Raúl Castro é eleito à presidência de Cuba em 24/02

No dia 24 de fevereiro, a Assembléia Nacional do Poder Popular elegeu Raúl Castro como Presidente do Conselho de Estado pelos próximos cinco anos. Também, em votação direta e secreta, foram eleitos o primeiro vice-presidente do país e outros cinco vice-presidentes pelos deputados do parlamento.

Raúl Castro é eleito à presidência
de Cuba em 24/02


No dia 24 de fevereiro, a Assembléia Nacional do Poder Popular elegeu Raúl Castro como Presidente do Conselho de Estado pelos próximos cinco anos. Também, em votação direta e secreta, foram eleitos o primeiro vice-presidente do país e outros cinco vice-presidentes pelos deputados do parlamento. O Conselho de Estado cubano experimentou uma renovação de 41,9% ao incluir 13 novos membros. A Assembléia foi renovada num maior número de membros que a Legislatura anterior; o número de mulheres cresceu em mais de 7% e já está próximo à metade dos deputados, um pouco mais de 43%; aumentou de 23% a 36% os que têm entre 18 e 30 anos, ou seja, os mais jovens, embora também sejam mais os que superam os 60 anos.

Em um discurso proferido neste mesmo dia durante as conclusões da sessão constitutiva da VII Legislatura da Assembléia Nacional do Poder Popular, no Palácio das Convenções, o presidente Raúl Castro afirmou:

“É claro o mandato do povo a esta Legislatura: continuar fortalecendo a Revolução em um momento histórico que exige sermos dialéticos e criadores, como nos alertou o companheiro Fidel em sua medular Reflexão de 14 de janeiro último.

Muitas expectativas foram geradas, tanto em Cuba como no estrangeiro, em torno da integração do Conselho de Estado que acaba de ser eleito pela Assembléia. A fundamental foi esclarecida pelo companheiro Fidel em sua Mensagem do dia 18 de fevereiro. Pouco posso agregar ao expressado por ele, salvo o de reconhecer ao nosso povo, em nome da Direção da Revolução, as inumeráveis demonstrações de serenidade, maturidade, confiança em si próprio e a combinação de genuínos sentimentos de tristeza e firmeza revolucionária.

Assumo a responsabilidade que me é encomendada com a convicção de que, como afirmei muitas vezes, o Comandante-em-Chefe da Revolução Cubana é um só.

Fidel é Fidel, todos o sabemos bem. Fidel é insubstituível e o povo continuará sua obra quando ele já não esteja fisicamente. Ainda que sempre estarão suas idéias, que fizeram possível levantar o bastão de dignidade e justiça que nosso país representa.

Só o Partido Comunista, garantia segura da unidade da nação cubana, pode ser digno herdeiro da confiança depositada pelo povo em seu líder. É a força dirigente superior da sociedade e do Estado e assim o estabelece o Artigo 5° da nossa Constituição, aprovada em referendo por exatamente 97,7% dos eleitores.

Essa convicção terá importância particular quando devido à lei natural da vida, a geração fundadora e forjadora da Revolução tenha desaparecido.

Felizmente não vivemos hoje esse momento. Fidel está aí, como sempre, com a mente bem clara e a capacidade de análise e previsão, mais que intacta, fortalecida, agora que pode se dedicar ao estudo e à análise durante as inúmeras horas que antes empregava no confronto aos problemas cotidianos.

Apesar da paulatina recuperação, suas condições físicas não lhe permitiriam aquelas intermináveis jornadas, com freqüência separadas por escassas horas de descanso, que caracterizaram seu trabalho praticamente desde que empreendeu a luta revolucionária e ainda com maior intensidade durante estes longos anos de período especial, em que não se permitiu sequer apenas um dia de férias.

A decisão do companheiro Fidel é uma nova contribuição, com seu exemplo que o enaltece, em aras de garantir desde agora a continuidade da Revolução, conseqüente em quem sempre teve como guia o preceito martiano: “Toda a glória do mundo cabe num grão de milho”.

Igualmente é incomovível sua decisão de continuar, enquanto tenha forças para fazê-lo, contribuindo à causa revolucionária e às idéias e propósitos mais nobres da humanidade.

Portanto, certo de expressar o sentimento do nosso povo, solicito a esta Assembléia, como órgão supremo do poder do Estado, que as decisões de especial importância para o futuro da nação, sobretudo, as vinculadas com a defesa, política exterior e o desenvolvimento sócio-econômico do país, permita-me continuar consultando-as com o líder da Revolução, o companheiro Fidel Castro Ruz. (Ovação)

Companheiro Ricardo Alarcón, Presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular, ainda que a ovação que acabamos de escutar e presenciar supõe a aprovação, considero e lhe proponho, como está legalmente estabelecido, que a proposta seja votada.

Por esta e outras muitas razões, em minhas palavras de hoje citarei, não poucas vezes, algumas das idéias e conceitos essenciais expressados em suas Reflexões, que aproveito para dizer que devemos estudar, por seus ensinos e capacidade de previsão. Ter sempre presente algo que gostava de repetir Raúl Roa a seus íntimos: “Fidel ouve a erva crescer e vê o que está acontecendo ao dobrar a esquina.”

O discurso de Raúl se estende sobre as dificuldades hoje experimentadas por Cuba e a necessidade de seguir fortalecendo e aprofundando a revolução. Termina recordando as palavras expressadas por Fidel no 113° Aniversário da Guerra Necessária, “O rosto carrancudo de Martí e o olhar fulminante de Maceo mostram a cada cubano o duro caminho do dever e não de que lado se vive melhor”.

Tânia Castro