sobre a discriminação da mulher, nesta época, não tinha direitos, as que não eram casadas eram discriminadas”, afirma a presidente.


“Em 1970, a localidade de Morro Agudo era puro mato, minha primeira luta na região foi em 75, tinha uma casa de aluguel e incendiaram, quando fui à polícia reclamar meus direitos fui ameaçada de ser presa”. Minha luta em Ouro Preto começou assim, não abaixava a cabeça. O povo não tinha coragem de lutar pela região, iniciei pelos benefícios que a comunidade não tinha. Reunia-se na casa um e de outro.


A associação de Amigos do Bairro Ouro Preto sua organização foi desde 77, mas a associação só foi registrada em 81. A primeira luta foi trazer condução e água ainda no governo Chagas Freitas, depois foi saneamento e educação, consegui a 1ª escola pública municipal que hoje carrega o nome de um politico oportunista, desabafa Lúcia.


“Depois da luta pela moradia conquistamos 4 bairros, através da ocupação Antônio Conselheiro com 3 mil habitantes, Barão das Cobras, Paz Vida Nova, o Rei do Gado.”
Ela denuncia que na luta pela legalização o governo municipal quer trocar o nome das comunidades para não reconhecer a luta do povo.


“Nesta luta tivemos apoio da OAB, Ação e Cidadania, a Prefeitura tentou nos derrotar, mas não conseguiu, ela tentou desconhecer a Associação elegendo representantes da comunidade que não tinham legitimidade, desconhecendo a Associação. Hoje estamos sentindo essa ação, mas não estamos derrotados, a luta continua, as ruas estão emburacadas e no escuro.”
“O bairro Ouro Preto encontra se no abandonado principalmente a Capitão Pereira. Quero prestar uma homenagem a Odina Wascoleky, Cecilia da Conceição e Maria Florence, que lutaram comigo e faleceram. O que me motiva continuar é a luta por que trabalhamos com dignidade em beneficio da comunidade do nosso povo da comunidade, se parar quem vai se beneficiar são esses políticos sujos corruptos”, concluiu Lúcia Helena.


Katia Silene Silva, agente da saúde que integrava o grupo que prestava atendimento a comunidade declarou ao INVERTA: “É importante este trabalho que prestamos à comunidade, porque a hepatite C é uma doença silenciosa e 150 milhões de pessoas no mundo têm HC e não sabem, daí a importância do diagnóstico precoce. A mesma coisa acontece com a pressão alta, em que um dos sintomas iniciais  é a dor na nuca, os estudos mostram que ela acomete mais à população negra, mas todos devem procurar este diagnóstico precoce.”


É uma iniciativa do Movimento de Luta Contra o Neoliberalismo muito importante, o paciente que demonstre ser possivelmente positivo na Hepatite C é encaminhado para o Posto de saúde Vasco Barcelos e os que apresentam hipertensão são encaminhados para a Secretaria, para o programa de portadores de diabetes.

Osmarina Portal
Sucursal Rio de Janeiro