O Futuro do governo Lula com sua nova base aliada

Diante do novo horizonte político desenhado nas últimas eleições para prefeitos e vereadores, nas quais o governo tornou-se refém do PMDB, porque este partido ampliou suas cadeiras, em nível municipal em todo o país, enquanto observou-se um decréscimo em vários partidos, inclusive no próprio partido do presidente da república, o PT, que representava uma das grandes forças da base aliada da máquina governamental. Associado à Grande Crise Mundial, que se desencadeou no olho da serpente do imperialismo, os EUA, afetando os níveis da população empregada, desde dezembro do ano passado, além de causar cada vez mais a redução dos planos sociais governistas para a população pobre, ambos processos descritos em editoriais de INVERTA, criou a crise interna no interior da base aliada pelo sucessor do presidente Lula.

O Futuro do governo Lula com sua nova base aliada

 

Diante do novo horizonte político desenhado nas últimas eleições para prefeitos e vereadores, nas quais o governo tornou-se refém do PMDB, porque este partido ampliou suas cadeiras, em nível municipal em todo o país, enquanto observou-se um decréscimo em vários partidos, inclusive no próprio partido do presidente da república, o PT, que representava uma das grandes forças da base aliada da máquina governamental. Associado à Grande Crise Mundial, que se desencadeou no olho da serpente do imperialismo, os EUA, afetando os níveis da população empregada, desde dezembro do ano passado, além de causar cada vez mais a redução dos planos sociais governistas para a população pobre, ambos processos descritos em editoriais de INVERTA, criou a crise interna no interior da base aliada pelo sucessor do presidente Lula.

A questão que podemos apresentar é por que poderes municipais, inclusive de muitas cidades com menos de 5 mil habitantes, podem influenciar na conjuntura do país? A  resposta que podemos dar é que estas municipalidades representam a base concreta sob a qual se sustenta todo governo federal. Isso representa um imenso poder de pressão política em relação à federação, por exemplo, o governo já começou  há  modificar  o  processo   de  aplicação da Lei de Responsabilidade Fiscal, ampliando os prazos de pagamentos de dívidas dos municípios para com o governo federal ou abrindo novas linhas de créditos para cidades com grandes dívidas públicas.

Nenhum chamado grande partido, a não ser o PMDB, aliou-se às bases de sustentação do governo, a chamada base aliada, e os membros do PT abriram guerra política com este partido em relação ao processo de direção do poder legislativo federal, nas duas casas, a Câmara dos deputados federais e o Senado federal, com a derrota para a condução das duas direções, a fraqueza do poder político do partido do presidente da república, tornou-se claro e evidente até para o senso comum de um trabalhador mais atento. Os representantes do PT deixaram definitivamente os meios de comunicação de massas, sendo substituídos pelos representantes do, agora verdadeiro partido governista, o PMDB.

A complexidade desta situação não ocorre em definitivo com as disputas entre o PT e o PMDB, mas naquilo que, em essência, encobrem estas disputas que são as opções de classes em luta no país que cada uma destas agremiações políticas representam e as perspectivas que cada uma delas na direção do governo vão representar para o proletariado, urbano e rural, e para o povo pobre, em geral.

O governo Lula faz cada vez mais um caminho de afastamento da esquerda social-democrata e da fração da aristocracia operária, o extrato principal que compunha seu partido, para compor-se com um emaranhado de partidos, do qual o PMDB faz parte, próximos à oligarquia mais tradicional e reacionária e à oligarquia financeira imperialista, portanto, seu governo realiza cada vez mais o caminho de retirada de posições de centro-esquerda, para um mergulho profundo em posições de direita, as mais atrasadas possíveis.

Com isso o governo não consegue fazer propaganda do próprio como uma unidade de posições entre as quais Executivo, Legislativo e, até mesmo o Judiciário, definem uma política comum de ação. Tal fato não ocorre mais, e cada poder define suas prioridades, inclusive muitas vezes prejudicando o próprio Executivo.

Lula, não é mais unanimidade nacional, e, apesar de continuar sendo para as grandes massas o espelho que alcançou a maior magistratura do país, já é fortemente criticado, pela intelectualidade burguesa como único responsável pela crise econômica que enfrentam os trabalhadores, que se expressa pela alta da cesta básica, precarização cada vez maior dos serviços públicos de saúde, educação, conflitos de massas nos serviços concedidos de transportes, como os acontecidos nas barcas que fazem a travessia entre o Rio de Janeiro e Niterói, além do espancamento criminoso de usuários da Supervia, também no Rio de Janeiro, por seguranças da empresa com apoio cúmplice da Polícia Militar. A derrota de seu partido nos principais centros urbanos e o fortalecimento eleitoral do PMDB, apesar da derrota do PSDB e do DEMO (antigo PFL), não expressaram capacidade de força política para o PT e o seu governo, mas, ao contrário perda de substância e prestígio.

Ao mesmo tempo, a crise geral e estrutural do imperialismo, cria cada vez mais um número expressivo de desempregados, reafirmando “Lei Geral de Acumulação”, descrita por Marx, no livro I de “O Capital”. Com isso, pela primeira vez houve uma queda nos índices de popularidade da figura do presidente, o quadro se complica porque nenhuma das chamadas forças políticas de esquerda, presentes na base aliada do governo, ou que fazem parte das organizações ligadas ao PSOL e PSTU, conseguiram avanços significativos ou tiveram recuos negativos de grande monta.

Dilma Roussef, entra neste quadro, portanto, em posição desfavorável já que é o único quadro petista com condições de participar das eleições de 2010, porém precisa do apoio decisivo do presidente, para continuar a imagem do espelho descrita acima. A queda da popularidade do presidente ainda é pequena, porém, se representar uma tendência, nos próximos períodos, estará definitivamente explicada a falta do avanço da campanha de Dilma.

Restará, para as massas exploradas e o proletariado, em geral, o desenvolvimento das condições subjetivas que consiga por abaixo todo o Estado desenvolvido pelo modo de produção capitalista, em sua fase superior, o imperialismo, que agoniza numa crise de transição, onde suas relações sociais de produção tornaram-se entrave ao pleno desenvolvimento das forças produtivas, mas que só será destruído se a classe revolucionária pôr a termo sua tarefa histórica, como a descreveram Marx, Engels e Lênin.


Haroldo de Moura