O Rosto da pobreza na América Latina

O rosto da pobreza infantil na América Latina desenha-se com maior nitidez nas populações indígenas e nas zonas rurais, nas quais ao redor de 80% dos menores de idade vivem nestas condições, indicou o diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) na América Latina e no Caribe, Bernt Aasen, no dia 9/11, no Panamá.

Aasen declarou durante entrevista exclusiva com a Xinhua que para conhecer a realidade da infância na América Latina não são suficientes os indicadores nacionais publicados anualmente pelos organismos oficiais, mas que é necessário conhecer a realidade das populações minoritárias.

“Os níveis de pobreza entre os indígenas são mais altos que na população em general”, denunciou comparando as médias nacionais de 44% de pobreza e 19% de pobreza extrema existentes na região.

Segundo o alto representante de UNICEF, a pobreza sobre estes grupos étnicos os deixa vulneráveis e tem uma incidência direta na saúde, na educação e no bem-estar social das crianças.

“As populações indígenas têm um problema grave de acesso a serviços de previdência, por isso vemos em vários países que a mortalidade infantil nestes grupos é três vezes mais alta que na população geral”, anotou.

No aspecto educativo, este organismo internacional também registrou que os níveis de escolaridade primária enfrentam sérias dificuldades devido à falta de programas de educação bilíngue e à deserção escolar.

“Há muitas dificuldades entre os meninos e meninas indígenas para terminar a educação primária, sobretudo porque o ensino é em espanhol e não em seu idioma materno”, sustentou.

Aasen pediu aos governos que façam um esforço para promover a educação intercultural e bilíngue, para que os indígenas possam aprender a ler e escrever em seu próprio idioma, em uma escola sensível com respeito às suas culturas particulares.

A única forma de escapar ao flagelo da pobreza que sofrem as crianças latino-americanas é ter acesso à educação, e a UNICEF propõe enfatizar este setor como uma saída para melhorar as condições de vida na região.

“Em todos os países da América Latina, uma grande parte da população vive na pobreza em zonas rurais com poucas infra-estruturas, e não está incorporada nas economias nacionais”, disse.

Para o representante de UNICEF, nestas áreas marginalizadas, a infância em geral encontra-se em uma situação precária, devido ao precário desenvolvimento sócio-econômico existente, e ao fato de que as crianças devem trabalhar junto com seus pais para sobreviver.

 

Os países que preocupam mais, segundo a UNICEF

 

“O país mais pobre da América Latina é o Haiti, porque é o menos desenvolvido, depois os países que mais nos preocupam são Guatemala, Honduras, Nicarágua, e Panamá”, declarou.

Com respeito ao Panamá, Aasen declarou que 80% da população indígena deste país vive em condições de pobreza, e quanto às cifras nacionais, que inclui as áreas urbanas marginais, 50% das crianças são vítimas deste flagelo.

“Panamá é um país com umas brechas muito grandes entre as zonas urbanas e as zonas rurais, porque o desenvolvimento é notório nas primeiras, mas nas segundas ainda há lagoas de pobreza”, detalhou.

Afirmou que, apesar desta situação nas áreas não urbanas, durante os últimos 20 anos houve um desenvolvimento sócio-econômico na América Latina, mas que estes avanços ainda continuam sendo limitados, devido à disparidade na distribuição da riqueza.

Afirmou que no caso de México lhe preocupa o impacto social que tem a crise financeira dos Estados Unidos sobre essa nação, porque ambas as economias estão vinculadas diretamente.

 

Juan Limachi
Xinhua  -Agência de Notícias Nova China