Nota de desagravo às FARC, ao Equador e à Venezuela

A Coordenadora Continental Bolivariana - Capítulo Brasil Luiz Carlos Prestes diante dos trágicos acontecimentos em Nossa América, a violação do espaço aéreo e territorial do Equador por parte do exército colombiano e o actus bellicus assassino que resultou no massacre de 16 guerrilheiros, entre os mortos o Comandante Raúl Reyes e o Comandante Julian Conrado, em um acampamento das FARC-EP, às 3 horas do dia 29 de fevereiro para o dia 1 de março, na zona fronteiriça co Equador, conhecida como Sucumbíos, vem através deste Comunicado expressar seu desagravo à luta das FARC-EP e ao Povo Colombiano em sua iniciativa de paz (Troca Humanitária de prisioneiros) e o seu reconhecimento como força beligerante.

Nota de desagravo às FARC, ao Equador e à Venezuela

 

 


(Atentar contra o Processo de Paz na Colômbia é atentar contra a Humanidade!)

A Coordenadora Continental Bolivariana - Capítulo Brasil Luiz Carlos Prestes diante dos trágicos acontecimentos em Nossa América, a violação do espaço aéreo e territorial do Equador por parte do exército colombiano e o actus bellicus assassino que resultou no massacre de 16 guerrilheiros, entre os mortos o Comandante Raúl Reyes e o Comandante Julian Conrado, em um acampamento das FARC-EP, às 3 horas do dia 29 de fevereiro para o dia 1 de março, na zona fronteiriça co Equador, conhecida como Sucumbíos, vem através deste Comunicado expressar seu desagravo à luta das FARC-EP e ao Povo Colombiano em sua iniciativa de paz (Troca Humanitária de prisioneiros) e o seu reconhecimento como força beligerante.

A CCB repudia o crime de guerra do governo colombiano, suas forças armadas, aparato policial e seu dirigente máximo, Álvaro Uribe Vélez, que a serviço do governo norte-americano, das oligarquias, de grupos mafiosos e narcotraficantes, ameaça a soberania e a integridade territorial de todos os países Latino-Americanos.

A CCB - Brasil também presta seu desagravo à posição tomada pelo Presidente do Equador, Rafael Correa, e ao Povo Equatoriano, de exigir a todos os países da América Latina uma posição clara de condenação e sanção ao governo colombiano, com base no dispositivo de Segurança Coletiva da Carta da Organização dos Estados Americanos (OEA), que em seu Capítulo VI, Artigo 28, reza que:

 

"Toda agressão de um Estado contra a integridade ou a inviolabilidade do território, ou contra a soberania, ou a independência política de um Estado americano, será considerada como um ato de agressão contra todos os demais Estados americanos”.


E em seu artigo 29 versa que:

“Se a inviolabilidade, ou a integridade do território, ou a soberania, ou a independência política de qualquer Estado americano forem atingidas por um ataque armado, ou por uma agressão que não seja ataque armado, ou por um conflito extracontinental, ou por um conflito entre dois ou mais Estados americanos, ou por qualquer outro fato ou situação que possa pôr em perigo a paz da América, os Estados americanos, em obediência aos princípios de solidariedade continental, ou de legítima defesa coletiva, aplicarão as medidas e processos estabelecidos nos tratados especiais existentes sobre a matéria”.

A CCB estende seu desagravo ainda ao Presidente Hugo Chávez Frías e ao direito da República Bolivariana da Venezuela à solidariedade ao Equador e ao seu legítimo governo, bem como à ação defensiva, visto que a dimensão deste trágico acontecimento indica, uma vez mais, o propósito do governo Álvaro Uribe Vélez, controlado pelo governo de George W. Bush, de utilizar-se do conflito interno colombiano e provocar o leit motiv escatológico para uma intervenção militar direta dos EUA na região, cujo objetivo real é apoderar-se das reservas estratégicas de petróleo, urânio, água potável, terras cultiváveis, biodiversidade (Amazônia, Cerrado, Bacia do Prata) e geoestratégicos (as bases de Manta, Alcântara, Tríplice Fronteira etc) para manter sua estratégia de hegemonia mundial (baseada no poderio militar e na recolonização das Américas).

A CCB - Brasil Luiz Carlos Prestes expressa seu desagravo ao Presidente Rafael Correa e ao Presidente Hugo Chávez de levarem às últimas conseqüências a reparação desta agressão ao território e soberania do Equador, dado o acumulado de ações que violam a soberania tanto da Venezuela, como do Equador, como foram os casos da operação de seqüestro e prisão, em solo venezuelano, do Comandante das FARC-EP, Rodrigo Granda, que exercia funções diplomáticas para a guerrilha; bem como o seqüestro de Simón Trinidad e Sonia Rojas em solo equatoriano, promovidos em operação conjunta com os aparatos repressivos oficiais da Colômbia e dos EUA.

A CCB presta ainda seu desagravo à posição do Governo Equatoriano, Cubano, Venezuelano e de todos os demais países que exigem a retirada imediata das bases militares dos EUA em Manta, Guantânamo, da Tríplice Fronteira e da Colômbia que, ilegalmente, violam a soberania e a independência de todos os países da América Latina e ipso facto são ameaça permanente à integridade territorial, aeroespacial e marítima de todos os países latino-americanos.

A CCB - Brasil entende que o ato assassino do governo colombiano, com a violação do espaço aéreo e terrestre, resultando no massacre de 16 guerrilheiros das FARC-EP, mais que uma ação terrorista e assassina foi planejada política e militarmente, por um lado, para pôr fim ao processo de Paz na Colômbia, na medida que teve por alvo o Comandante Raúl Reyes, principal interlocutor sobre o processo de paz das FARC-EP, por outro, medir a intensidade e a qualidade da resposta do governo equatoriano e demais países da região como Brasil, Argentina, Chile, Peru e, especialmente, na Venezuela, visando a partir desta triangulação estabelecer o leit motiv para uma nova ação, em escala superior, apoiada nos EUA e Espanha.

O actus bellicus assassino do governo colombiano foi uma operação com a participação oficial do governo dos EUA, com o rastreamento via satélite e triangulação do local exato do acampamento das FARC-EP e contou com a espionagem e o método da tortura sobre a população equatoriana para obter informações que confirmassem se o local rastreado correspondia realmente ao acampamento das FARC e ainda a presença dos comandantes guerrilheiros. Além disso, a incursão por terra teve a finalidade de extermínio dos sobreviventes ao ataque aéreo, seqüestro dos corpos do comandante Raúl Reyes, cujo nome de batismo é Luís Edgar Dévia, e do comandante Julian Conrado e a implantação de provas falsas para justificar o massacre. Foi um bombardeio aéreo utilizando a tecnologia dos supertucanos brasileiros e americanos, produzidos no Brasil.

O momento do ataque foi planejado para não haver a possibilidade de resposta da guerrilha. Todos estavam dormindo, seguros que não poderia haver a violação do território equatoriano. A presença do Comandante Raúl Reyes no Equador devia-se à missão de concretizar, através do Presidente Chávez, uma entrevista com o presidente Sarkozy, buscando soluções para a libertação de Ingrid Betancourt e o objetivo da Troca Humanitária; o mesmo propósito apresentava-se também em relação ao Governo Equatoriano. Uma missão que se combinava com a nova libertação de prisioneiros de forma unilateral e com a realização do II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, em Quito - Equador, entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2008, que entre suas resoluções constam: o apoio ao Processo de Paz na Colômbia (Troca Humanitária de Prisioneiros) e reconhecimento das FARC-EP como Força Beligerante.

Fora deste espectro, qualquer conjectura em torno do acampamento das FARC-EP e da presença do Comandante Raúl Reyes no Equador não é fato e qualquer coisa ou material além disso é mentira, não passa de coisa plantada pela inteligência colombiana e norte-americana, como foram as “famosas provas de armas de destruição massiva” que os EUA apresentaram na ONU para justificar sua guerra de rapina contra o Iraque!

Nestes termos, a CCB - Capítulo Brasil Luiz Carlos Prestes, que acompanhou todos os fatos do dia 23/02 ao dia 02/03, em Quito, não tem dúvida sobre este episódio, e em desagravo e solidariedade às FARC-EP e ao Povo Colombiano, ao Presidente Hugo Chávez Frías e ao Povo Venezuelano, ao Presidente Rafael Correa e ao Povo Equatoriano exige do Governo Brasileiro:

Que se faça cumprir o dispositivo da OEA, que dispõe sobre a Segurança Coletiva entre os Estados Americanos; condene o governo colombiano e tome a honrada e soberana decisão de não aceitar qualquer forma de intervenção dos Estados Unidos da América, em qualquer cenário que desenrole-se deste processo; que coloque-se deliberadamente ao lado do Equador e Venezuela, não aceitando a violação de seu território, espaço aéreo e marítimo e coloque as Forças Armadas Brasileiras (FFAA) em prontidão para rechaçar qualquer incursão militar das forças militares colombianas ou dos Estados Unidos e garanta a soberania e o respeito aos acordos da OEA; que rompa também com qualquer acordo com os Estados Unidos que impeça uma ação soberana de nosso país diante deste conflito e convoque a Sociedade Civil a colaborar para que o Brasil possa se defender de uma agressão norte-americana.

A CCB Brasil afirma ainda que esta ação do governo colombiano foi uma ação conjugada com outras que aconteceram na Bolívia, com as provocações e tentativa de deposição de Evo Morales; a tentativa de desestabilização do governo do Presidente Hugo Chávez, na Venezuela, com o episódio das 4 (quatro) bombas, que resultaram na morte de um policial civil; e a ação repressiva do governo peruano ao prender ilegalmente 7 participantes do II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana, qualificando-a de terrorista. Que, portanto, esta ação conjunta não é mais que a continuidade tácita da colaboração dos diversos órgãos de repressão no que se convencionou chamar de “Operação Condor” mesmo que sua nova rotulação seja “Operação Fênix” como estratégia de contra-insurgência aos Povos Latinos Americanos e governos soberanos contra o domínio, a ação terrorista e a tentativa de recolonização de Nossa América. Logo, é uma ameaça aos países que buscam mediar honestamente o processo de Paz na Colômbia, é um atentado à Paz no Continente e é o leit motiv para os Estados Unidos desencadearem a ocupação militar do Continente.


Pela condenação do crime de guerra do governo colombiano!

Pela devolução dos corpos dos guerrilheiros Raúl Reyes e Julian Conrado, seqüestrados pela polícia colombiana, ao governo equatoriano!

Pela reparação da Integridade e Soberania do Equador!

Pela Paz e Troca Humanitária de Prisioneiros na Colômbia!

Pela Desmilitarização dos distritos de Pradeiro e Flórida para a Troca Humanitária!

Pelo reconhecimento das FARC-EP como Força Beligerante!

Todo apoio aos Presidentes Hugo Chávez Frías e Rafael Correa!

Fora com as Bases norte-americanas de todos os países latino-americanos!

Atentar contra o Processo de Paz na Colômbia é atentar contra a Humanidade!


Aluisio Bevilaqua - Membro da Presidência Coletiva da Coordenadora Continental Bolivariana e Presidente do Capítulo Brasil - Luiz Carlos Prestes, construindo o Movimento Continental Bolivariano.