Avanços Civilizatórios X Conjuntura Internacional Reacionária

Análise sobre a conjuntura atual e a luta revolucionária.

O período que define a ideia de civilização para os marxistas é o que sucede à barbárie, em que a organização gentílica e o comunismo primitivo são dissolvidos diante do início da divisão social do trabalho, a qual proclama a produção mercantil como o novo elemento da produção humana. Período em que nasce a exploração do homem pelo homem, a propriedade privada, o Estado, o domínio patriarcal, enfim, a luta de classes. Neste período de domínio de classes antagônicas, onde uma minoria explora uma maioria trabalhadora, o processo civilizatório avança em contradição, isto é, o que é bom para uma classe é ruim para a outra, e vice-versa. Porém, em termos gerais, a economia vai abrindo as portas para as condições de produção mais elevadas e criando um cenário de luta de classes cada vez mais avançado. Enfim, a própria luta de classes pode ser vista como um motor da produtividade do trabalho em níveis superiores. 


O Brasil e a América do Sul têm vivido circunstâncias positivas diante da conjuntura internacional da crise geral do sistema capitalista. Primeiramente, essa manifestação ocorreu com a subida de líderes populares ao governo destes países. Logo, seguiu-se com políticas econômicas e democráticas de interesse mais popular. A crise, é bem verdade, abriu uma brecha, possibilitando o financiamento capitalista imperialista, a juros bem salgados, de empreendimentos. Estado e empresas, no sentido de valorização do Capital, empregaram produtivamente muito dessas abundâncias soltas de capital, transformando muito o cenário brasileiro. Mas o capital, antes de mais nada, exigiu garantias do governo, de modo civilizatório, de que o seu dinheiro iria voltar saudável e bem crescido. 


O lucro dado pela exploração da mais-valia no Brasil deve ser de grande envergadura, isto é, deve estar acima de muitos locais no mundo, pois, possibilitar o pagamento de juros estratosféricos, além de toda a divisão desta mais-valia com os demais setores, significa que a colheita dela deve ser abundante, ou os investimentos aqui têm aprofundado o controle e o domínio de multinacionais. Bem, seja como for, o fato da necessidade de valorização do capital financeiro em abundância encontrou local civilizado para investir sem medo de ser feliz. Eles, ganhando mais que em qualquer lugar e o povo trabalhando e “saindo da pobreza”, “tornando-se classe média”, “o Brasil acabando com a miséria”, “o povo feliz”, os capitalistas e banqueiros felizes, sem dúvida o capitalismo deu certo no Brasil. Essa é, infelizmente, a ideia que se passa. 


Ainda sob o aspecto civilizatório, na concepção marxista são as condições materiais que possibilitam passar para um estágio superior de produção, onde a base material contribua para a produtividade do trabalho, abrindo espaço para a redução da jornada de trabalho e aplicação de parte do trabalho excedente no próprio ser humano. Aqui, nem a diminuição da jornada de trabalho ocorreu em todo esse período e os investimentos de pequena monta em bolsas de tudo parecem ser tudo o que se pode investir no ser humano. Os hospitais, a educação, a cultura, o saneamento básico têm sido por parte de governos estaduais e federal locais, em sua maioria, muito aquém das necessidades e em plena regressão em muitos estados e locais do país (nosso Estado/RS é um exemplo). As ampliações de contratações de professores, médicos, enfermeiros, profissionais técnicos, entre outros, sumiram; porém, os elementos que servem para que o estado continue a financiar o setor de produção de mais-valia têm chegado a todos os locais em quantidade mais que o suficiente. Há muitos computadores, porém, não existem técnicos que façam o manejo deles; remédios e vacinas aos montes, porém é difícil encontrar algum médico.


Neste aspecto colocado, de crise geral e abundância da pletora de capital para possibilitar a sua valorização, sem dúvida que abriu este período pelo qual o governo Lula tem administrado, pode-se considerá-lo como civilizatório sob o comando de um governo popular. Mas se crise lá e abundância aqui, logo crise aqui também. E crise aqui também significa nova conjuntura para o Brasil e, por isso, é preciso armar o povo brasileiro nesta perspectiva, para poder fazer frente ao que vem por aí. A mídia e os próprios aliados têm falado de coisas que logo logo perderão sentido, como as bolsas de valores nas alturas. Falar de processo civilizatório sem se preparar para a conjuntura reacionária que está em gestação é cantar amores para o imperialismo, como se administração que determinasse o sistema capitalista ser isento de crise.
Faz ressaltar somente o aspecto economicista do processo. E, mesmo nesta perspectiva, o capitalismo brasileiro é limitado, segundo as próprias palavras do ministro da Economia, que diz que o Brasil não tem condições de crescer mais que 5 ou 6 por cento ao ano. 


A direita percebeu o desarme a que levou a ilusão deste afã civilizatório. Ela quer prosseguir neste caminho, aprofundando e embelezando o momento conjuntural aqui e, enquanto invade outros povos (Afeganistão, Iraque, e, num futuro próximo, o Irã), faz provocações entre os Estados de direita com Estados democráticos (o exemplo disso são as provocações da Colômbia contra a Venezuela), impõe genocídio aberto e aos olhos da humanidade (no caso de Israel ao povo Palestino) e atenta inclusive contra eleições democráticas em determinados países (caso de Honduras). É preciso que os comunistas, progressistas, democratas entrem neste enfrentamento com a direita, para que se aprofunde a necessidade de transformação no modo de produção, único produto realmente compensatório para uma conjuntura favorável. Estamos falando em um equilíbrio de forças entre os sociais democratas e a direita e que, se este não pender para o campo revolucionário, penderá para o campo da direita. A Europa e seu social-democratismo, após a destruição das organizações Revolucionárias, vê a cada dia a ocupação dos espaços políticos pela extrema direita. Ataques aos trabalhadores e às suas conquistas, têm sido feitos como coisa mais comum do mundo. Eis para onde estes “equilíbrios parciais” deságuam quando não se tem a perspectiva avançada, revolucionária. 


Portanto, conjuntura favorável significa, para o proletariado, favorável à revolução. O civilizatório tende à mesma perspectiva, ou novas palavras servem para desviar do campo político para o economicismo? Palavras novas como excluídos, inclusão, globalização soberana, civilização trazem gosto para a burguesia, pois, com elas, arrefece a luta de classe não dizendo absolutamente nada. A eleição de Dilma a presidente é extremamente importante para barrar a direita e, ao mesmo tempo, limitada, se não for criada uma unidade democrática, progressista e revolucionária, para diante da conjuntura que se aproxima, de guerra imperialista, dada a crise geral do capital, colocar a classe operária brasileira juntamente com a classe operária da América do Sul, em vigilância e prontidão diante das ameaças imperialistas, no rumo revolucionário como única saída. 


Tem se elevado o papel administrativo em vista da crise do capital, como elemento prioritário, sendo a própria crise elemento secundário. Isso é um absurdo. Porém, dada a crise, o que determina é o caminho político, isto é, na condução de um caminho proletário ( revolução ) ou a saída burguesa (guerra e manutenção do sistema capitalista). As condições favoráveis podem tornar-se desfavoráveis e criar uma conjuntura contrária e contra-revolucionária às forças progressistas e democráticas.
Por isso, a nossa convicção é no alerta para a conjuntura internacional reacionária, de guerra, de provocação, de invasão, de fascismo, enfim, destacando-se a necessidade de no Brasil e na América do Sul, onde podemos atuar mais diretamente, de derrotar essas mesmas forças que aqui compõe essa tendência, isto é o PSDB e o DEM, com Serra a presidente. Na América do Sul, o isolamento da Colômbia que são forças reacionárias e de mão dada com o fascismo do capital. No mundo, os EUA, Israel e os demais impérios europeus, que buscam posições melhores frente à crise para ocupação e expansão. 


Mesmo em candidaturas diferenciadas no primeiro turno, é preciso uma unidade no segundo, já que a mesma não foi possível nesta etapa. É preciso compreender essa conjuntura para poder se preparar, se unificar, se fortalecer e avançar no rumo proletário, tendo um discurso político único contra as forças citadas acima, que visam ao apoio do massacre dos povos e da vida. No mais, a direita, mesmo sendo derrotada eleitoralmente, através dela criará todos os mecanismos necessários impostos pela conjuntura internacional reacionária, isto é, da crise geral do capital para impor a sua política. A unidade das forças progressistas tem importância tanto estratégica como tática, pois os simples avanços democráticos em nossa sociedade, como o Estatuto dos Direitos Humanos, erguem-se como vozes poderosas, tanto econômicas como militar, para impedir qualquer avanço.

Viva a Unidade das Forças Progressistas e Revolucionárias.

Viva o PCML e o seu OC. 


Viva a Revolução e o Povo brasileiro.
 
Para derrotar a direita, eleja Dilma Presidente.

João RS