Quem faz o Movimento?

O INVERTA veio até a comunidade do Vila União para conversar com o camarada imprescíndivel Cláudio Evanias Rocha.



IN- Cláudio, conte um pouco sobre a sua história de luta, como trabalhador, como operário, e como foi a sua decisão de ingressar na luta pelo Socialismo.


CL- Como os companheiros sabem, eu sou filho de uma família pobre, de pais analfabetos e, ainda criança, via a humilhação que o patrão do meu pai o fazia passar e eu, na época muito devoto, como todas as crianças ali, perguntava: - Meu Deus, por que essas pessoas que tem tanto e humilham os que não tem, não são castigadas? Com isso, a indignação foi crescendo. Aliado a isso, na minha juventude eu tive acesso à literatura marxista e vi que aquela exploração não era predestinação e que tinha uma explicação.

IN- Você foi torneiro mecânico, operário. Quais experiências você pode relatar deste período?


CL- Dentro do pouco conhecimento que eu tinha, comecei a organizar os meus camaradas lá, os torneiros, pra lutar por melhores condições de vida, por melhores salários, com isso comecei a atrair a ira dos patrões. E é porque, na época, eu ingenuamente acreditava que os patrões poderiam dar as mãos aos trabalhadores e crescerem juntos, por isso eu só falava em salário, essas coisas. Mas é daí que vem a grande importância desse momento, pois foi nessa época que eu percebi o antagonismo, que os interesses eram inconciliáveis, que a ganância do patrão era sem limites. Então percebi que não há outra saída que não seja o Socialismo, e a morte da classe burguesa.

IN- Muito tem se falado dos investimentos que a Copa do Mundo de 2014 trará para a cidade de Fortaleza, mas o que se vê até o momento, como na sua comunidade, são os deslocamentos das pessoas de suas áreas de origem, destruindo a memória dessas pessoas...


CL- Você tocou em um ponto muito importante. Vejamos...Tem pessoas que estão sendo retiradas das suas ruas, ruas onde moraram 30 ou 40 anos, sem sequer serem esclarecidas sobre um ressarcimento financeiro, deixando um desespero, porque a vida daquela pessoa, os amigos, o trabalho, são muito ligadas ao seu lugar. Além disso, as promessas que estão sendo feitas, com o aval da burguesia, são ilusórias, são empregos efêmeros, de curta duração, que não mudarão a realidade das pessoas.

IN- E como você conheceu o INVERTA?


CL-Em 1989, na primeira eleição direta pra presidente, depois do golpe de 1964, eu estava engajado na campanha do Lula, quando, diferente de hoje, o PT era uma pedra no sapato da burguesia, então naquela campanha eu conheci muitas pessoas boas, camaradas de grande valor, onde eu tive contato com a literatura socialista e a organização.

IN- O Jornal Inverta propõe a organização do povo em torno dos CLCN´s. O que você pensa sobre esta proposta de organização?


CL- É um modelo interessante pra servir de elo entre a população despolitizada e a organização marxista, através da literatura revolucionária e das demais tarefas, para que o povo consciente possa se tornar senhor do seu destino. Então, os comitês são fundamentais na conscientização do povo para a luta.

IN- Como você analisa a conjuntura política brasileira e a inserção dos CLCN´s neste quadro? 


CL- Os comitês tem condições de dar uma virada na acomodação política que nós vemos, pois se tem pessoas de todos os tipos, e daí se averígua aquelas que estão realmente dispostas ao desafio, pessoas que se indignam com o sistema capitalista. O Comitê passa a trabalhar esses novos camaradas, pra futuramente serem vanguarda, e por aí nós caminharemos.

IN- Cláudio, qual a mensagem que você deixaria para a comunidade do Vila União, você como membro do Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo dessa região?

CL- Bom, a mensagem é um chamamento pra que esse povo venha fazer frente ao sistema capitalista, porque, a partir do momento em que eles começam a participar de organizações como o comitê, eles começam a ter consciência de que a dificuldade do dia-a-dia é decorrente desse sistema, que concentra toda a riqueza que o povo produz na mão de um pequeno grupo de grandes empresários, deixando migalhas pra maioria da população. Quando o povo entende isso, ele passa a resistir ao sistema capitalista. É claro que existe todo um sistema de comunicação servindo à burguesia, uma parafernália de entretenimento, com as novelas, os filmes, que trabalham a mente da população, no sentido de acomodá-las na situação em que se encontram.

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