Entrevista com Wilson Moraes: “O artista é que cria a arte e não o computador”

Entrevista

Há 55 anos, na cidade de Nova Iguaçu – Baixada Fluminense - nascia Wilson Moraes. Quando pequeno, duas coisas em especial alteraram sua vida, a primeira foi a mudança para o bairro de Marechal Hermes (na cidade do Rio de Janeiro) e a segunda foi a música.  Desde criança, era um apaixonado por música, aos 13 anos já tocava violão e sabia que aquilo era a sua praia. O tempo passou e nos anos 80 vieram épocas boas e ruins na sua carreira, mas, quando chegaram os anos 90, o sucesso apareceu, ele foi o baixista do grupo de pagode Sedução, que tocou em várias emissoras. Porém, ele percebeu que apenas sucesso não dá felicidade e que ensinar poderia ser algo bem mais prazeroso, então foi o que ele fez, virou professor e produtor de música.

IN - Companheiro, qual a sua visão sobre o atual cenário musical brasileiro?
WM – Atualmente, eu vejo que é necessário aparecerem algumas obras de qualidade como tinha antigamente, deixar aparecer à galera que está dentro da garagem. A mídia abriu o espaço e deixou muita coisa rolar, mas que não é na verdade o que o pessoal que gosta de música estava esperando, nada contra, mas tem que haver mais espaço para o som de garagem.

IN - Qual a influência da arte musical nas pessoas?
WM – Mesmo nas pessoas que não tratam a música como arte existe a influência, porque tudo na vida é com música, desde pequenos, com as canções de ninar, ela está presente. De repente fica um ar de as pessoas não enxergarem bem isso, mas a influência é total.

IN - A produção independente tem sido algo cada vez mais frequente, isso é um ponto positivo ou negativo?
WM – Eu acho positivo, porque você às vezes não tem a oportunidade dentro do sistema, e nem é reconhecido, então às vezes você é obrigado a fazer sua produção independente e jogar no mercado, para as portas se abrirem.

IN - Você já tocou em grandes emissoras, já produziu várias canções, mas em qual momento da sua vida é considerado o pico da sua carreira como músico?
WM – É complicado isso ai, porque às vezes o melhor momento que pode ser considerado como pico é o momento que a pessoa não está aparecendo na mídia, está com pouca evidência. O meu melhor momento não foi aquele que eu aparecia na televisão, como no programa da Xuxa, ou em outro tipo de mídia. É curioso isso, mas o meu melhor momento é aquele que eu estava dentro do estúdio produzindo e não tinha ninguém reconhecendo, mas estava fazendo o que realmente eu queria.

IN - A mídia monopoliza o mercado fonográfico?
WM – Com certeza, a mídia faz o que ela quer, ela coloca pra tocar o que ela quer, ela faz as pessoas gostarem do que ela quer. Quando falo as pessoas não estou generalizando, mas uma boa porcentagem que é importante para mídia ela consegue dominar e assim monopolizar o mercado.

IN - Qual o principal motivo que fez você seguir carreira no mundo musical?
WM – Principalmente gostar muito de música, convivo com isso desde pequeno, observava pessoas mexerem com essa arte. E é isso, música é muito gostoso de se fazer.

IN - Existe uma música da banda “Chico Science & Nação Zumbi” que diz o seguinte: “...Computadores fazem arte, artistas fazem dinheiro...”, você concorda com essa afirmação?
WM – Aparentemente não concordo não, o artista ganha dinheiro mais em consequência da arte que ele faz, o computador não faz a arte, quem faz em si é quem o manuseia, ele só vai facilitar algumas coisas. Na minha visão, o computador é um instrumento muito favorável para a produção, mas é o artista que cria a arte.

IN - Qual mensagem você gostaria de deixar para os futuros músicos?
WM – Não desistir, se tem talento tem que se investir. Não vai ser fácil, existem muitas barreiras, mas é melhor tentar do que ficar encostado se lamentando, tem que ter determinação. E outra coisa, arte não tem idade, pode começar com 12 anos ou com 80, se chegar o seu momento tem que aproveitar, correr atrás. 

Diego Kobylinsk