Brasil assina acordo com Cuba na área petrolífera

Após visita de Lula a Havana, no dia 31 de outubro, e a promessa da visita de Raúl ao Brasil, a Petrobras assinou um contrato de USS 8 milhões com a Cupet durante 32 anos (7 de exploração e 25 de produção), válido para uma área de 1.600 km2 situada entre 6 e 12km do litoral norte de Cuba. A Petrobras utilizará sua experiência em águas profundas para encontrar o óleo, que parece estar entre 500 a 1.600m abaixo do nível do mar. Há 3 anos, a empresa havia investido USS 15 milhões em Cuba junto à canadense Sherry Gordon, mas não chegou a produzir óleo.

Brasil assina acordo com Cuba
na área petrolífera


As reservas em águas profundas no litoral norte de Cuba podem chegar a 20 bilhões de barris de óleo estimados (boe), ou 3 a 4 vezes o óleo confirmado no poço brasileiro Tupi, levando Cuba ao 12° lugar nas reservas mundiais, entre os EUA (29,9 bilhões boe) e o Canadá (17,1 bilhões boe). Nas estimativas mais conservadoras (9 bilhões boe), feitas pelo próprio Estado dos EUA, o país estaria em 18° lugar no ranking, logo após o Brasil antes da descoberta do pré-sal. Parte das reservas será explorada pela Petrobras.

Tendo sua matriz produtiva baseada no petróleo, após a queda da URSS Cuba sofreu sérias dificuldades. Com o bloqueio, os navios-tanque que atraquem em Cuba são proibidos pelos EUA de aportar em suas terras, fazendo com que cobrem mais caro, e tecnologias de outros países que utilizem peças estadunidenses têm sua aplicação proibida em Cuba, dificultando a prospecção do petróleo cubano. 

A Revolução Energética perpetrada na Ilha em 2006 e o fornecimento de petróleo pela Venezuela em condições facilitadas e em troca de médicos e professores através da ALBA elevaram a qualidade de vida dos cubanos, mas os problemas ainda são significativos. Cuba investiu mais de U$1 bilhão em suas usinas elétricas, suprindo metade da necessidade do país, e busca a auto-suficiência em petróleo.

Hoje, as importações totais cubanas são da ordem de US$10,86 bilhões (2007), dos quais cerca de 80% correspondem a petróleo e alimentos. Cuba consome 150.000 barris diários e produz apenas 50.850. Assim, cada dólar a menos no preço do petróleo, que tem caído devido à crise mundial, significa para Cuba uma economia anual de cerca de U$36,165 milhões, dinheiro suficiente para o plantio de cerca de 144 mil toneladas de arroz, ou ¼ do que hoje Cuba importa deste produto. Cada barril de petróleo produzido em Cuba representa hoje a economia de 70 dólares.

Dentro do planejamento central do Período Especial, Cuba viabilizou através de concessões temporárias o desenvolvimento de áreas da economia nas quais não possuía  técnica ou norral, a exemplo do turismo, que hoje representa o maior ingresso de divisas no país. Atualmente, 6 petroleiras da Espanha, Venezuela, Malásia, Índia, Vietnã e Noruega operam no litoral cubano, mas segundo o vice-presidente cubano, Carlos Lage, entre 2007 e 2008, 13 dos 39 poços abertos terão investimento exclusivo da Cuba Petroleo (Cupet).

Após visita de Lula a Havana, no dia 31 de outubro, e a promessa da visita de Raúl ao Brasil, a Petrobras assinou um contrato de US$8 milhões com a Cupet durante 32 anos (7 de exploração e 25 de produção), válido para uma área de 1.600 km2 situada entre 6 e 12km do litoral norte de Cuba. A Petrobras utilizará sua experiência em águas profundas para encontrar o óleo, que parece estar entre 500 a 1.600m abaixo do nível do mar. Há 3 anos, a empresa havia investido US$15 milhões em Cuba junto à canadense Sherry Gordon, mas não chegou a produzir óleo.

Estudos preliminares da Braspetro, sua subsidiária internacional, mostram que a área tem potencial de meio bilhão de barris, com capacidade de produção de 100 mil a 150 mil barris/dia. Assim, apenas esse campo já seria capaz de alçar Cuba à auto-suficiência.

Mas nem só de rosas é feito o mar do petróleo, e devemos estar atentos a isso. Especialistas acreditam que a bacia na qual foi encontrado é provavelmente a mesma já explorada pelos EUA e pelo México na região. Com a extração por parte desses países, a diferença de pressão na bacia poderia provocar o trânsito de óleo que hoje se encontra em águas cubanas para os EUA ou para o México. Cabe ressaltar, também, que se Cuba sempre foi um objetivo militar estadunidense por razões políticas, levando à invasão da Baía dos Porcos, em 1961, com a confirmação das reservas de petróleo a Ilha passa a ser também um objetivo militar do ponto de vista econômico e geopolítico, justamente no momento em que os EUA atravessam uma das mais graves crises de sua história.

 

Tina Gomes