Entrevista com a banda Tatubala

Tatubala é uma banda que foi formada em outubro de 2001 no Rio de Janeiro por Paulinho de Castro (vocal e guitarra) e Bruno Lima (percussão e voz). A  formação atual do grupo também conta com: Marcelo Bruno (baixo e voz),  Ronaldo Rodrigues (teclado) e Léo Sampaio (bateria). A banda procura fazer  um rock n´roll próprio através de referências do progressivo e psicodélico,  tais como Os Mutantes e Jimi Hendrix se esquivando da mesmice  musical. O INVERTA conversou com Paulinho de Castro, 31 anos, vocalista e guitarrista. que nos conta um  pouco da trajetória de uma banda independente que não se dar ao luxo “de  ficar de braços cruzados, tem que correr atrás”, como ele mesmo diz .

IN- Como é ser banda independente no RJ

Paulinho: No básico é como em qualquer lugar. Tudo é feito pela banda: a  composição, a criação dos arranjos e das músicas, de ter de correr atrás de  shows, da divulgação, de pagar ensaio, e tudo mais. Tem o lado bom de sermos donos de nós mesmos e criarmos tudo conforme a nossa opinião e ponto de vista, mas por outro lado é mais trabalhoso, pois se ninguém mover uma  palha, tudo fica parado.

Em relação ao Rio de Janeiro, acho que o rock perdeu muito o seu espaço por aqui. Temos meio que garimpar, achar os lugares onde há uma troca ou  benefício para a banda se apresentar, sem ser prejudicada. Mas nós músicos  não devemos só ficar reclamando e ficar de braços cruzados. Temos que nos valorizar e por a cara pra conquistar o nosso espaço.

IN - O som de vocês é marcado pela estética e o lúdico. Acreditam que a realidade é menos interessante? Por que?

Paulinho: Nossas músicas são variadas em relação aos temas, arranjos e letras. Umas podem ser mais fantasiosas, mas indiretamente remetem a fatos reais como “As Aventuras de Pedro Caboclo No Planeta B-422” no qual citamos o contrabando de caramelos e meteoritos do espaço. Outras são bem reais e  fazem críticas a certos comportamentos humanos, como no caso da música “Vírus Rádio Ativo”, que cita a influência da mídia no comportamento  cotidiano das pessoas.  A arte serve de válvula de escape pra nos confortar dos acontecimentos ruins. Mas os pés devem estar sempre no chão para encarar o mundo real e  seguir em frente.

 

IN - Como uma banda independente sobrevive no mercado?

Paulinho: No nosso caso atual, todos os músicos possuem outras atividades por fora, além do Tatubala. Claro que temos como objetivo que a banda alcance  voos mais altos. Mas só o fato da pessoa montar uma banda independente já te faz vitorioso em teu trabalho, pois antes do interesse financeiro, todos do Tatubala gostam de tocar e estar dentro do projeto da banda. E só assim as coisas positivas acontecem. Nas vezes em que colhemos bons frutos foi sempre quando todos os músicos estavam sincronizados. Falando nesse ponto não é uma tarefa fácil juntar ao mesmo tempo pessoas de  caráter, boas e interessadas para uma banda independente. No caminho de montar um grupo, você pode encontrar pessoas complicadas, no qual uns que querem regalias e se acham superiores, e outros que reclamam demais e falam tanto que acabam dando bom dia a cavalo.


IN - Quais as maiores influências de vocês?

Paulinho: Cada membro tem suas preferências, mas em relação ao som do Tatubala, acredito que Jimi Hendrix, Os Mutantes, Módulo 1000, Chico Science, Santana, Rush e Jethro Tull sejam as maiores referências do rock progressivo e psicodélico.

 

IN - Quais as mensagens que pretendem passar para o público de vocês?

Paulinho: Que as pessoas sejam elas mesmas e que saibam filtrar opiniões externas, sejam elas boas ou ruins. Às vezes o sujeito tem uma grande ideia dentro de si, mas se sente reprimido e com vergonha achando que o resto do mundo não irá gostar. E nisso se resumem ao modelo padrão. Temos que sonhar e fazermos o que temos vontade, respeitando sempre, é claro, o limite do outro.

 

IN -Qual o melhor lugar pra tocar no Brasil ?E a experiencia mais significativa que tiveram.

Paulinho: Fora da cidade do Rio de Janeiro, somos sempre muito bem recebidos em Nova Iguaçu. Quanto à experiência significativa, foram os festivais de Alegre e Colatina no Espírito Santo. Neste último, inclusive, conquistamos o prêmio de melhor arranjo musical.


IN - Por que o nome da Tatubala?

Paulinho: Todo mundo sempre pergunta, mas não tem nenhum mistério. Quando formei a banda eu queria um nome original, que soasse bem quando pronunciado e ficasse bom de memorizar. Então fiz o trocadilho de tatu com bala. O bom é que na hora de procurar o nome da banda na internet fica mais fácil por ser um nome diferente.

 

IN - Deixe um site para que conheçam o trabalho de vocês e deixe uma mensagem para os leitores do Inverta.

Paulinho: Temos o nosso site oficial que é o www.tatubala.com. Neste tem links para quem quiser conhecer o nosso disco “Vírus Rádio Ativo”. Tem como saber da agenda de shows da banda, fotos, etc. Mas procurem no youtube os nossos dois clipes oficiais: “Cabeça de Rabo de Camarão” e “Chá das 5”, ambos dirigidos por Felipe Cataldo. Um abraço e paz à todos os leitores, e que viva a liberdade, o rock n´roll e as artes em geral.

Susana Savedra