Mapuche Patrícia Troncoso pode ser assassinada a qualquer momento

A mapuche Patricia Troncoso, conhecida como La Chepa, está em greve de fome desde o dia 10/10/ 2007, como forma de protesto e exigência de demandas políticas do povo Mapuche e também de demandas imediatas relacionadas a sua situação como presa política. Recentemente internada em estado grave de saúde, foi amarrada por não aceitar o encerramento de seu protesto e está recebendo soro à força.

Mapuche Patrícia Troncoso pode ser assassinada a qualquer momento


O povo Mapuche jamais foi conquistado. Nômades, acostumados a grandes deslocamentos, ainda assim o povo Mapuche preservou, à custa da vida de muitos de seus guerreiros, parte de seu território tradicional. Os espanhóis não conseguiram submetê-los em 300 anos de colonialismo.

A história do povo Mapuche é uma das que melhor encarna a resistência dos povos de nossa América. História que nos legou um herói como Lautaro, mapuche que tendo sido seqüestrado aos 11 anos de idade pelo fundador da capital do Chile, Pedro de Valdívia, fugiu aos 17 para, já conhecendo as táticas militares dos espanhóis, liderar seu povo na guerra de resistência.

Hoje o heroísmo da gente Lautaro se manifesta na luta contra as novas ofensivas contra suas terras, desta vez por parte do governo chileno a serviço dos latifundiários e das multinacionais.

Ocorre no Chile uma escalada da repressão contra o povo Mapuche que se manifestou no assassinato recente do weichafe (guerreiro) Matías Catrileo e na prisão de diversas lideranças de seu povo.

Muitas destas prisões são feitas pelo Estado baseando-se na lei antiterrorista que foi criada pelo governo Pinochet para ter uma justificativa para massacrar seus opositores.

Uma dessas presas, Patrícia Troncoso, conhecida como la Chepa está em greve de fome desde o dia 10 de outubro de 2007. Sua reivindicação é a desmilitarização do território Mapuche e a revogação da lei antiterrorista.

Recentemente ela foi internada em estado grave de saúde, e mediante a recusa de encerrar o protesto, foi amarrada e está recebendo soro a força. A forma do governo de tentar encerrar seu protesto acorrentando-na é a mesma a que a oligarquia chilena vem recorrendo há anos para destruir seu povo.

O estado tenta assim esmagar a resistência do povo Mapuche para entregar seu território tradicional a voracidade das empresas multinacionais, expressão do neocolonialismo imperialista.

Se ela morrer, a responsabilidade direta por mais esse sangue derramado será da presidente do Chile, Michele Bachelet e de seu Ministro da Justiça.

Sucursal-SP