Duplicadas reservas de petróleo brasileiras

Através da prospecção pela Petrobras, ficou confirmado a quantidade de óleo e gás existente nos poços pré-sal Tupi, Iara e Júpiter, que quase dobram as reservas brasileiras, levando a disparada das ações da estatal. Além disso, colocam o litoral paulista na zona de disputa internacional pelo precioso e raríssimo ouro negro. O INVERTA prossegue com sua cobertura sobre o petróleo brasileiro e as conseqüências das novas descobertas nos cenários nacional e internacional, pois o petróleo é patrimônio do povo brasileiro e não da ganância imperialista.

Duplicadas reservas de petróleo brasileiras


Através de prospecção pela Petrobras, confirmou-se nesta semana a quantidade de óleo e gás existente nos poços pré-sal Tupi, Iara e Júpiter, que quase dobra as reservas brasileiras, levando a disparada das ações da estatal. O INVERTA dá seguimento à sua cobertura sobre o petróleo brasileiro:

Confirmou-se que Tupi tem entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás, Iara entre 3 e 4 bilhões e Júpiter a mesma quantidade, porém prioritariamente de gás. A perfuração e confirmação das reservas de Bem-te-vi está prevista também para o fim de setembro. Segundo a ANP, as reservas totais do Brasil somavam 13,9 bilhões de barris. Com a recente confirmação, passam a 23,9 bilhões. Parece ser consenso entre os especialistas que, após a confirmação das reservas nos principais blocos do pré-sal, o Brasil estará entre as 8 maiores reservas do mundo.

De acordo com a Lei do Petróleo, o petróleo só é nosso (do Estado brasileiro) enquanto estiver sob o solo. Uma vez explorado, o petróleo é de quem tenha licença para extraí-lo, apenas com o pagamento de royalties e impostos. Hoje, os blocos de exploração de petróleo brasileiro são leiloados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), podendo ser  arrematados por empresas privadas, estatais de outros países, ou pela Petrobras, com o pagamento de um total de apenas 30% de royalties, compulsórios e impostos sobre a produção. Além disso, a própria Petrobras, tem 49,5% de suas ações nas mãos de acionistas privados.

A camada pré-sal se estende por cerca de 800km, entre os estados do ES e SC, a partir dos 5km de profundidade. Engloba 3 bacias sedimentares (Espírito Santo, Campos e Santos), divididas em numerosos blocos de exploração. O petróleo pré-sal é de melhor qualidade que o petróleo atualmente explorado no Brasil, aproximando-se dos 30 graus na escala API que qualificam o petróleo como leve (de mais fácil refino e com menos detritos).

Os poços Tupi e Iara ficam em um mesmo bloco de exploração, o (BM-S-11), arrematado na segunda rodada de licitações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em 2000, pela Petrobras (65%), a portuguesa Galp (10%) e a britânica BG (25%). Mesmo após as suspensões realizadas pelo governo federal sobre alguns leilões da ANP  na região do pré-sal, as três ainda detêm cerca de metade do bloco.

   

Modelo de exploração e disputa política


O governo federal ainda não decidiu o modelo que será utilizado para a exploração do petróleo pré-sal. No dia 25, se dará a última reunião da comissão interministerial que encaminhará proposta ao presidente Lula sobre o modelo. Mas não esperemos a nacionalização do petróleo, talvez inclusive o aprofundamento, disfarçado, das privatizações. Segundo o ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, “o Brasil tem tradição de manter seus contratos e vai continuar tendo respeito a eles”.

Além da associação ao capital internacional, as oligarquias burguesas do Brasil também já disputam entre si a renda petroleira. Os grupos cariocas ligados à EBX e à atual direção da Petrobras se enfrentam à burguesia paulista, que quer reivindicar a renda da porção do petróleo localizada na costa do estado. O governador José Serra formou recentemente comissão chefiada por ele, “com o objetivo de tornar São Paulo uma referência em bioenergia, petróleo e gás”.

Lula, por sua vez, apesar da exploração efetiva do novo potencial petroleiro estar a pelo menos 10 anos de seu mandato, tem aproveitado os anúncios das descobertas para fortalecer sua imagem enquanto chefe de Estado e sua linha ideológica, em especial com relação à hegemonia sobre a América Latina.

Mostrou-se disposto a avançar em acordos com a Argentina em matéria de petróleo e de energias renováveis, como a hidráulica e o etanol, dentro do marco do Mercosul. Assim, ao invés de discutir o projeto da ALBA, muito mais avançado politicamente, apenas defendeu uma vez mais o ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul, que depende hoje apenas da aprovação parlamentar do Brasil e Paraguai.

No dia 12/09,  a Marinha, o Exército e a Aeronáutica brasileiros iniciaram, com 1000 fuzileiros navais sob o comando do almirante Edlander Santos, a “Operação Atlântico”, um exercício simulando a guerra pela região petrolífera, que pela primeira vez compreenderá também a defesa da bacia de Santos.

 

Economia exportadora de petróleo


Em reunião em sua sede em Viena na semana passada, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) discutiu a restrição e o cumprimento das cotas produtivas de cada país, para frear a queda dos preços do petróleo cru. A OPEP controla 43% da extração mundial de petróleo e 75% das reservas. Hoje, os maiores exportadores de petróleo do mundo são Arábia Saudita, Iraque e Venezuela. Apenas com as reservas confirmadas, o Brasil ainda não pode esperar entrar nesse ranking tão cedo.

No entanto, mesmo que se possa discutir a quantidade precisa de óleo que realmentre existe na camada pré-sal e a viabilidade técnica e financeira para estraí-lo, a a prospecção total dos blocos exploratórios das regiões Pão-de-Açucar, Tupi e Júpiter indiscutivelmente colocará o Brasil entre as maiores reservas de petróleo do mundo.

De acordo com as projeções mais conservadoras sobre as novas reservas já confirmadas, o país poderia tornar-se uma economia exportadora de petróleo a partir de 2020, quando poderia exportar cerca de 1,4 milhão de barris de petróleo diários, além do equivalente a seu consumo nacional. Hoje, a produção total diária da Petrobras é de 1,92 milhões de barris. A cifra total, 3,4 milhões, é maior que a capacidade produtiva do Kuwait hoje (2,7 milhões).

Ao preço atual do barril, a receita anual sobre o petróleo cru (e não seus derivados, de maior valor) seria de quase US$ 100 bilhões, segundo projeção da Petrobras e do BNDES. Porém, de nada adiantaria a renda petroleira se o petróleo brasileiro continuar a ser privatizado. O petróleo é nosso, e cabe ao povo brasileiro se organizar para impedir que seja apropriado por apenas uns poucos.

 

Janete Maria da Silva

 

Fabrício de Almeida Barros
Fabrício de Almeida Barros disse:
13/01/2011 17h31
Seria oportuno ter a data da publicação da notícia. A falta dela causa transtorno e torna inviável a citação.
Anônimo disse:
13/01/2011 17h31
Ola, esta notícia saiu na edição 428 do Inverta, em 21 de Setembro de 2008. Você pode ver a data de cada edição em http://inverta.org/jornal/edicao-impressa/, estamos trabalhando para exibir de uma forma mais clara a data das matérias. Saudações
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