Manifesto do 1º de Maio

Manifesto do Partido Comunista Marxista Leninista

Manifesto do 1º de Maio de 2008

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O 1º de Maio é o dia internacional de luta dos trabalhadores háArte Primeiro de Maio 122 anos e hoje a classe operária no mundo inteiro vai às ruas para lutar contra o sistema capitalista e comemorar suas conquistas, como fazem os trabalhadores de Cuba, Venezuela, Bolívia e tantos outros países.

No dia 1º de Maio de 1886, trabalhadores de Chicago, Estados Unidos, iniciaram uma greve geral contra a jornada de 16 horas, os maus tratos e os baixíssimos salários. Reivindicavam melhores condições de trabalho e jornada de 8 horas. Os grevistas foram duramente reprimidos e os seus líderes, Albert Parsons, Adolfo Fisher, George Engel e Augusto Spies foram enforcados.Em 1917, o proletariado russo se levanta e, ao iniciar o sonho da construção do socialismo, se torna uma nova referência para a história do movimento operário mundial.

Com a desintegração da União Soviética e o fim do sistema socialista do Leste Europeu, os paradigmas do comunismo revolucionário deixaram de ser o motor da mobilização das massas operárias e camponesas. O Estado neoliberal, que se expandiu após o fim do sistema socialista, se torna uma estratégia do capitalismo para amenizar sua crise estrutural. Para seguir adiante, o capitalismo precisa exterminar uma parte da população que a alta composição orgânica do capital (relação que mede o uso intensivo da tecnologia ou uso intensivo de mão de obra com alta produtividade) dispensa, por outro lado, deve conter os que lutam contra ele. Portanto, criminalizar os movimentos sociais e exterminar a população pobre são faces da mesma moeda. Como ele pode abrir mão de um exército industrial de reserva de grandes proporções, a destruição pura e simples das forças produtivas está na ordem do dia. Se for possível não deve nem haver prisões, o aparelho repressivo, enaltecido pela mídia nazi-fascista, tem consagrado os “autos de resistência seguida de morte”, o que garante nenhuma investigação sobre as mortes. Para tanto o veículo usado nas intervenções no Rio de Janeiro, conhecido como “Caveirão”, não comporta espaço interno para transportar presos.

No ano passado, o massacre de mais de 19 pessoas no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, representou toda a carga fascista do que a burguesia chama de “política de segurança”. Esses senhores têm se sentido tão à vontade que dizem claramente “na favela, nós entramos de um jeito, na “zona sul” é diferente. O número de vítimas é maior do que guerras civis declaradas, de janeiro a setembro de 2007, a Polícia Militar do Rio de Janeiro matou 1.245 pessoas (sem contar as mortes que não entraram nas estatísticas oficiais).

Atualmente há um outro massacre em marcha no mesmo Morro do Alemão. Trata-se, sem dúvida de uma característica do Estado capitalista e sua abrangência não podia deixar de ser mundial. Em Nossa América, tal política é responsável pela morte de milhares de pobres e lutadores sociais.

Quando presos, deve-se cuidar de providenciar o extermínio, e se tentarem chamar atenção para o desrespeito aos direitos mais essenciais da pessoa humana, que sejam criminalizados por associação com o comércio ilegal de drogas ou outras alegações oportunistas. Um quadro sucinto, mas revelador desse drama social pode ser visto a seguir.

Cem presos em Chiapas, México, estão em greve de fome. No Peru, sete membros da Coordenadora Continental Bolivariana foram presos ao retornar do II Congresso da entidade em Quito, Equador, e agora também em greve de fome.

A troca humanitária de prisioneiros na Colômbia foi respondida com o assassinato dos combatentes, entre eles, o comandante Raul Reyes.

No Chile, desencadeia-se uma escalada contra o povo Mapuche com assassinatos e prisões, destacando-se a greve de fome de Patrícia Troncoso que durou 112 dias, foi interrompida com a promessa de negociação, mas como nada foi cumprido, é retomada em seguida.

No Brasil, calcula-se que mais de 700 indígenas estão presos, sendo o maior número no estado do Mato Grosso do Sul; desde o início deste ano, 76 indígenas e 25 ativistas rurais já foram assassinados. Estes dados revelam a participação secular dos povos originários na luta contra as atrocidades do sistema capitalista.

Em 2006, 550 trabalhadores sem terra foram presos, e hoje vários líderes ainda estão encarcerados. No Distrito Federal, trabalhadores sem teto estão presos em presídios estaduais como criminosos comuns.

O genocídio neoliberal volta-se contra os trabalhadores, estejam de um lado ou de outro da linha de tiro, mas tem um alvo privilegiado. Dos assassinatos no Brasil, 36,9% são jovens com idade entre 15 e 24 anos.

Mais do que um drama ou tragédia social, trata-se de um genocídio programado para assegurar a política norte-americana de intervenção, utilizando-se da batida desculpa de combater o narcotráfico. Há anos os Estados Unidos têm ampliado sua presença na América Latina, especialmente, através do Plano Colômbia, essa progressiva intervenção em nossos territórios, que agora mostrou suas garras mais ostensivamente no massacre dos combatentes colombianos, assegurando posse de matérias primas e extermínio de uma parte da população que hoje excede os objetivos do capital.

Nesta ótica, o que deveria ser uma política de saúde virou condenação à morte. A epidemia de dengue que atingiu os estados do Nordeste em 2007, voltou a se manifestar no Rio de Janeiro em 2008 e outros estados, como Ceará. A política neoliberal aqui faz suas vítimas principalmente com as restrições orçamentárias impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal e outras medidas como a desvinculação das receitas da união, a primeira engessando os entes federativos e a segunda retirando recursos das áreas sociais, ambas destinadas a compor o superávit fiscal que vai assegurar o pagamento dos juros da dívida pública (interna e externa).

No Rio de Janeiro, já são dezenas de mortos, especialmente crianças, porque além dos poucos recursos destinados, município, estado e união não fazem funcionar ou não fiscalizam o funcionamento da estrutura de atendimento existente e lançam-se em acusações hipócritas sobre de quem seria a responsabilidade pelo mosquito, enquanto o povo sofre e morre nos hospitais. Depois de acusarem–se mutuamente, os responsáveis aliam-se à mídia burguesa para responsabilizar as vítimas com campanhas paliativas focadas em ações individuais, insuficientes para solucionar o problema porque ele adquiriu um caráter coletivo, e assim deveria ser encarado para que tragédias maiores sejam evitadas.

Mas a prioridade da política neoliberal é outra. Enquanto o superávit primário aumentou em 29% em 2006 e foi estabelecido em R$ 104, 3 bilhões de reais para 2008, a CPMF é extinta (sabemos de todos os seus desvios, mas por que acabar agora?) e a recente emenda constitucional que estabelece percentuais para a saúde dá o prazo até 2011 para chegar-se aos 10% de investimentos no setor.

Na América Latina, através até mesmo de processos institucionais burgueses como, por exemplo, as eleições parlamentares, as forças de contratendência à política neoliberal criaram governos de esquerda, dos mais moderados aos mais avançados, dos quais Evo Morales, da Bolívia, Rafael Correa, do Equador e Hugo Chavez, da Venezuela, são os maiores exemplos de lutas de independência e progresso diante das forças do inimigo de classe, os neoliberais imperialistas.

Com isso, retiraram do isolamento as FARC-EP, que travam uma luta heróica há mais de 40 anos contra os exploradores do povo colombiano, os reis da cocaína e seus aliados dentro e fora do governo constituído.

Cuba Socialista é outra referência, nação socialista do Caribe, que travou uma das maiores epopéias contra o capitalismo estadunidense no período do plano especial, quando estava cercada, atacada por seus inimigos e sofrendo o bloqueio econômico do imperialismo internacional, que permanece até hoje.

A posição geopolítica do Brasil o coloca num papel estratégico e uma política que se diga neutra ou imparcial contribui com a estratégia norte-americana de recolonização do continente, portanto este deve ser um momento de agitação e consciência do povo frente às ameaças do imperialismo de agravamento do horror econômico e do terror de Estado.

O II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, realizado recentemente em Quito, Equador, tem uma dimensão histórica pela participação dos povos de Nossa América na retomada do processo revolucionário que se desenvolve em vários países; a destacada participação do Capítulo Brasil – Luiz Carlos Prestes mostra que o nosso país assume sua posição nesta luta ao lado dos outros povos irmãos. Em vários estados, como Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul e São Paulo foram realizadas manifestações no dia 6 de março de desagravo e de solidariedade aos povos atingidos pela agressão imperialista.

Mais do que nunca os versos da Internacional dos Trabalhadores, “De pé, de pé, não mais sujeitos”, ecoam como um grito de guerra da classe operária e seus aliados históricos, o campesinato pobre, os trabalhadores sem terra e sem teto do campo e cidade, no processo de Revolução Social para derrubar as classes dominantes no modo de produção capitalista e erguer a sociedade socialista, primeira fase do modo de produção comunista .


Viva o 1º de Maio e todas as lutas proletárias contra o imperialismo!

Contra as reformas neoliberais!

Pelo Congresso Nacional de Luta contra o Neoliberalismo!

Não à catástrofe ecológica e ao deserto verde em que pretendem transformar o
Brasil!

Pela liberdade dos cinco cubanos presos nos EUA!

Pela liberdade dos 7 membros da Coordenadora Continental Bolivariana do Peru!

Pela libertação dos presos no Brasil do Povo originário : Guarani. Tamoios, Xavantes...!

Pela libertação Trabalhadores sem terra!

Pelo libertação bilateral dos prisioneiros de guerra da Colômbia, e pelo acordo, de paz!

Viva a Revolução Continental e por um programa de transição para a sociedade
socialista!

Todos os dias haverão de ser nossos!
Ousar lutar, ousar vencer!

Em Bolívar nos encontramos todos!


 

Coordenadora Continental Bolivariana (CCB) – Capítulo Brasil Luiz Carlos Prestes

 

Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML)