Algumas considerações sobre as eleições municipais brasileiras

O segundo turno em capitais como o Rio de Janeiro e São Paulo representa uma luta entre as oligarquias e a base aliada do governo Lula, que independente de suas intenções, representa um grito de revolta dos mais desassistidos e da camada do proletariado mais pobre. Essa base enfrenta dificuldades nas regiões Sudeste e Sul, que reunidas possuem quase todo o PIB (Produto Interno Bruto), e grandes parcelas do proletariado nacional.

Algumas considerações sobre as eleições municipais brasileiras


As eleições municipais, em seu primeiro turno, demonstraram algumas previsões que já desenvolviam nos períodos anteriores, durante este ano. Os chamados grandes partidos, incluídos entre estes o PT, o PSDB, o DEMO ( antigo PFL ), e o PMDB, comandaram a preferência dos eleitores brasileiros. Com isso dois aspectos se desenvolveram; o primeiro é que torna-se mais tranqüila a possibilidade de acordos e articulações entre o governo lulista e sua base aliada; o outro é o de que os partidos da oposição de direita, PSDB e DEMO, representantes da fração mais atrasada e tradicional da oligarquia financeira,fortaleceram suas baterias visando enfraquecer o governo Lula até as próximas eleições presidenciais 2010.

Outro aspecto importante neste processo eleitoral foi o fracasso da esquerda reformista, chamada de institucional, que através de programas eleitoreiros ou com propostas inviáveis e presos a princípios mais pragmáticos do que ideológicos produziram um afastamento cada vez maior dos interesses do povo pobre e do proletariado, em particular. Suas políticas desenvolvidas para servir a manobras de gabinetes palacianos perdem cada vez mais contacto com as massas e suas representações de classes e categorias profissionais.

Apóiam suas políticas  suas centrais sindicais, que respondem pela maioria dos sindicatos nacionais, estas centrais preocupam-se mais com os partidos que representam, fazendo mais política eleitoreira do que defenderem os interesses das categorias profissionais que representam. Ao transformarem-se em apêndices de partidos revisionistas e reformistas, perdem a capacidade de transformarem grande parcela de operários e trabalhadores de nível médio em lutadores sociais contra os patrões e a oligarquia financeira mudando as posições nas correlações de forças das lutas de classes entre burguesia e proletariado. Da mesma forma não acontece uma elevação destas mesmas lutas, deslocando-se do nível puramente econômico para lutas de características políticas e por fim não surgem quadros operários forjados e experimentados nas lutas das ruas, no embate direto contra o sistema capitalista.

O governo petista de Lula adia soluções que o capital imperialista exigia, como a entrega do restante do patrimônio público em empresas bancárias, empresas de bens de produção e empresas produtoras de bens de consumo, além disso prevenindo-se da crise que está por vir, em função dos empresários de todo tipo que especularam com moeda estadunidense e encontram-se cada vez mais descapitalizados, já apresentou duas medidas provisórias procurando favorecer o sistema, para que não exploda definitivamente a inflação de preços de bens de produção e de consumo, abrindo espaço para a recessão brasileira, diante da mesma falsa ilusão estadunidense, de demanda interna aquecida e imune a crise internacional, par e passo a isso desenvolve uma política com várias nações latino-americanas, cujo Mercosul é o maior exemplo, além de vários acordos bilaterais com países africanos e asiáticos, freiando a dependência total aos mercados estadunidenses.

Estas questões devem ser observadas para analisarmos com muita frieza as possibilidades do PT nas eleições municipais incluindo sua base aliada, porque estamos diante do partido que mais fez prefeituras, no entretanto foi derrotado nas principais capitais do país, porém abriu um leque de alianças, contrabalançando suas fraquezas eleitorais. Não conseguiu vitórias significativas nas principais regiões brasileiras, a região Sul e a região Sudeste, além do Centro-Oeste, a principal região em crescimento.

Com isso capitais como as do sudeste que disputaram o segundo turno, apresentavam-se como promissoras para as pretensões da base aliada e o próprio governo, em particular. Ao povo pobre também representou pequenas perspectivas de estar diante de um governo dúbio, como já publicamos muitas vezes nos editoriais de INVERTA no entanto não representam as oligarquias financeiras alinhadas com o imperialismo estadunidense. Assim não se confirmaram as expectativas positivas em torno das cidades de São Paulo, nem Belo Horizonte, no Sudeste do país, onde as vitórias de Marta Suplicy na disputa paulista, tirava a possibilidade da oposição mais reacionária assumir a principal capital do país, o que não ocorreu pois Kassab e Serra levaram; Márcio Lacerda (PSB) venceu em Belo Horizonte, numa frente que teve o PSB no comando, representando uma aliança com o governo federal. Entretanto não se pode esquecer a terceira alternativa que trata-se da eleição de Eduardo Paes, pelo PMDB no Rio de Janeiro, apoiado pelo governador do estado Sergio Cabral, o que leva diante da derrota em SP, a BH e o Rio a serem as únicas das três grandes capitais do sudeste sob o comando da base aliada.

Ainda existiam as possibilidades de avançar no Nordeste, em Salvador com  candidato do PT, e não da base aliada que representa fechar acordos fora das forças do próprio partido, o mesmo ocorrendo com a candidata Maria Rosário em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul que seriam do próprio partido do presidente, e suas vitórias serviriam para diminuir os choques de interesses entre base aliada e partido do governo. Mas como foram derrotados, todas estas possibilidades ficaram descartadas, e ao mesmo tempo, deram mais força ao PMDB.

Desta maneira podemos dizer que o PT ganhou mas não levou, e é preciso afirmar que as derrotas deste governo, apesar de seus equívocos ou políticas que seguram o ânimo das massas e sua rebeldia, o governo lulista representa menos terror e mais medidas sociais para o povo pobre.

 

Haroldo de Moura