PIB cai 0,8% e país entra em recessão

Os trabalhadores serão os maiores prejudicados pela diminuição da economia, medida em 0,8% pelo IBGE no 1º trimestre de 2009 e divulgada como conquista pelo governo Lula, por ser relativamente baixa diante do estouro da crise capitalista mundial. Entre novembro e janeiro, o saldo de postos eliminados no país foi de 797.515.

PIB cai 0,8% e país entra em recessão


Os trabalhadores serão os maiores prejudicados pela diminuição da economia, medida em 0,8% pelo IBGE no 1º trimestre de 2009 e divulgada como conquista pelo governo Lula, por ser relativamente baixa diante do estouro da crise capitalista mundial. Entre novembro e janeiro, o saldo de postos eliminados no país foi de 797.515.

A economia do país diminuiu pelo segundo trimestre consecutivo, configurando tecnicamente recessão, e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reviu sua expectativa de queda do PIB brasileiro no ano de 2009, de 0,3% para 0,8%. Apesar disso, a política econômica do governo não realizou uma viragem. O superávit primário segue sendo sobrevalorizado, os juros nominais, apesar de terem alcançado a marca histórica de apenas um dígito, seguem podendo cair menos que a inflação (com alta, portanto, dos juros reais), o arrocho salarial continua e o incentivo ao mercado de capitais também.

O PIB pode ser visto de duas maneiras, contendo uma série de erros e omissões metodológicos estruturais em ambas: como soma da produção nos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços) ou como soma dos agregados macroeconômicos (consumo das famílias, consumo do governo, investimento em capital fixo e balança comercial – exportações menos importações). A queda de 0,8% desconsidera as variações comuns em cada época do ano (ajuste sazonal). Sem o ajuste, teria sido de 1,8%.

Segundo os dados com ajuste sazonal do IBGE, o investimento foi o agregado mais afetado (-12,6%), o que se reflete no fato de que a indústria tenha sido, de longe, o setor mais afetado, em especial a de transformação (-12,6%) e a construção civil (-9,8%) - segundo os dados sem ajuste, pois o ajuste não foi divulgado por subsetor. Os serviços caíram 6%, com destaque especial para o comércio (-5,6%). Apesar da queda nas importações (-16,8%), a Balança Comercial também sofreu, devido à enorme queda das exportações (-16%).

Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), “as medidas de reativação da demanda doméstica, por meio de ações fiscais, tributárias e creditícias no Brasil, contribuíram para reduzir o impacto da demanda, como atesta a menor taxa de queda na comparação com o quarto trimestre do ano passado”. No entanto, em preços de mercado sem ajuste sazonal – índice que reflete melhor o impacto imediato na economia, apesar de refletir pior seu desenvolvimento em longo prazo – a queda da indústria (-9,3%) foi maior que no 4º trimestre de 2008 (-2,1%). Com ajuste sazonal, a queda foi de 3,1% neste trimestre, contra 8,2% no trimestre anterior.

A CNI destaca ainda que “se não fosse o crescimento de 0,7% do consumo das famílias e os maiores gastos do governo, no mesmo período, o PIB cairia a taxas ainda mais elevadas”. A respeito, cabe ressaltar que o crescimento no consumo foi em grande medida sustentado pelo crédito, podendo configurar-se como crescimento fictício, sem base na economia real, numa bolha que pode vir a estourar, mais dia menos dia.

Os gastos do governo, por outro lado, de fato aumentaram 0,6% em relação ao trimestre anterior, o que tem de fato um efeito multiplicador sobre a renda e o consumo e foi propalado aos quatro ventos como a “política anticíclica do governo Lula”, uma vez que a arrecadação de impostos líquidos sobre produtos caiu 3,3% e, ainda assim, a União ampliou os gastos correntes de seu Orçamento em cerca de R$ 9,15 bilhões, dentre os quais R$ 6 bilhões serão empenhados no programa “Minha Casa, Minha Vida”, o Plano Nacional de Habitação ligado ao PAC com verbas principalmente do FGTS, que, mesmo longe de resolver o problema da habitação no país, realizará um investimento significativo – com claras pretensões eleitorais sobre a candidatura de Dilma.

Se esquecem de contar, entretanto, que a tal política não é assim tão anticíclica, uma vez que o crescimento de tais gastos foi progressivamente reduzido desde o 1º semestre de 2008, indo de 4,2% para os atuais 0,6%. Apenas R$ 350 milhões provenientes do FAT, por exemplo, se converterão em ampliação do seguro-desemprego de 5 para 7 parcelas, beneficiando cerca de 143 mil trabalhadores na 2ª etapa, a maioria no estado de São Paulo, cuja economia formal foi a mais afetada pela crise. A verdadeira superação da crise do capitalismo e o fim da exploração dos povos do mundo só poderão vir, no entanto, com a superação do próprio sistema capitalista.

 

Tina Gomes