50 anos de Prensa Latina

50 anos de Prensa Latina: 50 anos de fortes laços com o a imprensa brasileira!

A Agência informativa Latino Americana – Prensa Latina – completou 50 anos de existência, marcando uma trajetória vitoriosa diante de sua missão fundamental de noticiar a verdade vivida pelos povos da América Latina e do Mundo. Nós, trabalhadores da imprensa revolucionária brasileira – Jornal Inverta – não poderíamos deixar de manifestar todo nosso  apreço e admiração pela sua exitosa e exemplar trajetória, bem como reconhecer que o segredo para o sucesso é a solidez de princípios, a formação profissional e a dedicação revolucionária do seu corpo de trabalhadores, fazendo desta data em que completa 50 anos, um marco histórico na imprensa latino-americana. Nestes dias a bandeira de Cuba deve estar flamejante, a pátria de Martí, Fidel, Raúl em júbilo, e a revolução cubana continua a luta tenaz por seu povo e todo os povos oprimidos no mundo, contra o inimigo mais poderoso e cruel já existente na humanidade: os EUA.

A Prensa Latina surgiu como uma grande iniciativa da Revolução Latino Americana, 6 meses após seu triunfo em Cuba, em 1° de Janeiro de 1959, sob o comando de Fidel Castro, Raúl Castro, Che Guevara e Camilo Cienfuegos. A revolução cubana escreve uma nova página na história da luta de libertação dos povos de Nossa América e parte desta história escrita, fotografada e audiovisualizada  se deve, precisamente, à criação da Prensa Latina em 16 de Junho de 1959. Ela surge com a missão histórica de noticiar a verdade sobre a revolução cubana e a luta dos povos de Nossa América, diante do bloqueio dos monopólios de comunicação que distorcem a verdade, num momento dramático da revolução cubana.

Como escreveu o jornalista Juan Marrero, em artigo recente para o Granma Internacional, relembrando este momento dramático, os pretextos foram“os julgamentos e condenações dos tribunais revolucionários dos mais notórios criminosos de guerra da ditadura de Batista (...) De Washington, saíram as primeiras vozes de condenação... Wayne Hays, deputado democrata, disse: "Vou perguntar ao Departamento de Estado o que vai fazer para acalmar Fidel Castro antes que Cuba se despovoe..." e em seguida propunha algumas medidas, entre as quais, a de bloquear os créditos a Cuba e suspender as importações de açúcar. Stanley Bridges, deputado republicano, declarou: "As notícias de Havana são pouco tranquilizadoras". Homer E. Capehart, senador por Indiana, era muito mais áspero em suas declarações: "A onda de mortes pelos rebeldes enlouquecidos pela vingança provoca náuseas aos cidadãos decentes.”1
 
Mas a Revolução Cubana não ficaria calada diante das mentiras da imprensa capitalista e o comandante Fidel denunciou: "Defender-nos-emos da calúnia... não temos nada que ocultar... Vamos chamar a imprensa internacional para que saiba a verdade... Três dias depois, o Movimento 26 de Julho, com um grupo de honestos e prestigiosos jornalistas, começou a despachar convites para realizar em Havana a Operação Verdade. Em menos de 48 horas, organizou-se tudo. As embaixadas de Cuba e a linha aérea Cubana de Aviação fizeram o possível para que quase 400 jornalistas do continente aceitassem vir a Havana. (…)

A Operação Verdade teve dois momentos-chave: uma concentração popular em 21 de janeiro na Avenida de las Misiones, em frente do antigo Palácio Presidencial, composta por um milhão de pessoas, e no dia seguinte, Fidel manteve um longo encontro com os jornalistas estrangeiros e cubanos no salão Copa Room do hotel Havana Riviera (... ) Fidel assinalou: "Eu lhes digo que a imprensa da América Latina deveria estar na posse dos meios de difusão que lhe permitam saber a verdade e não ser vítimas da mentira", e como resultado concreto da Operação Verdade, poucos meses depois, nasceu em Havana a Agência Informativa Latino-Americana - Prensa Latina.”2

E por quê fazemos questão de relembrar estes fatos? Por que nós, brasileiros, desde o primeiro momento do nascimento da Prensa Latina nos fizemos presentes através de Aroldo Wall (O Cangaceiro), que junto com Jorge Masetti, Gabriel Molina, Juan Marrero, entre outros, formariam seus primeiros quadros profissionais.* Jorge Ricardo Masetti. que um ano antes entrevistara o comandante Fidel Castro, em Sierra Maestra, publicando-a sob o título “Los que luchan y los que lloran” foi o primeiro Diretor Geral da Prensa Latina, permanecendo a sua frente até março de 1961, quando vai para a Argélia e estabelece contato a Frente de Libertação Nacional (FLN). Volta à direção da Agência durante a batalha de Praia Girón e logo após retorna a Argentina para organizar uma frente guerrilheira na província argentina de Salta, limítrofe com a Bolívia, cujo objetivo era criar as condições para que o comandante Ernesto Che Guevara assumisse pessoalmente a direção da luta que seria levada aos vários países sul-americanos. Na preparação do Exército Guerrilheiro do Povo (EGP) encarou difíceis tarefas militares  e políticas. Seu nome de guerra era Comandante Segundo, em homenagem ao personagem que protagoniza a romance “Don Segundo Sombra”, do escritor Ricardo Güiraldes (1886-1927). Sua queda em combate foi em 21 de abril de 1964, de acordo com testemunhos obtidos.

No Brasil, a representação oficial da Prensa Latina aconteceu em 29 de Julho de 2004, isto é, 45 anos após seu surgimento, através do acordo com a INVERTA – Cooperativa, que  fixou os termos da cooperação editorial e da representação comercial entre estas organizações. No entanto, cabe ressaltar que durante seus 50 anos de existência a Prensa Latina manteve forte presença no Brasil, destacando-se nos últimos 5 anos. O Ato de lançamento da sua representação  foi na ABI - Associação Brasileira de Imprensa, e contou com a participação de cerca de 500 pessoas, dentre as quais o Cônsul Geral de Cuba em São Paulo, o embaixador Carlos Trejo; o presidente da ABI, o jornalista Maurício Azedo; o ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, o jurista Nilo Batista; e os responsáveis pela assinatura do Acordo Inverta-Prensa Latina, o então correspondente da Agência no Brasil, Abel Sardiña e editor do Jornal Inverta, Aluisio Bevilaqua.

Este evento recebeu a cobertura de vários meios de comunicação no país e conseguiu superar as dificuldades que impediram o progresso dos primeiros esforços para a edificação da Prensa Latina no Brasil, há cerca de 11 anos, com a visita do editor do Jornal Inverta à Havana e o primeiro acordo fixado com o então Diretor Geral da Agência, Pedro Magoy e seu sub-diretor, Francisco Du Santos, que culminou no lançamento da Revista Prisma, cujo destaque era sua mensagem “Una Mirada sobre el Brasil”, na Universidade Federal da Bahia, no dia 14 de Julho de 1993, véspera da chegada do Comandante Fidel Castro à III Cúpula Ibero-Americana.

A primeira tentativa de abertura oficial da representação da Prensa Latina no Brasil, com o lançamento da Revista Prisma na UFBA, em Salvador, foi parte da agenda formal de Cuba na III Cúpula Íbero-Americana. Ao evento compareceram centenas de pessoas, envolvendo todas as entidades de solidariedade a Cuba, intelectuais destacados, artistas, representação oficial do governo municipal, entre estes o então ministro das Relações Exteriores de Cuba, Roberto Robaína, o embaixador Jorge Bolaños, o sub-diretor do Granma Roberto Robreño e o sub-diretor da Prensa Latina, José dos Santos; o atualmente embaixador de Cuba na Venezuela, Gernám Sanchez, o então conselheiro político da Embaixada de Cuba no Brasil, Jorge Ferreira; a representante do ICAP – Instituto Cubano de Amizade entre os Povos, Sara Smith; além destes, figuras do mundo político e cultural de expressão nacional, como Frei Betto, o compositor Capinam, o editor do Jornal Inverta, Aluisio Bevilaqua, o vice-reitor da UFBA, entre outros.

É importante relembrar estes fatos, considerando que o Brasil durante cerca de 30 anos viveu sob a Ditadura Militar-Civil (1964-1993), este esforço para instalar oficialmente um escritório de representação da Prensa Latina no país é mais uma página que envolveu a habilidade, consciência e obstinação dos seus correspondentes no Brasil, em especial, Ramón Martinez, Abel Sardiña e Rolando de La Rivera, a quem prestamos nossas homenagens; e bem o saudoso revolucionário brasileiro-cubano Hélio Dutra, ao brasileiríssimo “Cangaceiro”, Aroldo Wall e que somados aos trabalhadores da Inverta Cooperativa, se tornaram a força que foi capaz de superar todos os obstáculos e sabotagem a esta grande iniciativa. Portando, relembrar os primeiros esforços em quebrar a barreira geográfica, econômica, política e linguística, justamente quando os EUA, através da Lei Torricelli, recrudesciam o bloqueio a Cuba e devido à herança da ditadura no Brasil acobertava a ação contra-revolucionária, mais que um ato de solidariedade, foi um ato revolucionário que contribui com uma pequena expressão nesta nova grande página na história de  nossa América que escreve a Revolução Cubana.

A palavra de ordem “a batalha das ideias” lançada pelo comandante Fidel Castro, para definir o terreno principal em que se desenvolveria a luta revolucionária nos anos 90, tendo em vista o avanço da contra-revolução neoliberal do imperialismo, não poderia encontrar expressão mais concreta em nossa realidade que neste processo. A ela acrescentaríamos, com toda humildade, dada nossa experiência, a batalha pela logística para dar suporte a este nível de combate, que na prática torna-se também fundamental. Esta foi a lição que se extraiu  da primeira tentativa de acordo entre Inverta e Prensa Latina, razão pela qual não resistiu à ação contra-revolucionária mais que dois anos, a força econômica dos monopólios de comunicação em um país capitalista, que exerce um tipo de subimperialismo na América Latina, Ásia e África, não pode ser subestimada.

Mas, o que é fundamental de toda esta experiência inicial é que o processo não morreu diante destas primeiras dificuldades, como os fortes laços de solidariedade entre o povo brasileiro e o povo cubano não morreram durante os 30 anos de ditadura militar-civil no país e sua ruptura diplomática e comercial com a Ilha, e neste caso a Prensa Latina teve papel destacado em manter estes laços durante seus 50 anos de história, nos últimos 5 anos se tornou visível este seu papel com a sua presença  oficial no Brasil e com a capacidade de executar com mais força a sua missão de informar a verdade sobre nossa América. A recente visita do atual Diretor Geral da Agência, Frank González Garcia, o acordo de representação comercial com a Inverta Cooperativa e colaboração editorial com o Jornal Inverta, traduziu-se no sucesso da sua página em língua português na internet, propiciando o acesso a informações ao Brasil, Angola, Moçambique, Macau e demais países que falam este idioma.

A Prensa Latina, durante estes 50 anos de vida, não somente conseguiu superar os obstáculos políticos para cumprir sua missão jornalistica revolucionária cuja a pedagogia mescla a originalidade e genialidade de José Martí, com os princípios da comunicação revolucionária marxista e pragmatismo técnico, como foi capaz de diversificar a quantidade e qualidade dos serviços prestados hoje a uma vasta rede de meios de comunicação na América Latina, África, Ásia, e Europa. Os mais de 240 correspondentes em todo o mundo, e seus milhares de colaboradores, garantem uma cobertura em tempo real do que se passa no mundo, na política, na economia, no esporte, no turismo, na saúde, na educação, na cultura e etc. Sua produção midiática atinge todos os campos de produtos impressos, como a revista Prisma, Cuba Internacional, Vietnã, Avanços Médicos, boletins setorizados e gerais, a edição digital e produtos audiovisuais, que fornecem conteúdo a publicações impressas, programas de rádio, televisão e mídia digital. Sua capacidade de transmissão de dados e informações acompanhou o ritmo da revolução informacional e hoje é dotada da mais alta tecnologia da informação capaz de competir de igual para igual com os grandes monopólios internacionais de comunicação.

Contudo, mesmo diante de todas estas conquistas, em especial os 5 anos de presença oficial através de seu escritório de representação comercial no Brasil nunca é demais ter em conta a definição da Prensa Latina que nos legou seu primeiro diretor e fundador, o Jornalista e  Revolucionário, Jorge Ricardo Masetti:

“La idea de crear una agencia latinoamericana no es por cierto original. Como no lo es tampoco, la idea de liberar a los pueblos latinoamericanos del imperialismo que los oprime. Nosotros, que sufrimos el monopolio de las noticias, de la información, o el de la no información, el ocultamiento y la distorsión, sentimos también la necesidad de crear una agencia noticiosa.

(…) Surgimos al surgir la revolución cubana. Y el imperialismo nos puso todas sus trabas, se recurrió a todos los medios para perseguir a nuestros corresponsales y para que nuestros equipos no traspasasen las aduanas. En cada país hay un cipayo dispuesto a servirles y a entorpecer nuestra labor. (…) Se nos acusa de ser una agencia de agitadores. (…) Ahora ya nadie podrá ocultar la verdad de nuestra lucha.

Nosotros somos objetivos pero no imparciales. Consideramos que es una cobardía ser imparcial, porque no se puede ser imparcial entre el bien y el mal.”

A “Prensa Latina” las agencias yanquis le habían dado un mes de vida. Ellos no concebían esto. No concebían una agencia echa al servicio de la verdad y no de los monopolios imperialistas.

Nacimos en Cuba, porque en Cuba nació la revolución de Latinoamérica, y nosotros tenemos la misión de hacer la revolución en el periodismo de Latinoamérica.3

Para concluir esta pequena recapitulação da história da Prensa Latina no Brasil resta expressar nosso profundo respeito e admiração pela sua trajetória histórica, saudar seu novo corresponde no Brasil, Alejandro Gomez e ao seu atual Diretor Geral Frank González Garcia, sem esquecer a todos que diretamente colaboram para seu êxito, especialmente aos revolucionários, idealistas e dedicados trabalhadores da Inverta Cooperativa e conclamar a todos os meios de comunicação, cujo princípio seja noticiar a verdade a se somarem a esta iniciativa exitosa e histórica em nosso país, adquirindo os serviços e produtos do jornalismo revolucionário da Prensa Latina. 50 anos de Prensa Latina, que viva 50 anos mais, e continue a escrever esta  nova página da história de nossa América!

Rio de Janeiro, 20 de Junho de 2009   

Aluisio Pampolha Bevilaqua

Membro do Conselho Editorial do Jornal Inverta