Do neoliberalismo à crise política das oligarquias do Rio Grande do Sul

No RS, que tem a direita neoliberal na representação política do Estado (PSDB-PFL), promoveram entre si, uma crise que levou à queda de todo o secretariado Estadual. A crise da direita neoliberal aqui no RS, não foi patrocinada pela mobilização dos movimentos de massas e sim pelos desentendimentos impostos pela crise econômica.

Do neoliberalismo à crise política das oligarquias do Rio Grande do Sul


Quando se define o neoliberalismo, define-o como a crise do capital aliada à baixa capacidade de luta dos trabalhadores. Portanto, o que nos cabe em relação a luta revolucionária, é o esforço de organizar o povo trabalhador para levantar-se diante dessa crise, com força revolucionária. Sob a parte da crise do Capital, pouca coisa se pode fazer do ponto de vista econômico, ela arrasta quem quer que sejam seus protagonistas para o centro do tufão, sejam eles representantes da esquerda ou da direita. E no RS, que tem a direita neoliberal na representação política do Estado (PSDB-PFL), promoveram entre si, uma crise que levou à queda de todo o secretariado Estadual.

Todos atribuem o fato a uma fita entregue à imprensa, pelo vice governador (Paulo Feijó - DEM), após uma conversa gravada com o Secretário da Casa Civil (César Busato-PPS), onde este implora trégua aquele, visto que a então governadora do Estado (Yeda Crussius - PSDB) é refém dos Partidos políticos como o PP e o PMDB. Diz Busato na gravação, que o PP se beneficia do DETRAM (que é investigado por desvios do dinheiro do Estado em mais de 40 milhões), e o PMDB se utiliza dos fartos lucros do BANRISUL. Até aqui, não existe novidade alguma, a não ser dita por eles mesmos, pois o Estado como a própria economia, são elementos de enriquecimento legal (pela própria exploração do trabalho) e indireto pelo apadrinhamento por trabalho prestado à política da classe burguesa. Mas quando a economia não está em crise, a divisão da mais valia, proporciona muito mais encontros que desencontros.

O Brasil e a Argentina continuam sendo os baluartes para onde a política de classe pode tomar dimensões que influenciam toda a AL. Não é para menos que na Argentina os setores de direita começam a se mover rapidamente. E aqui a direita também não vacila e se prepara para assumir o governo central, pois dado o crescimento da luta de classe na América, e as vacilações do governo Lula que defende a soberania dos povos (mesmo que essa idéia não sirva para o Haiti ), tem segurado a defesa desses ideais em países como Venezuela, Bolívia e Equador. E esse fato, já é de grande contestação dos imperialistas, que vejam nessa política de Lula em dialogar com esses governos, tanto na defesa daqueles interesses políticos, econômicos e agora na aproximação militar, um momento propício para o seu fim, isto é, o de sua continuidade. Por isso aumentam os ataques à ministra da Casa Civil – pois a mesma se demonstra ser a candidata do governo Lula.

Mas na crise, a cada rodada de acontecimentos as tensões criam problemas às classes envolvidas. Assim, em São Paulo, a unidade entre a direita foi quebrada pelos próprios tucanos em tirar candidatura própria, contra o apoio do Governador José Serra e outras lideranças do PSDB ao atual prefeito do DEM. A ida da ministra Dilma Russef ao Congresso, antes de servir como elemento de desmoralização de sua pessoa, serviu de palanque para a ministra, que atacou pela esquerda a direita fascista no Congresso. E agora, os últimos acontecimentos do RS jogam mais lenha na fogueira contra a unidade da direita no país. O DEM fala em expulsão do vice-governador do Piratini, por denúncias que comprometem o governo neoliberal dele e da então governadora Yeda Crusius (PSDB).

Sem dúvida alguma podemos esperar nestes próximos três ou mais anos tempestades que se abatem sobre um lado e outro das classes em lutas. Os ânimos mudam de lado a todo instante e o que parecia uma grande vitória para um lado logo torna-se uma verdadeira dor de cabeça. É assim que a conjuntura da crise se manifesta. E diante da crise instaurada no governo neoliberal de Yeda e Feijó (PSDB/DEM), por mais que seja um acontecimento que muda os ânimos do campo popular e de esquerda, a vitória contra o neoliberalismo asseguramos que ainda está muito distante. E para aqueles que vejam esta crise apenas nas possibilidades eleitorais que elas possam trazer, a realidade dos fatos e a gravidade da conjuntura ainda se fazem distantes de sua compreensão.

Acompanhar este movimento na tentativa de elevar o grau de consciência da luta que temos à frente é o que podemos fazer neste instante, e aqueles que compartilharem de nossa idéia, oferecer a ferramenta mais importante para levar a luta contra o neoliberalismo à vitória completa, isto é, o PCML.

Infelizmente, a crise da direita neoliberal aqui no RS, não foi patrocinada pela grande mobilização dos movimentos de massas e dos Partidos contrários a política anti-povo patrocinada por essa gente, e sim pelos desentendimentos impostos pela crise econômica, levando a uma crise política entre eles mesmos. A RBS, como parte integrante das Oligarquias do Sul, lutava também para aumentar a sua fatia na mais valia colhida pelo Estado, e agora desesperadamente tenta fazer a manutenção do governo Yeda, atacando o vice-governador, do ponto de vista ético – coisa que não o fez em relação as denúncias de Jeferson Barros contra o PT. E assim, diante da crise, pode muito bem setores aumentar seu quinhão na parcela da mais valia arrecada pelo estado neoliberal ou ainda perderem espaço conquistado, e novas cabeças rolarão.

Mas o mais importante disso tudo é o aproveitamento político que o proletariado pode tirar diante dessa crise política das Oligarquias aqui do Sul, isto é, no seu desentendimento por hora. Portanto, fazer deste percalço o entendimento para um grande movimento popular e de esquerda contra o neoliberalismo, que contagie não só o Rio Grande do Sul, mas também os demais estados da Federação, enfrentando mais a fundo as conseqüências dessa política nefasta para o nosso povo.

João Bourscheid