A Rebeldia do Punk Rock na Metrópole da Amazônia

A mesmice alienada e alienante da pop music domina o mercado capitalista e invade nossas mentes. Em todos os lugares, somos obrigados a ouvir e ver aquilo que esse mercado impõe ao nosso consumo. O conformismo musical se esparrama e sufoca...ao mesmo tempo, porém, provoca resistências – como a do punk rock. O punk rock é um estilo musical popular (sub)urbano, que se caracteriza por sua singeleza brutal, ao usar poucos acordes e ter letras rebeldes, em músicas que vão desde o mero deboche até o protesto social e político. No Brasil, o punk rock é feito e conhecido principalmente nas grandes metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Distrito Federal.

A mesmice alienada e alienante da pop music domina o mercado capitalista e invade nossas mentes. Em todos os lugares, somos obrigados a ouvir e ver aquilo que esse mercado impõe ao nosso consumo. O conformismo musical se esparrama e sufoca...ao mesmo tempo, porém, provoca resistências – como a do punk rock.

O punk rock é um estilo musical popular (sub)urbano, que se caracteriza por sua singeleza brutal, ao usar poucos acordes e ter letras rebeldes, em músicas que vão desde o mero deboche até o protesto social e político. No Brasil, o punk rock é feito e conhecido principalmente nas grandes metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Distrito Federal.

Mas há, também, o punk rock amazônida: um bom exemplo disso é o da banda Baby Loyds, formada em Belém do Pará, em 1988, por garotos que tinham apenas 12 ou 13 anos de idade. Esses garotos, porém, já então participavam do meio punk rock da cidade, numa adolescência precoce que permaneceu no nome da banda. Tendo passado por muitas mudanças nos 22 anos de sua existência, a formação atual da banda tem Augusto Jas (38, bateria e vocal), Gerson (35, vocal e guitarra) e Moriel (37, baixo e vocal).

As influências da Baby Loyds vão do punk rock inglês da década de ‘70 – tanto da rebeldia debochada dos Sex Pistols quanto da rebeldia politizada de The Clash – ao punk rock e HC (hardcore) nacionais da década de ‘80 – Cólera, Ratos de Porão, Fogo Cruzado, Garotos Podres etc. De gravações, a banda tem as demos “Nação Ferida” (1999), “Embriagados na Caverna” (2001) e “Baby Loyds” (2004), tendo ainda participado das coletâneas “Expresso HC 3” (2001), “HC Scene 5” e “Minuto de Intolerância” (2002), “Setembro HC 3” (2004) e “Toma!” (2005).

Bem ativa e conhecida no panorama musical alternativo da “Metrópole da Amazônia”, e em todo o Pará, a banda já se apresentou também em Teresina – PI, Natal – RN, João Pessoa – PB, Fortaleza – CE, Recife – PE e Macapá – AP, isso ao lado de outros grupos reconhecidos, como o Discarga Violenta, de Natal, o Obskure e o Switch Stance, de Fortaleza, o D.F.C., de Brasília – DF, ou os Ratos de Porão, de São Paulo. Em 2009, entre os 14 shows realizados, a Baby Loyds teve como destaque sua apresentação no Acampamento da Juventude do IX Fórum Social Mundial, em Belém.

O Inverta conversou recentemente com Gerson Costa, da formação original da banda e com Jalva Braga, atual produtora da Baby Loyds, no Bar do Mauro, um conhecido e antigo ponto de encontro de apaixonados por “rock(s)” – rock’n roll, heavy metal, punk rock, HC etc – que fica, estrategicamente, no bairro do Marco, entre o centro e os subúrbios de Belém. Foi lá que eles responderam às nossas perguntas, em meio a conhecidos e amigos da banda, que chegavam e sentavam conosco, participavam da conversa e até mesmo contribuíam com as respostas...


IN – Em ‘88, quando a Baby Loyds surgiu, vocês eram muito jovens – quase crianças. Além disso, mesmo morando numa capital, estavam longe do “eixo Sul-SE-CO”. Como foi que vocês conheceram o punk rock?

BL – Nós conhecemos esse estilo musical freqüentando a República dos Camarões, um sítio na Avenida Perimetral de Belém do Pará, onde ensaiavam as extintas bandas Desesperados e Ovo Goro, que faziam parte do cenário rocker da cidade. Eles conseguiam os velhos discos de vinil por correspondência com punks de outras capitais do Brasil, com os fãs de rock’n roll e de heavy metal que saiam de Belém para assistir shows em outros estados e traziam os discos que eles encomendavam, ou quando eles mesmos saiam de Belém para participar de encontros do Movimento Estudantil nos outros estados.


IN – Vocês vivem da música ou para a música que fazem? É trabalho ou diversão, isso que fazem? O que mais fazem em suas vidas?

BL – Fazemos punk rock porque gostamos do estilo e pela diversão, porque é um ritmo que empolga e dá vontade de dançar; mas, principalmente, por ideologia e atitude, com a finalidade de provocar a reflexão e o debate no público, principalmente nos mais jovens, sobre as contradições da política social e cultural existente em nossa sociedade. O nosso estilo, porém, não tem um grande público, não gera boas rendas, não se ganha dinheiro com isso. Fazer punk rock, então, é resistir à cultura massificada instituída pelas mídias. O punk rock tem para nós, portanto, um caráter educativo, pois tentamos levar os fãs a refletirem sobre suas vidas. Podemos dizer, então, que nosso estilo é de um trabalho que serve à educação política do público e da própria banda. Quanto ao trabalho para ganhar a vida, o Augusto Jas é protético (faz próteses dentárias), o Gerson é motorista, mas atualmente trabalha como músico profissional (vocal, instrumentos e produção) e o Moriel é designer gráfico.


IN – Como é fazer punk rock no Pará? É verdade que vocês já tocaram até em...festa junina?

BL – Nas décadas de ‘80 e ’90, com a efervescência do rock’n roll no Brasil e, assim, também no Pará, havia um grande público dos vários estilos de “rock(s)” e do punk rock. Esse público envelheceu, diminuiu, mas vem se renovando sempre; daí que temos fãs de várias faixas etárias e classes sociais, desde moradores de rua até “doutores” que se identificam com as temáticas e letras de nossas músicas. A Baby Loyds objetiva divulgar o punk rock e, por isso, toca sim em qualquer lugar onde queiram nos ouvir: em bares, praças, teatros e ginásios, praias, universidades...ou em vilazinhas do interior do Pará, junto das quadrilhas, do Boi-Bumbá, com outros grupos de estilos musicais ou de artes diferentes, como grupos teatrais, de poesia, de circo, de graffiti...ou mesmo de esportes, como o skate. A Baby Loyds já tocou inclusive em inaugurações de várias pistas de skate, tanto em Belém quanto no interior do Pará – onde também temos fãs.


IN – Como está a situação do punk rock (músicos, espaços, público) na Metrópole da Amazônia?

BL – Em Belém são poucas as bandas de punk rock que conseguiram resistir à diminuição dos espaços públicos de apresentação para o rock’n roll, em geral. Delinqüentes, Nó Cego, Resistência Suburbana ou a própria Baby Loyds estão entre elas, mas estão surgindo novas bandas a partir da influência desses resistentes. Os espaços de apresentação já não são oferecidos para nós, mas sim ocupados, ou até mesmo criados por nós, quando produzimos as programações articulando parcerias ou locando os espaços.


IN – A Baby Loyds trata da temática social e política de modo bem direto, como nas músicas “Qual o Futuro das Crianças do Brasil?”, “Vida de Operário” ou “Greve Geral”. Vocês consideram que fazer denúncias e críticas é quase como uma função do punk rock?

BL – Existem bandas de punk rock que não tratam dessas questões, bandas que tendem apenas ao deboche. Tratar dessas questões, porém, é uma característica da Baby Loyds. O punk rock não precisa ter só letras de protesto, obrigatoriamente, mas a Baby Loyds assume uma posição de fazer esse protesto e acreditamos que nossos fãs foram conquistados por essa peculiaridade.


IN – O que vocês acham do “rock comercial” que costumam despejar na programação ordinária da grande mídia?

BL - (Gerson) – Uma m...a [risos]! – Os produtores, os selos, as grandes gravadoras e os realizadores de eventos (como festivais) não estão preocupados com o conteúdo da música, mas com o lucro; portanto, é comum a massificação nesses eventos e nos meios de comunicação. Neles, ganham espaço grupos de pop rock, indie rock, HC melódico (emocore...), que trazem em suas letras romances bem ou mal sucedidos, vários sentimentos e nenhuma crítica social, deixando os jovens alienados e sem condições de fazer um debate político e, portanto, não contribuem para que a juventude tenha uma atitude crítica diante do sistema econômico e político em que estamos vivendo. São músicas que não contribuem nem para uma formação cultural com temáticas diversificadas. Acreditamos ainda que esse tipo de música seja do interesse e, portanto, uma exigência dos empresários da música, voltados para o massificado público brasileiro, formado por uma educação medíocre. É por isso que nossas letras também são simples e diretas: fazemos o papel inverso.


IN – A internet criou novas possibilidades de informação, divulgação e contatos culturais e artísticos – até mesmo possibilidades não comerciais. Na internet, até que é possível um “faça você mesmo” inconformista e anticonsumista. Vocês utilizam a internet para divulgar a banda?

BL – Sim. O que mais fazemos na internet é manter um relacionamento direto e constante com o público de punk rock e com os fãs da Baby Loyds. Nós que vivemos nos subúrbios sabemos como é a vida de nosso público, nosso cotidiano é o mesmo, vivemos os problemas sociais que mostramos em nossas letras. A internet serve para conversarmos com os fãs, conhecermos novas bandas e fazer a divulgação do nosso trabalho.


IN – Falem um pouco do passado recente, do presente e do futuro da banda – projetos, planos, idéias...

BL – A Baby Loyds se manteve em atividade desde sua formação e só parou um pouco em 2006, voltando a atuar em 2008 e, desde então tem feito uma média de mais de uma apresentação por mês (!), além de tocar em alguns programas de rádios e também de uma TV local. Agora, estamos compondo para um novo CD, que pretendemos lançar em 2010, e estamos articulando novos shows no Pará e em outros estados.


IN – Quem quiser, enfim, falar com a banda...

BL – Todos podem conhecer e até conversar com a Baby Loyds pela internet, tanto por nosso e-mail – babyloydspunkrock@yahoo.com.br – quanto nestes sites:

http://myspace.com/babyloyds

http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=9846

http://www.fotolog.com.br/babyloyds

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1355741


Khayth Nagata e Rui C. Mayer