11-13 de abril de 2002: Proibido esquecer!

A solidariedade com o povo venezuelano é uma das nossas armas para a revoluçao brasileira. Os revolucionários venezuelanos não se esquecem, registrando sua memória nos muros de Caracas: “Todo 11 tem seu 13!” O povo destemido aponta para seu inimigo e deixa claro que se o império tentar repetir o 11 de abril de 2002, temos que estar prontos para sair às ruas e vencer como no dia 13.

 

No próximo dia 11 de abril, serão 9 anos desde a tentativa de golpe de estado na Venezuela. É importante resgatar esse momento de resistência e vitória popular não só como parte do acervo que nutre nossa luta, mas porque neste ano o país se prepara para as eleições presidencias de 2012 e o imperialismo, com toda sua rede de lacaios regionais, está disposto a tudo para tirar o presidente Chávez do poder. É proibido esquecer porque “aqueles que não aprendem da história estão condenados a repeti-la” e qualquer medida de desestabilização – como um golpe de estado ou magnicídio – estão na ordem do dia para os EUA.

A continuidade do processo revolucionário na República Bolivariana está diretamente vinculada à permanência do presidente Hugo Rafael Chávez Frías no poder, e o império sabe disso. Diferente do que pregam alguns da “esquerda crítica”, não existe a possibiliade do “chavismo sem Chávez”. Aqueles que consideram o personalismo do presidente a principal ameaça para o processo estão enfeitiçados pelos meios burgueses, repetindo sua ladainha como por encanto, cegos à dinâmica histórica da política venezuelana e à atual.

Claro está que, com a direita continental e a “esquerda crítica”, o Tio Sam fará de tudo para retirar Chávez do poder através das eleições, enchendo a oposição de recursos, principalmente financeiros.  A dificuldade que a oposição tem de se unir é um fator a nosso favor, mas é certo que qualquer que seja seu candidato único, será um lacaio declaradamente entreguista do império. Entre os principais candidatos, estão três que são expressão máxima dessa posição. Henrique Mendoza, de sobrenome oligarca e tradição burguesa, deputado da oposição à Assembleia Nacional (AN), era considerado principal candidato para as hipotéticas eleições presidenciais a serem realizadas depois do golpe de 2002, durante o qual liderou um grupo de “civis” que invadiram o canal estatal Venezuelana de Televisão (VTV) e o fecharam, calando o único meio de comunicação massiva do processo. Mendoza esteve na clandestinidade até o decreto de anistia feito por Chávez em 2007. Durante o mesmo golpe, Henrique Capriles Randonski, atual governador do estado Miranda e outro favorito para a candidatura de 2012, permitiu o atentado contra a embaixada de Cuba, desmobilizando as forças policiais do município onde está localizada e do qual era prefeito em 2002. Contra qualquer convenção internacional, o governo cubano não considerou isso uma declaração de guerra, ainda que seus funcionários estivessem sem água nem luz, fossem submetidos à bombas de gás lacrimogêneo e ameaças de morte caso saíssem do edifício. Finalmente, María Corina Machado, “a dama branca da Mesa de Unidade Democrática”, foi a deputada com mais votos diretos nas eleições à AN e se destaca como uma “alternativa” aos nomes usuais, como se o fato de ser uma mulher pesasse mais que sua condição de classe. A ex-presidente de Súmate, ONG financidada pelo NED estadunidense, não só reconheceu o governo golpista (12 de abril de 2002) de Pedro Carmona  ao assinar o decreto como “representante da sociedade civil”, como foi a única venezuelana recebida oficialmente pelo ex-presidente estadunidense Bush, encontro que se deu no salão oval em maio de 2005. Pode-se ver como os principais agentes da oposição hoje o foram também em abril de 2002.

Além da desestabilização política e social, que é uma ferramenta de uso frequente, se o império considera improvavél tirar Chávez do poder “democraticamente”, outros meios serão utilizados. Na verdade, o terreno vem sendo preparado desde sempre, com uma campanha midiática internacional forte contra o líder bolivariano e distintos planos para seu assassinato.

Recentemente, em 2011, esperando que seu plano de ingerência contra Kadaffi pudesse ser transportado para a Venezuela, um “boato” foi lançado pelas agências de notícia alinhadas de que o líder líbio havia fugido para lá. Os acordos comerciais entre a Venezuela e o Irã têm sido usados como evidência do apoio oferecido por Chávez ao terrorismo fundamentalista islâmico. O deputado estadunidense Connie Mack, presidente do Subcomitê para o Hemisfério Ocidental da Comissão de Relações Internacionais, vem pregando a inclusão da Venezuela na lista de estados terroristas e a aplicação de um bloqueio econômico como o mantido contra Cuba. No ano passado, o presidente venezuelano foi incluído no Relatório Nacional de Análise de Ameaças do Departamento de Defesa estadunidense como “a principal ameaça para a democracia na região”, entendendo-se “democracia” como os interesses estadunidenses. Esse mesmo ano, foi lançado o filme Os Mercenários, filmado no Brasil e cujo diretor fez comentários desrespeitosos contra nosso povo, onde uma tropa de elite militar estadunidense executa um plano para derrubar um ditador “em algum país latino-americano” cujo exército usa boinas vermellhas. Coincidência?

Além de boatos e campanhas midiáticas, planos de assassinato ao presidente não são estranhos à Venezuela bolivariana. O jornal contrarrevolucionário El Nuevo Herald de Miami publicou em setembro de 2009 um relatório sobre os mesmos. O governo venezuelano denunciou em setembro de 2008 que o serviço de inteligência de seu país encontrou planos para seu assassinato envolvendo militares e políticos de oposição. Uma gravação de comunicação celular foi transmitida pela VTV em abril de 2007 onde se discutia o mesmo. O presidente denunciou que a polícia do estado Zulia, enclave da oposição, havia armado tudo para assassiná-lo durante sua chegada a esse estado meses antes das eleições presidenciais de 2006. Para a oposição e os “moderados” que apoiam o processo, tudo isso pode parecer ser teoria da conspiração, já que representa um investimento alto de tempo e esforço para livrar-se de uma pessoa. Mas Chávez não é qualquer cidadão e os EUA sabem disso.

O terrorista internacional Francisco Chávez Abarca, ilustre pupilo de Posada Carriles, preso na Venezuela em julho de 2010, confessou que seus planos então eram de matar o presidente Chávez e afundar navios petroleiros e desde 2005 participou em várias reuniões conspirativas com fins parecidos. Fora sua confissão escrita, ele cedeu entrevista à Telesur, e aparecia frequentemente em meios venezuelanos com um aspecto saudável, para evitar suspeitas de que o governo bolivariano tivesse usado métodos ao estilo CIA para forçá-lo a confessar.

Para os que ignoram (conscientemente ou não) a história, o assassinato de líderes progressistas na América Latina não é exceção, se não todo o contrário, principalmente daqueles que se identificavam com processos revolucionários. Vale mencionar o assassinato de Gaitán na Colômbia (1948) e Allende no Chile (1973) para lembrar as tristes sequelas deixadas nos povos de ambos os países quando a contrarrevolução se instaurou novamente, seja na época do keynesianismo ou já do mais recente capitalismo neoliberal. Não existem motivos para pensar que a tentativa de golpe de 2002 tenha fugido de essa estratégia de dominação imperial e que o avanço e radicalização do processo bolivariano desde então faça com que os EUA desista de usá-la. Prova disso são os golpes de estado em Honduras (2009) e as tentativas de assassinato de Evo Morales em 2008 e de Rafael Correa no ano passado.

Como parte da preparação para as eleições, é importante não apenas lembrar, porém também contar esse episódio de vitória popular na luta de classes continental. A solidariedade com o povo venezuelano é uma das nossas armas para a revoluçao brasileira. Os revolucionários venezuelanos não se esquecem, registrando sua memória nos muros de Caracas: “Todo 11 tem seu 13!”  O povo destemido aponta para seu inimigo e deixa claro que se o império tentar repetir o 11 de abril de 2002, temos que estar prontos para sair às ruas e vencer como no dia 13.

JP