Itaú compra o Unibanco e é um dos 20 maiores

Na crise capitalista, a burguesia busca a solução pela concentração e centralização de capital. No Brasil, o processo de concentração foi acelerado no início do mês pela enorme centralização dos monopólios bancários, com a compra do Unibanco pelo Itaú (Itaú Unibanco Holding Financeira) e da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.

Itaú compra o Unibanco e é um dos 20 maiores


Na crise capitalista, a burguesia busca a solução pela concentração e centralização de capital. No Brasil, o processo de concentração foi acelerado no início do mês pela enorme centralização dos monopólios bancários, com a compra do Unibanco pelo Itaú (Itaú Unibanco Holding Financeira) e da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.

Ao comprar o Unibanco (6° maior do país), o Itaú conformou o maior grupo financeiro do hemisfério Sul, entre os 20 maiores do mundo. Seu valor de mercado, ainda que inchado, é 10 vezes maior que o valor pelo qual foi vendida a Merril Lynch. No último parecer da Interbrand, foi considerado a marca mais valiosa da América Latina, seguido pelo Bradesco, Banco do Brasil, Cemex, Claro AL, Telmex, Petrobras e Telcel.

 Embalado pela política monetária que chegou a ter juros básicos de mais de 45% com FHC e jamais deixou de considerar os juros altos como única ferramenta de controle da inflação, o Itaú elevou o volume de ativos de R$19,6 bilhões em 1995 para os atuais 575 bilhões de reais, contra R$403,5 do Banco do Brasil, R$348,4 do Bradesco e R$264,4 da Caixa Econômica Federal.

Serão 4.800 agências e 14,5 milhões de correntistas (18% do mercado e da rede bancária), controlando 19% do sistema de crédito brasileiro e 21% das carteiras. A participação nos seguros (antes liderados pelo Bradesco) será de 17% e na previdência de 28% (contra 37% do Bradesco). Crescerá a carteira de crédito para pessoa física de baixa renda, em associação com a financeira Taií, que ainda não havia dado lucro. O principal objetivo do conglomerado, além de reinar sobre o mercado brasileiro, será a exportação subimperialista de capitais. Em abril de 2006, o Itaú comprou as operações do BankBoston, na América do Sul, por U$3 bilhões, fincando um pé no Chile, Uruguai e Argentina, com 300.000 clientes.

Enquanto a maior parte dos países sequer tem grandes bancos nacionais, 6 dos 14 membros da direção do novo monopólio serão indicados pela burguesia brasileira, através das famílias Setubal (Itaú) e Moreira Salles (Unibanco). Apesar de Lula ter afirmado que não sabia, a fusão é resultado de 15 meses de negociação: já com a compra do banco Real e do estatal Banespa pelo espanhol Santander os bancos brasileiros corriam para a centralização.

No último trimestre, o Unibanco anunciou aumento de 5,6% nos lucros, enquanto que os do Itaú caíram R$600 milhões. No entanto, o montante total foi de R$1,8 bilhão para o Itaú e  R$704 milhões para o Unibanco, provando a máxima marxista-leninista de que à crise sobrevivem apenas os maiores peixes. Com a crise, o total de derivativos indexados ao dólar do Unibanco, de R$10,5 bilhões, sofreu com a depreciação do real e suas ações caíram 42% no ano e 29,36% em setembro.

A quebra da gigante ianque AIG provavelmente foi a gota d’agua que precipitou o processo da compra: segundo a edição de setembro do ranking do SINCOR-SP sobre a atividade dos seguros no Brasil, o Unibanco detinha, através da AIG, 9,46% de todos os seguros no país -exceto de saúde- e 6,6% da previdência privada VGBL. Como todos os bancos sofreram com o estouro da bolha hipotecária nos EUA, ameaçando o mundo com a fragilidade da enorme bolha mundial, Itaú, Bradesco e Citibank queimaram a largada para comprar o Unibanco.

 

Corrida pela centralização


O Bradesco certamente terá que comprar bancos pequenos e médios, se não quiser ser engolido pelo Itaú. Na corrida pela compra do banco da Votorantim, no entanto, ganhou o Banco do Brasil (BB), que comprará 49% da instituição por R$13 bilhões. Hoje, cerca de 70% das ações do BB pertencem ao Tesouro Nacional.

O BB comprará ainda a estatal paulista Nossa Caixa por R$6,4 bilhões sujeitos a ajustes. As negociações escancaram as pretensões presidencialistas tanto do PT -que após a injeção de U$50 bilhões para estancar os efeitos da crise pretende que o BB retome a liderança no mercado de ativos- quanto de José Serra, governador de São Paulo, que investirá o dinheiro em obras no estado e em politicagem, pensando nas prévias no PSDB contra Aécio Neves pela candidatura. Uma eventual fusão do Banco do Brasil com a Caixa Econômica Federal, unindo o financiamento à habitação da Caixa ao agrícola do BB, provavelmente será decidida apenas no próximo governo, pois implicaria na demissão massiva de bancários, que Lula quer evitar no momento.

A centralização, porém, apesar de dar maior fôlego ao monopólio brasileiro neste momento, significa o mesmo que dar ao doente o mesmo remédio que lhe causou o mal. A atual crise financeira é justamente manifestação da contradição irreconciliável entre a produção social e a apropriação  privada, inerente ao capitalismo.

A centralização aprofunda essa contradição, aumentando os lucros e expoliando a população, e cria novos parâmetros para o descolamento entre o crédito (capital fictício) e a economia real, através da elevada alavancagem e do descasamento de prazos, em especial na área de seguros e financiamento. A quebra de grandes bancos como os que estão surgindo tem o potencial de afetar toda a economia real. Apenas o Itaú-Unibanco, por exemplo, pretende somar R$65 bilhões em crédito para empresas, atendendo mais de 2.000 grupos no Brasil, além de R$90 bilhões de ativos em gestão de “grandes fortunas”.

 

Marina Machado