Trabalhador sempre paga a conta

Enquanto isso, empresas e bancos continuam de namorico, sempre tramando contra a classe trabalhadora

Trabalhador sempre paga a conta


Enquanto isso, empresas e bancos continuam de namorico, sempre tramando contra a classe trabalhadora



Da política da aristocracia que o império fazia sem o povo, passando pelas oligarquias da Velha República e pela política do regime militar, que era feita contra o povo, até a “nova república” (de Sarney, Collor e FHC), que nem lembrava que existia povo, chegamos ao declínio do capital industrial para abrir espaço à famigerada “financeirização” (em curso desde os anos 80). E é sempre o trabalhador brasileiro que paga o pato por tudo.

O mercado de trabalho no Brasil é marcado por uma realidade perversa. E quando se trata da mão-de-obra terceirizada então o bicho pega. A categoria vira manobra dos interesses patronais. Pois é o que está acontecendo em Brasília, onde a empresa Capital acaba de abrir conta-salário no Unibanco para os seus mais de cinco mil trabalhadores, sem ao menos consultar um deles sequer.

O problema é que, enquanto vai bem o namorico entre a empresa Capital e o Unibanco, a vida dos trabalhadores que já tinham conta no Banco do Brasil virou de ponta cabeça. Na maioria são trabalhadores que precisam de ocupação para garantir o sagrado direito à sobrevivência. O fato é que mais uma vez estamos diante de uma grande jogada para os patrões e um problemão para quem já tem seus compromissos com o Banco do Brasil, como empréstimos e outras pendências financeiras.

O certo é que a empresa Capital está a desrespeitar o artigo 464, Parágrafo Único, da CLT, uma vez que o banco não tem agências próximas dos locais de trabalho dos laborais. Inclusive, a única cidade-satélite que tem agência fora da área do Plano Piloto é Taguatinga. Quem trabalha na cidade de Planaltina está a mais de 40 quilômetros do Plano Piloto. Por outro lado, a decisão da empresa está também agindo contra a Portaria nº 3.281/84 do Ministério do Trabalho e Emprego.

Para o diretor do SINDISERVIÇOS (Sindicato dos Empregadores em Empresas de Asseio, Conservação, Trabalho Temporário e serviços Terceirizáveis no DF), Jorge Luiz Prates, é preciso que os donos de empresas de terceirização aprendam que a ética faz parte do sucesso de qualquer empresa, o que ajuda para o sucesso da mesma e o crescimento pessoal e profissional do trabalhador. Segundo ele, “o terceirizado é uma necessidade nas atividades, é uma atividade vital do serviço público e por isso tem de ser tratado com respeito”.

O que espanta é que muitos gestores de contratos da Capital são órgãos públicos do governo federal, instalados na Esplanada dos Ministérios, inclusive todos os tribunais de Justiça, além de Fóruns das cidades-satélites. Mesmo assim, os gestores de contrato fecham os olhos para as negociatas das empresas. A pergunta que não quer calar é: até quando trabalhadores terceirizados ficarão dependendo de empresas favorecidas em pregões? Infelizmente, para muitos patrões (e gestores de contratos), o que vale é levar vantagem. E o trabalhador que se dane.