Câmbio aumenta preço da comida

O custo de vida do trabalhador está subindo cada vez mais e os preços dos alimentos são os que mais afetam o bolso da classe trabalhadora. Mas tudo está um absurdo, os aluguéis, artigos para casa, saúde, educação. Enquanto isso a concentração de capital anda a toda e o Itaú compra o Unibanco, configurando-se numa das 20 maiores instituições bancárias do mundo. O Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa-SP, e embora seja estatal, bancários estão sob risco de serem demitidos, pois agências serão fechadas.

Câmbio aumenta preço da comida


O custo de vida do trabalhador continua subindo. O reajuste de preços nos supermercados e restaurantes foi generalizado e os preços do feijão e das carnes subiram acentuadamente (5,66% e 3,61%), contribuido para que, em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, fechasse em 0,45%, mais alto que a taxa de setembro, de 0,26%.  A inflação não-oficial foi ainda maior.

No acumulado do ano, o preço da comida foi o que mais subiu (10,04%), sendo responsável por 35% do IPCA, mas todos os preços tiveram aumento: os aluguéis subiram 4,35%, os artigos de habitação 1,35%, o vestuário 5,51%, a saúde e a higiene 5,04%, a educação 4,43% e os transportes 2,36%, uma vez que o preço do petróleo têm caído como conseqüência da crise e a alta não poderia ser justificada.

Apesar da inflação acumulada no ano ser de 5,23%, maior que a meta do BC, de 4,5%, o governo não elevou os juros por medo do impacto da crise sobre a economia real. O maior motivo alardeado para a alta nos preços dos alimentos é a desvalorização do real. Com a crise, os dólares tendem a ser investidos na compra de títulos dos EUA, que apesar da crise ainda são considerados no imaginário geral como mais seguros. Com menos dólares no Brasil, o câmbio se desvaloriza.

Teoricamente, o câmbio desvalorizado deveria incentivar as exportações e reduzir as importações, aumentando a renda interna no país, mas esse impacto produtivo leva mais tempo para se manifestar e não necessariamente suas vantagens são repassadas para o bolso do brasileiro. Inclusive artigos de exportação, como a carne, sobem para o mercado brasileiro na esteira dos preços internacionais, pois os capitalistas do agronegócio querem maximizar seus lucros. No momento, a balança comercial fechou no negativo, apesar da depreciação do real.

Em um primeiro momento, a tendência é que a alta do dólar faça com que todos os produtos importados fiquem mais caros, gerando um impacto inflacionário. Apesar de ter tentado reduzir o impacto queimando reservas, as reservas brasileiras não são suficientes para apreciar indefinidamente o dólar, escolha política que levou à crise cambial pós-eleições, em 1999. Nos últimos meses, o preço internacional dos alimentos havia caído cerca de 6%. No entanto, como o câmbio se valorizou 17% no período, a inflação apertou e os preços subiram. Goiânia (1,23%) e Fortaleza (1,19%) apresentaram os maiores resultados no período. Haja salário no fim do mês para dar conta do recado.

   

Lauro Souza Fontes