Planeta Reggae, cultura de raiz na Zona Norte

A atriz Susana Savedra bateu um papo com Jr. China, da banda Cover Bob Marley e também idealizador e organizador do Planeta Reggae que acontece às quintas-feiras na rua Olegário Mariano, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Ele nos explicou que não é tão difícil ser verdadeiro quando se acredita na sua luta. A luta dos oprimidos, a luta da plebe, a luta de Jah...

Planeta Reggae, cultura de raiz na Zona Norte

 

A atriz Susana Savedra bateu um papo com Jr. China, da banda Cover Bob Marley e também idealizador e organizador do Planeta Reggae que acontece às quintas-feiras na rua Olegário Mariano, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Ele nos explicou que não é tão difícil ser verdadeiro quando se acredita na sua luta. A luta dos oprimidos, a luta da plebe, a luta de Jah...


IN - Quem é o idealizador do Planeta Reggae e consequentemente organiza os eventos da casa?

PR - O idealizador do projeto sou eu e meu sogro Jorge Farah. Foi muito engraçado como tudo começou. Nossas festas sempre terminavam com muito reggae daí um dia ele falou: China, o reggae está tão bom que podemos nos profissionalizar. Eu falei: então vamos fazer! E organizei todo o evento. Eu já tinha algum conhecimento em relação à produção de eventos, mas não tinha muito. Usei o que eu observava dos produtores com quem trabalhei!


IN - Vocês pretendem levar alguma discussão com essa proposta de um reggae mais raiz aqui no RJ?

PR - Sim, queremos ser o porta voz da verdadeira música reggae, a música de conteúdo, a música que não é moldada e não persegue o estrelato! A música de Jah rastafari!


IN - Fale sobre a cultura do Reggae em Niterói e se é possível trazê-lo com a mesma verdade aqui para a zona norte.

PR - A cultura reggae de Niterói é muito legal, o movimento reggae de nickit (termo usado para se referir à cidade) teve início no começo dos anos 90 com a banda “Os Mendigos”. Até então a única banda que tocava reggae em Niterói! Em 96, veio o “Bagabalô”, “Punho forte”, “Canamaré” (na época Canakaiana”), “Onda -r” (na época Alma Reggae), “Seda Fina”, “Rio Reggae Banda”, “Paulinho Ganaê”. Foram essas bandas que fizeram o movimento reggae de nickit ser reconhecido nos 4 cantos do Brasil. Dá para trazer essa vibração para a Zona Norte sim! Hoje em dia se tem internet para pesquisa, ferramenta que não tínhamos naquela época. A partir de 2000, a zona norte virou uns dos redutos do reggae aqui no Rio. Bandas como: “Ponto de Equilíbrio”, “Groovelementar”, “Noção Rasta”, facilita um pouco, não é? Nós de Niterói ficamos de bobeira... É muito fácil tocar reggae hoje em dia, tem várias bandas que copiam outros artistas só pesquisando na internet.


IN - Você acredita que exista rastafarianismo aqui no Brasil, ou essa cultura se dá somente através da música, dos slogans e da vida na praia?

PR - Muitos rastas não gostam da palavra rastafarianismo. Somos “rastas”! Esse assunto é muito sério. Há pessoas que usam o nome rastafari em vão. É muito errado, pois ele tudo vê! Rastafari não é aquele que não bebe, não é aquele que não come carne... rasta é aquele que vive sua verdade e acredita em “Jah Rastafari” como a reencarnação do filho deus na terra. Ou como Jesus Cristo. A maioria teima em se deixar enganar! A Igreja Católica foi usada para colonizar os povos pretos e os índios. Lembrem-se! Se você vive a sua verdade, você é verdadeiro. Quanto a quem usa o nome de “Jah” em vão eu tenho pena. Brancos, loiros, tentando encrespar e endurecer o cabelo, fazendo dreadlook. Isso é slogan e vida na praia. Como eles podem sentir as chibatadas?


IN - O que você indicaria ouvir para quem deseja conhecer melhor a cultura rastafari?

PR - Eu só ouço reggae roots, e por isso fica difícil... mas vou citar algumas: Midnite, Dezarie, Sizzla, Rude Style... procurei citar algo mais atual!


IN - Eu sei que existe uma ponte das letras com o Brasil, pois a Jamaica apesar de ser uma ilha, sempre demonstrou ter problemas sociais muito parecidos com os do Brasil. Acredita que é também uma herança de povos sofridos como Bob Marley dizia sobre a África? Afinal, os dois países possuem essa descendência?

PR - Sim, é verdade. São dois povos muito sofridos! A Jamaica e o Brasil têm muito a ver. A colonização de exploração (Brasil/Portugal e Jamaica/Inglaterra), políticos inescrupulosos, tráfico de drogas, mão-de-obra barata, mas isso não é uma herança do povo africano. É uma herança do homem branco colonizador que escravizou e depois libertou os pretos. E até hoje não dão oportunidade aos nossos irmãos de terem uma vida digna.


IN - O que você acha da mulher na cultura rastafari? Acha que seu papel é secundário?

PR - A mulher na cultura rastafari será bem vinda, mas eu não conheço muitas “rastas” aqui no Rio de Janeiro. Sei de algumas que se dizem rasta por não comer carne, não beber, mas já falei sobre isso: rastafari é quem acredita no altíssimo ou “rei dos reis” ou “leão conquistador da tribo de Judah” ou “Haile selassie-i” ou “Rastafari”, nome que recebeu após sua coroação como imperador da Etiópia. Em São Paulo há mais mulheres conscientes na mensagem rastafari! O papel da mulher não é secundário, ela se coloca dessa forma não se entregando por inteiro... talvez pelo sistema preconceituoso!


IN - Por que as pessoas acreditam que o reggae está nitidamente associado às drogas? Gostaria que falasse da cannabis dentro da religião rasta, do seu lado sagrado em contrapartida com o ilusório.

PR - O reggae ainda é associado a drogas porque para entrar em sintonia com jah e meditar alguns rastas usam de forma moderada a “ganja”, outros rastas não fumam, pois não é preciso fumar para ser “rasta”. Em contra partida algumas pessoas se acostumaram a fumar “ganja” para curtir e tocar em shows.


IN - O reggae dá a impressão de agregar as pessoas. Como isso se dá no Planeta Reggae?

PR - O reggae agrega sim, aqui no Planeta Reggae é legal ver pessoas da zona norte e da zona sul, oeste, subúrbio, pretos, brancos, pobres e até de outras cidades como (Niterói, Juiz de Fora, São Gonçalo, São Paulo) numa mesma vibe de curtir uma casa de show onde só rola reggae music do começo ao fim. Nós não produzimos outro estilo musical que não seja reggae ou ligado ao reggae como: ragga, dance hall, ska. São quase 3 anos de reggae ininterruptos, vamos comemorar nosso aniversário em outubro com o show da “Bob Marley cover”.


IN - Deixe uma mensagem para os irmãos e irmãs.

PR - Vivam sua verdade não se preocupem com os outros! Frente a frente com jah não se pode negar... aguarde!!! Um só amor, um só destino, junto com jah nunca estarei sozinho! Máximo respeito! Jah vive.

 

 

Susana Savedra

reggalyze
reggalyze disse:
15/01/2013 16h20

muito bom galera parabéns pala força mesmo tando de longe temos a mesma positividade sobre o reggae sobre o que o reggae pode fazer na vida no dia a dia das pessoas, um dia chego por ai e curtirei a vaibe de vocês moro em Natal vivo do reggae tento mudar a cena do reggae em minha cidade e foi muito bom para mim ler sua história que me dau mais forças para lutar, muito grato valeu luz de jah para todos vocês.

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