Declaração sobre a primeira experiência em uma greve de professores

Nesta edição, a Coluna Voz Rebelde traz o depoimento de estudantes da rede pública de São Paulo que passaram pela experiência de participar de um movimento de greve de professores que dissouveu-se "em mera campanha eleitoral por parte da comissão organizadora do sindicato". Foi "uma frustração muito grande para nós", afirmaram os alunos.

Nós, estudantes de uma escola da rede pública de São Paulo, não sabíamos a dimensão que uma greve podia ter, principalmente sendo esta de professores. Não tínhamos noção da imensa participação que a política exercia sobre o movimento.

Ver a greve, um instrumento de luta dos trabalhadores, dissolver-se em mera campanha eleitoral por parte da comissão organizadora do sindicato foi, em primeira instância, uma frustração muito grande para nós, que tivemos de retornar às salas de aula e continuar convivendo com todos os problemas de sempre, que a cada dia se tornam mais difíceis de enfrentar. Mesmo assim, percebemos a importância de termos voltado nossa atenção ao curso do movimento e de termos tido contato com uma série de conflitos internos do mesmo.

Depois de aprovada a greve no dia 5 de março, percebemos uma certa agitação por parte de alguns professores, o que nos chamou a atenção. Já cientes da precariedade que rondava nosso ambiente escolar, como a falta de professores, salas superlotadas e falta de estrutura, resolvemos nos organizar com a ajuda de alguns camaradas, para que pudéssemos tomar conhecimento do que envolvia esta paralisação.

Depois da discussão feita sobre o assunto, resolvemos participar de todas as assembleias e passeatas que tiveram início no dia 12 de março, na Avenida Paulista, para que pudéssemos observar de perto como funcionava o mecanismo de uma mobilização e como atuavam as forças envolvidas do começo ao fim deste processo.

Ao participarmos das assembleias, ficamos indignados com alguns fatos que ocorreram durante a paralisação, como a manipulação que a mídia fez com o que ocorria, distorcendo fatos e manipulando imagens e, como se não bastasse, declarando a greve como sendo injusta e com interesses simples e unicamente economicistas.

Entretanto, com o passar do tempo, os professores foram retornando às salas. Percebemos, então, o declínio do movimento, causado pela desmotivação dos professores e pressão que o governo exercia sobre eles.

Para nós, que acreditávamos na potência da luta, foi desanimador ver o rumo que a greve tomou. O seu fim já era previsível, só que não contávamos com as desagradáveis discussões entre professores e a comissão organizadora.

É ruim estar em uma sociedade e num sistema que não se preocupam com a educação dos filhos e filhas da classe trabalhadora, que lhes dá o valor de uma mercadoria e que não vê nenhuma vantagem em investir no ensino público.

Nós, que dependemos da escola pública, não devemos nos conformar com a educação que recebemos do governo, não podemos deixar que as outras gerações vivam essa triste realidade que enfrentamos hoje.

Por isso, no início, nossa palavra de ordem era: força, garra, determinação, lutamos unidos pela educação! Mantemos essa convicção, mas acreditamos que é com força, garra, determinação e organização por parte de toda a sociedade que devemos nos unir para lutar contra esse governo opressor que obedece a uma ordem injusta e desumana, que não se comove com o sofrimento da classe trabalhadora.


Estudantes uni-vos!


J5J - SP