Desmascarada ação de “pacificadores” nas comunidades no Rio de Janeiro

No dia 11 de fevereiro do corrente ano foi desencadeada pela Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro, a Polícia Federal (PF) e o Ministério público Estadual (MPE), a Operação Guilhotina.

No dia 11 de fevereiro do corrente ano foi desencadeada pela Secretaria Estadual de Segurança do Rio de Janeiro, a Polícia Federal (PF) e o Ministério público Estadual (MPE), a Operação Guilhotina. A operação se originou depois da descoberta por parte da polícia de vazamentos de operações que tinham como objetivo a prisão dos traficantes Antônio Bonfim Lopes, de vulgo Nem, “chefe” do tráfico na Rocinha, e de Rogério Rios Mosqueira, de vulgo Rouxinol, “ex-chefão” do Complexo de São Carlos, morto no ano passado em “confronto” com a polícia. Neste sentido o que seria uma investigação sobre o tráfico de drogas se desdobrou na apuração de outros crimes, com o envolvimento de policiais ligados ao alto escalão das forças de repressão do Estado. Depois de meses de investigações desenvolvidas através de depoimentos, filmagens e interceptações telefônicas, vieram à tona por exemplo, detalhes sobre a atuação da milícia que atua na favela Roquete Pinto, em Ramos, zona norte do RJ.


Os crimes descobertos vão desde o vazamento de informações para traficantes, corrupção, desvio de armas apreendidas, proteção a caça-níqueis, até a atuação em milícias. Foram presos 45 envolvidos- 28 deles policias civis e militares- e ficou demonstrada a apropriação realizada por policiais, na operação que “libertou” as comunidades e “expulsou” os traficantes dos Complexo do Alemão e da Penha, do “espólio de guerra”, que seria armas, munições, drogas, bens como eletrodomésticos e outros, deixados pelos traficantes.


Para facilitar a investigação foram criados quatro grupos, separados pelas espécies de delitos cometidos. O grupo A é acusado de  receber R$ 50 mil por mês para passar informações privilegiadas sobre operações para o Nem da Rocinha e também para bandidos do São Carlos que teriam “herdado” o “domínio” do tráfico de drogas no complexo com a morte de Rouxinol. Os suspeitos também negociariam armas com os traficantes. Esse grupo é formado por seis elementos entre policiais civis e militares. Cada suspeito do grupo B receberia R$20 mil por mês para não combater o tráfico na Rocinha e a “conta” seria paga por comparsas do São Carlos, “dominado” pela mesma facção criminosa. O grupo se apropriou de bens de “traficantes” “expulsos” do complexo do Alemão e da Penha e é formado por policiais civis, militares e um “cidadão comum”. O grupo C tem a participação de uma pessoa de destaque das forças de repressão, pelas funções que cumpria, que é o delegado Carlos Antônio Oliveira. Ele é ex-subchefe operacional da polícia civil e até a realização da operação Guilhotina era subsecretário municipal de ordem pública. Os acusados fariam parte de uma milícia que atua na favela Roquete Pinto. Os policiais envolvidos, entre eles Carlos Oliveira, negociariam armas apreendidas em operações com a quadrilha local. Fariam parte do grupo policiais civis, policiais militares na ativa e na reserva e “cidadãos comuns”. O grupo D tem como participantes policiais civis, militares e um filho de um policial civil. O grupo é acusado de fazer a segurança de casas de jogos de azar e bingos clandestinos.
A Operação Guilhotina traz à tona inúmeros fatos que reafirmam o que nós, comunistas revolucionários, agrupados no Partido Comunista Marxista Leninista- Brasil (PCML-Br) temos denunciado através de nosso Órgão Central, o jornal Inverta: O modo de produção capitalista vive uma crise que não é apenas uma crise de superprodução, ela vai além do modo de produção(base econômica) e atinge a natureza através da relação de contradição antagônica que o homem estabelece com a mesma, assim como a superestrutura política. Neste sentido acaba por se configurar em uma crise de valores, de paradigma, que só pode ser superada através da transição para um outro modo de produzir e reproduzir a vida no planeta acompanhado de uma outra superestrutura política, ideológica, etc. E isto só pode ser feito através de uma revolução social que resolva a contradição entre o capital e o trabalho através da abolição da propriedade privada dos meios de produção e sua substituição pela propriedade coletivo sobre os mesmos.


Aqueles que teoricamente seriam para proteger e trazer a segurança estão envolvidos “até os ossos” com aqueles que, também teoricamente, eles deveriam combater. Este fato é ou não é uma demonstração concreta de uma profunda crise moral? Não podemos esquecer das denúncias de moradores do Complexo do Alemão e da Penha que relataram ações de brutalidade e furtos cometidos pelas forças de segurança que estavam ali para “libertá-los” da opressão do tráfico de drogas. E o que falar da “corrida ao ouro” realizada pelas forças de segurança nos dois complexos, logo após a “saída” dos traficantes e que levou as mesmas a chamarem a região de Serra Pelada?


Em nosso documento intitulado “O que refundar? Teses à refundação do Partido comunista”, de P.I.Bvila, colocamos de maneira bem clara que tanto o tráfico de drogas quanto as milícias são formas de acumulação primitiva de capital, onde setores da burguesia brasileira em unidade com setores das forças armadas e demais instituições de repressão, tendo como buchas de canhão os jovens pobres das comunidades proletárias, desenvolvem práticas e comércios ilegais e por isso primitivas, para acumular capital sem reparti-los com o Imperialismo. Desta forma poderíamos encaminhar duas perguntas aos nossos governantes como forma de contribuir para a solução do problema do tráfico de drogas e das milícias: Por que eles não tomam a decisão política de enviar tropas para as fronteiras com o objetivo de evitar a entrada de armas e drogas em nosso país? E mais, por que não desenvolvem políticas públicas que façam com que as comunidades proletárias saiam do estado de abandono e miséria em que se encontram , dando uma perspectiva de vida digna aos jovens dessas localidades e evitando assim a grande oferta de mão de obra barata para esses grupos criminosos?


A resposta para as duas perguntas é a mesma: Eles não  tomam essas medidas porque são governos representantes dos interesses do capital, tendo muitas vezes em suas superestruturas de poder pessoas ligadas a esses grupos. Sem falar no papel da indústria bélica na economia da maior potência capitalista do mundo. Somente a organização e a luta do povo pobre do campo e das cidades podem acabar com esse sistema. Por essas e por outras, nossas palavras de ordem são:

Pela Organização do proletariado brasileiro!
Ousar, Lutar!
Ousar, Vencer!
Venceremos!

Maria do Socorro