Falta comida: crise e clima afetam safra agrícola

Os efeitos da crise se fazem sentir na agricultura brasileira. Somados à ocorrência de secas e enchentes em muitos estados, a safra agrícola caiu no primeiro trimestre de 2009 e, segundo o IBGE, deverá ser 7,5% menor em 2009 que em 2008, diminuindo pela primeira vez desde que os dados começaram a ser medidos. Os maiores prejudicados serão os pequenos agricultores, que não têm como cobrir seus prejuízos ou arcar com a alta dos preços dos insumos, e o povo brasileiro que fica sem ter o que comer na mesa.

Falta comida: crise e clima afetam safra agrícola

 

Os efeitos da crise se fazem sentir na agricultura brasileira. Somados à ocorrência de secas e enchentes em muitos estados, a safra agrícola caiu no 1° trimestre de 2009 e, segundo o IBGE, deverá ser 7,5% menor em 2009 que em 2008, diminuindo pela primeira vez desde que os dados começaram a ser medidos. Os maiores prejudicados serão os pequenos agricultores, que não têm como cobrir seus prejuízos ou arcar com a alta dos preços dos insumos, e o povo brasileiro, que fica sem ter o que comer na mesa.

 

Se as áreas mais afetadas são aquelas de cultivo latifundiário para a exportação, isso se dá apenas por que o agronegócio literalmente expulsou as culturas de subsistência do solo brasileiro. Como denunciou o Jornal INVERTA em sua edição 426, em julho de 2008, 82,4% da produção brasileira era soja e milho, enquanto apenas 10,7% eram arroz e feijão. Só na Bahia, por exemplo, 58% da área cultivada é apenas soja. E o povo, que já sofria com a redução da área para plantio alimentar em função do agronegócio para exportação, fica literalmente sem comer com as perdas da agricultura doméstica e de subsistência.

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola publicado em maio pelo IBGE, o Mato Grosso ostenta o título de maior produtor nacional de grãos, baseado no latifúndio e no desmatamento do cerrado e da floresta amazônica, seguido de perto pelo Paraná.

No Paraná, por exemplo, a seca foi perversa e as perdas foram superiores a R$ 4 bilhões. Segundo dados da SEAB/PR, a redução da safra paranaense foi de 26,2 milhões de toneladas e atingiu principalmente a produtividade da soja, milho e feijão. Na Bahia, houve seca na época do plantio e chuvas demais na hora da colheita, afetando principalmente a soja e o algodão, cuja perda estimada para 2009 é de 20% e 10%, respectivamente, ou R$ 516,79 milhões. Espera-se queda de 11,9% na safra da região Sul, 5,4% no Centro-Oeste, 4,2% no Sudeste, 1,3% no Nordeste e alta apenas no Norte, de 1,5%.

No Amazonas, porém, registrou-se em junho a maior cheia da bacia hidrográfica dos rios Negro, Solimões e Amazonas desde 1953, podendo ainda superar essa marca. A situação é calamitosa não apenas em termos da safra do latifúndio ilegal que desmata a Amazônia para a exportação de soja e carne bovina, mas principalmente para a população local, que teve sua cultura de subsistência destruída e sofre com o alagamento de suas casas e com o aumento dos ataques por jacarés.

De acordo com o IBGE, em todo o Brasil a safra de a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas caiu, no ano, de 145,9 milhões de toneladas para 134,9 milhões de toneladas: uma redução de 7,5%. A área cultivada (47,2 milhões de hectares) caiu 22.392 ha em relação a 2008 e 46.778 ha em relação a abril de 2009. O milho sofreu a maior queda no plantio (-3,7%), uma vez que seu estoque chegou a 118,2% ao fim de 2008, devido à crise. O PIB do setor agropecuário caiu 0,5% neste trimestre com relação ao anterior, diminuindo pelo terceiro trimestre consecutivo, tendo caído 0,2% no 3º trimestre de 2008 e 1% no 4º de 2008. Pelos dados do Cepea/Esalq-USP, o agronegócio fechou o 1º trimestre de 2009 com queda de 0,53%, depois de crescer 7,89% em 2007 e 6,95% em 2008 – uma queda que certamente contribuiu para a redução de 16% nas exportações de bens e serviços em relação ao trimestre anterior.

Se o povo já não comia soja nem carne, no que depender dos capitalistas, ao que parece, logo também já não comerá nem arroz, nem feijão, nem mandioca.

 

Lauro de Souza Fontes