O II Congresso da CCB no Equador

A Coordenadora Continental Bolivariana realizou entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2008, o seu II Congresso, na capital equatoriana de Quito. O II Congresso foi encerrado com uma marcha antiimperialista pelas ruas da capital convocada pela CCB, evento que teve a ativa participação de militantes sociais, latino-americanos, como o Capítulo Brasil da CCB, e europeus das diferentes organizações de vários países que compõem a CCB.

O II Congresso da CCB no Equador


Coordenadora Continental Bolivariana realizou entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2008, o seu II Congresso, na capital equatoriana de Quito. O Congresso da CCB, precedido pelo Seminário Internacional “Atualidade de Bolívar e os Próceres da Independência” teve proporções históricas na luta revolucionária em Nossa América, de fato, como havia antecipado o editorial 421 do INVERTA, a histórica conferência da Tricontinental, realizada em Havana, Cuba, seja pela presença de lideranças revolucionárias, seja pelo exemplo do processo revolucionário que ora se leva em vários países do continente americano e dos povos em luta em várias partes do mundo; seja pela participação fundamental dos Povos originários de nosso continente na denúncia das atrocidades cometidas pelo sistema capitalista contra eles e os Povos trabalhadores, não há 500 anos, mas hoje; pelo trabalho incansável de jovens homens e mulheres de Nossa América Latina desperta, que trabalharam com seriedade nas tarefas do congresso e que defenderam com vigor e firmeza, que a luta contra o imperialismo voraz deve ter como método o marxismo-leninismo e que a sociedade alternativa é bolivariana, é comunista; que com sua vida ombrearam-se aos ideais bolivarianos, guevaristas e tupacamaristas, indo muito mais além dos jargões e das camisetas.

Tudo isso se viveu no II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana em Quito, no Equador, onde se reuniram os que lutamos, com suas variadas e enriquecedoras experiências, os quais choraram algumas vezes de emoção e dor ao lembrarem dos que estão em cárceres em Nossa América e em todo o mundo por lutarem pelo simples direito à vida com dignidade. Porém, a lágrima teve o sabor da luta e nunca o da vergonha por omissão ou covardia - diante do feroz sistema capitalista em sua fase imperialista, que para garantir seu direito à existência segue triturando vidas humanas até destruir todo o Planeta para manter o seu domínio – e da tarefa histórica a qual somos chamados a desempenhar.

A abertura do Congresso

A maioria das delegações ao II Congresso da CCB chegou em Quito no dia 24 de fevereiro, com muitas expectativas, dinamismo e disposição para o trabalho que busca em sua essência caminhar rumo à unidade da Pátria Grande Bolivariana e converter a CCB em Movimento Continental Bolivariano (MCB), constituindo-se o MCB num aporte a luta pelo socialismo em Nossa América.

A inauguração do ato consistiu-se numa atividade político-cultural que emocionou os mais de 300 delegados. Com consignas e cantos das diversas delegações em apoio aos processos e líderes progressistas de Nossa América e denunciando aos presidentes títeres do império ianque - como Colômbia, México e Peru.

A mesa de inauguração foi formada por Narciso Isa Conde, Iñaki Gil de San Vicente, Tío Salvador, Amílcar Figueroa, Óscar Figueras e Aluísio Beviláqua, como representantes da presidência coletiva da CCB e do secretário-geral da Coordenadora, Carlos Casanueva e membros do executivo.

Narciso Isa Conde, da República Dominicana, ofereceu algumas palavras ao plenário com um discurso que começou expondo a história da Coordenadora. Recordou a Campanha Admirável de 2003, onde com poucos companheiros de diferentes países foi fundada a CCB. Também falou sobre o primeiro congresso, realizado em Caracas em 2005, onde se formou a plataforma dentro dos marcos do pensamento bolivariano da unidade, o antiimperialismo e a autodeterminação de nossos povos.

O ato inaugural contou com a participação de diferentes grupos culturais que através do teatro, da música e da dança manifestaram sua disposição em participar da construção de um mundo mais justo para nossos povos. Também chegaram ao II Congresso saudações do arquiteto Oscar Niemeyer e de representantes das FARC-EP.

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Após três dias de intensa jornada nas mesas de trabalho foi encerrado o II Congresso. No plenário totalmente lotado pelas delegações, com suas bandeiras, faixas e palavras de ordem como “roja es la bandera, como la sangre de la classe obrera (vermelha é a bandeira, como o sangue da classe operária)”, “contra o imperialismo, marxismo-leninismo”, “alerta, alerta imperialista, a espada de Bolívar pela América Latina”, “de norte a sul, de leste a oeste, o povo todo grita Luiz Carlos Prestes”, que representavam a unidade entre os lutadores sociais da América Latina, os quais não conhecem fronteiras nem barreiras lingüísticas, foi iniciada a mesa final do evento e a leitura do documento final de todas as mesas de trabalho, com participação ativa de todos os presentes. Em seguida foi lida por Isa Conde a Carta do II Congresso da CCB.

A Marcha Antiimperialista

f1b2Na tarde do dia 27 de Fevereiro, o II Congresso foi encerrado com uma marcha antiimperialista convocada pela Coordenadora Continental Bolivariana, evento que teve a ativa participação das diferentes organizações de vários países que compõem a CCB, como era de se esperar das organizações revolucionárias de esquerda deste lado do mundo, apesar da baixa temperatura e da chuva que acompanhou a marcha durante grande parte do trajeto.

f1bO trajeto foi iniciado na esquina da Av. 6 de Dezembro e Av. Pátria, em frente à Casa da Cultura Equatoriana, posteriormente passou em frente a Embaixada da França e da Embaixada dos Estados Unidos, que a essa altura já tinha um reforço policial frente à porta principal localizada entre Av. Pátria e 12 de Outubro. Também nesse momento puderam ser ouvidos cânticos como “fora ianques, da América Latina”.

Posteriormente, o conglomerado se dirigiu ao parque do “El Ejido” onde está localizado o monumento ao Gral Eloy Alfaro onde foi depositada uma oferenda e rendida uma merecida homenagem ao “velho lutador”, insigne figura da história equatoriana por sua liderança na revolução liberal no início do século anterior, e inspiração do atual presidente Rafael Correa para dar passo às transformações que requer o país.

Uma vez finalizada a homenagem à memória de Alfaro, a marcha seguiu para o parque “La Alameda” onde está localizado o monumento ao libertador Simón Bolívar, onde foi depositada outra oferenda floral e foi pronunciado um breve discurso por parte de destacados membros do comitê executivo da CCB, no qual deu-se ênfase ao caráter antiimperialista que reúne as organizações da CCB e se destacou os processos de luta que devem ser levados a cabo pelos membros da Coordenadora pela Revolução na América Latina.

Posteriormente à marcha, foi realizado na Praça da República o Festival Antiimperialista que contou com a presença de grupos como Son País, Don Ata e seus Soneros, Coma, Mugre Sur, entre os principais, que representaram várias tendências musicais que tiveram grande aceitação do público presente e emocionaram a todos apesar da forte chuva que nesse momento caía em Quito.

A luta pelo socialismo deve voltar as nossas raízes, nossos próceres, nossas culturas, contribuindo ao processo revolucionário com as mais ricas das experiências de resistência de nossos povos e de luta pela independência em um cenário no qual a luta pelo socialismo se traduz em uma luta pela verdadeira libertação de nossos povos.

II Congresso da Coordenadora
Continental Bolivariana

O II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana teve o total de 9 mesas de trabalho: Mesa 1: Estruturas e formas de dominação Capitalista Imperialista em nossa América. Alternativa revolucionária: democracia; auto-determinação; transição ao socialismo; Mesa 2: Integração dos povos para a Pátria Grande. ALBA frente a ALCA. Unidade e cooperação integral: política, economia, cultural dos povos. E estados. Movimento Continental Bolivariano; Mesa 3: Povos originários e sociedades multinacionais e interculturais; Mesa 4: Meio ambiente, energia, vida e água, desertificação, desertos verdes, petróleo, gás, carvão, biocombustível, Amazônia corredor biológico meso-americano, manto aqüífero guarani; Mesa 5: Articulação das lutas dos imigrantes. Movimentos dos imigrantes na metrópolis imperialista despejos forçados pelo terrorismo estado; Mesa 6: Estratégia militar dos Estados Unidos e contrapartida popular em Nossa América e no mundo Nem um soldado ianque em Nossa América; Mesa 7: Linhas de solidariedade e ação; articulação da solidariedade entre as forças revolucionárias de todos os continentes. Concepção geral da solidariedade com as lutas e as causas justas no continente e no mundo. Internacionalismo hoje. Resoluções pontuais de solidariedade; Mesa 8: Organização e plano de ação. Iniciativas de solidariedade e ações políticas a realizar até o III congresso da CCB. Brigadas internacionais da CCB. Estruturas e funcionamentos dos órgãos de direção. Movimento continental bolivariano; Mesa 9: Meios alternativos papel dos meios alternativos na libertação dos povos.


Gilka Sabino
Almeida Rodrigues