Polícia paulista há 14 anos sem reajuste salarial

É impressionante a prepotência do governador José Serra e o deslavado comprometimento da grande imprensa com o seu governo neoliberal. A greve da polícia civil já passa dos 60 dias, mas o governador e seu secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, fingem que a grave crise de segurança pública nada tem a ver com a política reacionária de arrocho salarial e de criminalização das reivindicações trabalhistas, mesmo que seja da própria polícia. A grande imprensa, tão reacionária quanto o aliado, puxada pela Rede Globo de Televisão e pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, somente divulgam a crise de segurança de outros Estados, como as do Rio, Minas, Bahia e Maranhão. Se vende uma imagem aos brasileiros, particularmente aos paulistas, de que em São Paulo reina a tranqüilidade com o governo do PSDB – PFL (atual DEM), induzindo-nos a acreditar que a crise de segurança pública é apenas dos outros governos.

Polícia paulista há 14 anos
sem reajuste salarial


É impressionante a prepotência do governador José Serra e o deslavado comprometimento da grande imprensa com o seu governo neoliberal. A greve da polícia civil já passa dos 60 dias, mas o governador e seu secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, fingem que a grave crise de segurança pública nada tem a ver com a política reacionária de arrocho salarial e de criminalização das reivindicações trabalhistas, mesmo que seja da própria polícia. A grande imprensa, tão reacionária quanto o aliado, puxada pela Rede Globo de Televisão e pelos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, somente divulgam a crise de segurança de outros Estados, como as do Rio, Minas, Bahia e Maranhão. Se vende uma imagem aos brasileiros, particularmente aos paulistas, de que em São Paulo reina a tranqüilidade com o governo do PSDB – PFL (atual DEM), induzindo-nos a acreditar que a crise de segurança pública é apenas dos outros governos.

Em São Paulo se vende uma paz que não existe para arrochar os salários. Mesmo com um mês de greve, o governador e a cúpula da segurança paulista, assim como a grande mídia, sequer tomavam conhecimento da reivindicação da polícia, como, aliás, ocorre com qualquer outra categoria do funcionalismo estadual. Somente ganhou um espaço na agenda da cúpula neoliberal depois que milhares de policiais civis, esgotadas todas as tentativas de negociações, decidiram realizar uma manifestação, sem depor as armas, enfrente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo. A data, dia 16 de outubro, representava exato um mês de greve. A manifestação era no sentido de que as suas reivindicações fossem ouvidas e atendidas pelo governo. Até os integrantes da elite da Polícia Civil, recrutados para garantir a segurança do Palácio dos Bandeirantes, aderiram ao movimento grevista, já que também se irmanavam com o arrocho salarial provocado pelo mesmo patrão.

Com a categoria batendo em seu palácio, o governador e seu secretário de segurança entraram em desespero e acionaram, aliado a cúpula dos policiais, outro milhar de policiais militares, também há 14 anos sem reajuste salarial, para frear a qualquer custo o deslocamento dos grevistas pacíficos, porém com as armas no cinturão. Dezenas de carros, motos e caminhões foram mobilizados, ou melhor, tirados das ruas para proteger o governo acuado e sua política arqui-reacionária.

O confronto era previsível e inevitável, uma vez que a rixa entre as polícias sempre foi estimulada e explorada pelo comando da segurança pública, pelo governo e pela grande imprensa. O primeiro grande confronto direto entre as polícias no Estado se desencadeou sob o manto da política neoliberal. Uma tragédia provocada pela incapacidade e intransigência do governo em negociar com a categoria, uma prática corriqueira da aliança PSDB-PFL (DEM).

Com o deslocamento das tropas, a direção do Hospital Albert Einstein, localizado ao lado do palácio do governo, se antecipou e colocou em ação um “plano de catástrofe”, prevendo a dimensão da crise. Foram cerca de 40 minutos de confronto. Os PMs lançaram bombas de gás lacrimogêneo e fizeram vários disparos precipitando a confronto aberto. Carros da Polícia Civil foram lançados contra os PMs e o confronto não só acabou numa chacina porque o comando dos grevistas conseguiu acalmar a revolta e a resposta direta da parte da polícia em greve. Mas o estrago já estava feito. Vinte e cinco policiais estavam feridos, alguns gravemente, dois funcionários do hospital foram feridos com as balas perdidas durante o confronto, um cinegrafista da Rede Record, que acompanhava o confronto, também foi atingido por estilhaços das bombas.

Com a guerra campal encerrada, o governador José Serra (PSDB) simplesmente se limitou a dizer que “o momento político-eleitoral aparece como motor dessa manifestação (?!). Na verdade, são ativistas sindicais e militantes políticos diretamente [envolvidos na manifestação]... Isso está tudo gravado, inclusive a oferta de apoios... Eu não tenho dúvida nenhuma que tem uma participação ativa da CUT, que é ligada ao PT, e da Força Sindical, que é ligada ao PDT.” Foi exatamente esta absurda e reacionária interpretação a versão oficial que a Rede Globo e os grandes jornais mistificaram para justificar o injustificável: a terrível imprudência da cúpula arquireacionária do governo neoliberal de José Serra e da cúpula da polícia militar.

A Polícia Civil, assim como a militar, não recebe qualquer reajuste salarial desde 1994! Desde o primeiro ano do governo do PSDB, a época sob Mário Covas e Geraldo Alckmin, que os seus salários são exatamente os mesmos. Só a polícia para agüentar tanto tempo tal arrocho e continuar subordinada a um governo debilóide. Mas, por fim, nem eles agüentaram a intransigência e arrogância de José Serra. Hoje os salários dos policiais só podem comprar cerca de um terço do que podiam no primeiro mandato do PSDB. Com a política dos tucanos (PSDB), a polícia paulista passou a receber um dos menores salários do país, apesar de o Estado ser, de longe, o de maior capacidade de pagamento, como, aliás, os banqueiros sabem muito bem.

Para compensar o arrocho salarial, os policiais vêm procurando cada vez mais fazer “bicos”, o que aumentou exponencialmente o número de policiais mortos fora do trabalho principal. Se não bastasse o arrocho, faltam equipamentos para o trabalho. O Sindicato dos Policiais Civis do Estado de São Paulo (Sindpesp) denunciou que esta política suicida estende ao dia-a-dia de trabalho. Um escrivão precisa pagar, por exemplo, com o dinheiro do próprio salário corroído a compra de cartucho para impressora para exercer suas funções diárias. Para colocar as viaturas na rua, os policiais precisam receber doações de peças de reposição de desmanches. Os computadores das delegacias têm que ser doados por empresas ou estabelecimentos comerciais para que se possam registrar ocorrências nas delegacias. É essa a política atual.

A situação de desespero da categoria chegou a tal ponto com o governo José Serra que o Major e deputado estadual Olímpio Gomes (PV) disparou: “O maior inimigo da polícia não é nenhuma facção criminosa, (...) porque estes marginais são até mais éticos. Nós sabemos qual é a regra do jogo (com eles). Agora, a regra do governador do Estado, com uma caneta na mão, está decretando a pena de morte de todos os policiais no Estado de São Paulo com essa política sórdida!”

 

 

José Tafarel

JOSE SAULO NEGREIROS
JOSE SAULO NEGREIROS disse:
13/01/2011 17h31
É UM ABSURDO,POLICIAIS DE SÃO PAULO-SP, COM BAIXOS SALÁRIOS,SAINDO DE CASA E MUITAS VEZES DEIXANDO OS FILHOS COM FOME,MUITOS SE HUMILHÃM OUTROS PEGAM PROPINAS, ISSO É VERGONHOSO,O POLICIAL CIVIL ,MILITAR, DEVERIAM GANHAR NO MÍNIMO UM SALARIO EQUIVALENTE A UNS CINCO MIL REAIS, POIS ESSES HOMENS ,SOFREM O RISCO DE MORTE, TODA VEZ AQUE SAEM PARA TRABALHAR.ONDE ESTÃO ESTES POLITICOS QUE NÃO ENXERGAM, TAMBÉM NÃO É OS FILHOS DELES QUE ARRISCAM A VIDA, DEVERIAM ESSES POLITICOS APROVAREM AS PEC (S) 300 E 340, DANDO MAIS DIGNIDADE A ESSES HOMENS,AI SE PODERIAM COBRAR MUITO MAIS...
KELLY SILVA
KELLY SILVA disse:
28/01/2011 13h31
REALMENTE É INACREDITAVEL, OS POLICIAIS MILITARES COM ESSE SALARIO DE MISERIA ENQUANTO DEPUTADOS SE DÃO AUMENTO DE MAIS DE NÃO SEI QUANTO PORCENTO OS POLICIAIS, ESTÃO AI TENDO QUE MENDIGAR.
NAO JUSTIFICA, MAIS POR ISSO MUITOS DELES OPTAO PARA VIDA DO CRIME DENTRO MEDMO DA POLICIA MILITAR, PENSIONISTAS PASSANDO FOME É VERGONHOSO.
PM PERTO DA REFORMA
PM PERTO DA REFORMA disse:
04/02/2011 18h54
OU NOS MEXEMOS AGORA OU SERÁ MAIS 4 ANOS SEM AUMENTO COM ESSE PSDB....
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