Queda na economia será a pior desde a II Guerra

Apesar das inúmeras declarações por parte do governo brasileiro sobre o “fim da crise”, a crise mundial ainda tem garras compridas por revelar. A queda na economia mundial será a pior desde a Segunda Guerra Mundial, segundo as próprias estatísticas oficiais do aparato hegemônico do capitalismo monopolista, divulgadas no documento “Perspectivas para a economia mundial”, do FMI, no dia 22 de abril.

Queda na economia será a pior desde a II Guerra

 

Apesar das inúmeras declarações por parte do governo brasileiro sobre o “fim da crise”, a crise mundial ainda tem garras compridas por revelar. A queda na economia mundial será a pior desde a Segunda Guerra Mundial, segundo as próprias estatísticas oficiais do aparato hegemônico do capitalismo monopolista, divulgadas no documento “Perspectivas para a economia mundial”, do FMI, no dia 22 de abril.

Até agora, apenas a bolha de crédito do setor imobiliário dos EUA estourou, no 3º trimestre de 2007, revelando na economia real – ao redor do mundo, devido às características da globalização neoliberal –  sua essência de superprodução e fazendo com que os governos, em especial os do centro dinâmico do capitalismo mundial, passassem da tentativa de evitar o estouro da bolha imobiliária para uma fase de contenção de danos, buscando contrarrestar a evolução do processo para um redemoinho de recessão de dívida, no qual a crise vai se agravando em ondas na medida em que vão se cobrindo os rombos já existentes. A recessão de dívida configuraria um processo similar ao de 1929, podendo precipitar o estouro não apenas da pequena bolha de crédito que já estourou, mas da gigantesca bolha de crédito mundial, formada por bolhas em cada setor, em cada país. Atualmente, a soma de capital monetário e fictício em circulação no mundo (moeda, títulos e derivativos) é doze vezes maior que o PIB mundial, relação que tende a aumentar com a queda do PIB dos países. Vivemos em um enorme cassino, imprevisível, e sua precipitação é o pesadelo que causa pavor aos capitalistas do mundo todo.

Segundo a projeção do FMI para 2007-2010, apenas as perdas do setor financeiro dos EUA, União Europeia (UE) e Japão deverão totalizar pelo menos US$ 4,1 trilhões (respectivamente 2,7; 1,2 e 0,15 trilhões de dólares), dois terços dos quais no sistema monetário – os grandes monopólios bancários. Tais prejuízos, poàem, estão certamente subestimados. Os bancos estadunidenses, por exemplo, teriam declarado apenas metade de seus ativos podres (U$ 1,1 trilhão). O prejuízo de U$ 1,2 declarado pela UE representaria somente cerca de 25% do total.

Seria necessária a injeção de pelo menos mais US$ 1,2 trilhão para evitar a recessão de dívida. A informação é dúbia, uma vez que o documento também afirma que os bancos necessitariam de mais US$ 2,8 trilhões apenas para cobrir seus prejuízos, além dos US$ 900 bilhões de “capital novo” (capital fictício e capital monetário que compõem a bolha de crédito), que teriam captado desde setembro de 2008 – metade deles dos cofres públicos, socializando as perdas dos grandes monopólios com os trabalhadores de seus países e com os povos de todo o mundo, explorados pelo imperialismo. O próprio Programa de Socorro a Ativos Depreciados (Tarp, na sigla em inglês), o mega-Proer de US$ 590 bilhões feito pelo governo dos EUA para socorrer os monopólios do país, têm sido colocado em xeque pelo povo dos EUA, uma vez que foi massivamente embolsado pelos empresários das empresas “auxiliadas”.

Insistimos uma vez mais, porém, que as perdas do sistema financeiro mundial são apenas evaporação de capital fictício, que deve ser controlada por seu poder de precipitar um processo que revele as contradições estruturais do sistema capitalista. Tais contradições, no entanto, já podem ser vistas – pelo menos de relance – nas monstruosas proporções da crise deflagrada pelo estouro da superprodução no setor imobiliário dos EUA e de sua bolha de crédito em longo prazo. O que conta efetivamente é o chamado “impacto na economia real”, que é na verdade o seio das contradições.

Segundo as previsões do FMI, constantemente revistas para baixo, apenas nos países mais ricos as economias encolherão (-3,8%) neste ano, sendo o Japão o mais afetado (-6,8%). As previsões de retração são de (- 2,8%) nos EUA, (- 4,2%) na Zona do euro, (-2,5%) no Canadá e (-6,0%) na Rússia. No Brasil, o FMI acabou de rever sua estimativa para (-1,3%), ao contrário das declarações do governo Lula. A necessidade de financiamento dos países emergentes chegaria a US$ 1,8 trilhão, após os pedidos de “socorro” ao FMI feitos pelo México e pela Colômbia, justamente dois dos mais reacionários governos da América Latina. A região já teve confirmado o recebimento total de US$ 90 bilhões de “organismos multilaterais de crédito” (Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento e outros).

A recessão nas principais economias do mundo, a queda da produção industrial e o catastrófico aumento do desemprego, que, segundo a Organização Internacional do Trabalho, poderá chegar a 50 milhões de empregos perdidos neste ano, são o maior indicador de que a bolha de crédito imobiliário dos EUA é apenas a ponta do iceberg.


Tina Gomes