A perda da CPMF e os cortes no orçamento

Com menos R$ 40 bilhões em caixa, o governo Lula está com uma grande dificuldade em fechar as contas para o orçamento de 2008 com a não aprovação da CPMF pelo Senado Federal.

A perda da CPMF e os cortes no orçamento


Com menos R$ 40 bilhões em caixa, o governo Lula está com uma grande dificuldade em fechar as contas para o orçamento de 2008 com a não aprovação da CPMF pelo Senado Federal. Certamente haverá cortes em alguns projetos da administração do governo Lula. As receitas da CPMF correspondem a 10% dos recursos da União e as desavenças políticas criaram este problema para o atual governo federal e vai certamente mexer com os fundamentos da economia brasileira em 2008. Nem mesmo a barganha por cargos e recursos oriundos de emendas parlamentares diminuiu o clima de antagonismo entre o governo e a oposição na votação da CPMF. Uma das grandes mancadas do atual governo foi às vésperas da votação do imposto do cheque praticamente tabelar as tarifas bancárias diminuindo de 55 para 20 os serviços que poderão ser cobrados aos clientes pelas instituições financeiras e como o PSDB representa atualmente a oligarquia financeira no parlamento isso azedou de vez as coisas no Senado Federal e uniu a oposição contra a atual administração federal. Uma das formas que o governo Lula tem para mudar o quadro de dificuldade em que se encontra é aumentar os impostos, mas a carga tributária já está em quase 40% do PIB e certamente as intenções do executivo serão barradas pela oposição.

Vários setores serão afetados com a não aprovação da CPMF e os cortes certamente acontecerão e como inicialmente os recursos desta contribuição eram para resolver os problemas da saúde e que depois foram desviados para outras áreas do orçamento. A oposição acusa o governo de perdulário por não diminuir a presença do estado na economia, mas o processo de privatização iniciado na década de 90 do século passado continua a todo o vapor como por exemplo os leilões das estradas de rodagem que certamente aumentarão os custos finais dos produtos para o consumidor. O que está havendo no governo Lula é que foram aumentados em vários milhares os cargos de confiança para indicações políticas para preencher os ministérios e compor politicamente as alianças com os partidos da base aliada.

As medidas do governo Lula para compensar as perdas da CPMF são cortar as despesas supérfluas em cerca de R$ 18 bilhões e diminuir os investimentos públicos o que certamente fará com que aconteça um crescimento menor do PIB em 2008 e com isso a economia esfriará nos próximos dois anos. O mercado financeiro já sentiu o golpe e, além da crise mundial, a perda da CPMF tem atingido a Bolsa de Valores que tem tido quedas expressivas e o dólar tem subido, chegando perto dos R$ 2. A queda da taxa básica de juros no Brasil não acontecerá em 2008 por causa da crise internacional e das incertezas com os fundamentos da economia brasileira com o buraco de R$ 40 bilhões com a perda da CPMF. O Banco Central será mais conservador por uma série de motivos nas suas próximas reuniões sobre a Selic e alta da inflação é um dos problemas a serem enfrentados, principalmente com a elevação dos preços dos alimentos para o consumidor final.

O setor da saúde pública certamente será o mais afetado com a perda dos recursos da CPMF, mas a grande verdade é que mais de 70% das verbas do SUS, segundo o IBGE, são usadas para financiar o sistema particular de medicina e por isso existe este mau funcionamento do sistema hospitalar para a população mais pobre. E agora com o projeto das fundações público-privadas do Ministério da Saúde haverá cada vez mais privatização tanto do dinheiro quanto uma piora nos serviços oferecidos pelos três níveis de administração: federal, estadual e municipal que terão que competir com o sistema privado de saúde que estão ligados a esquemas transnacionais de medicina.


JCFL