Declaração da Coordenadora Continental Bolivariana - Brasil Luis Carlos Prestes

Nós, organizações, movimentos, entidades e personalidades, integrantes do IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo realizado nos dias 22 e 23 de Setembro de 2007, no Rio de Janeiro e Niterói, como parte das comemorações do 16º aniversário do Jornal INVERTA e 15º aniversário de circulação do Jornal Granma Internacional no Brasil, após dois dias de conferências, intenso debate e ampla participação resolvemos, por livre e consciente decisão, lançar o Capítulo Brasil da Coordenadora Continental Bolivariana.

Declaração da Coordenadora Continental Bolivariana - Brasil Luis Carlos Prestes


Nossa pátria é a América” (Bolívar)

Pátria é Humanidade” (Martí)

Somos os herdeiros das melhores tradições revolucionárias de nosso povo e é recordando a memória de nossos heróis que marchamos para a luta e para vitória!” (Prestes)


Nós, organizações, movimentos, entidades e personalidades, integrantes do IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo realizado nos dias 22 e 23 de Setembro de 2007, no Rio de Janeiro e Niterói, como parte das comemorações do 16º aniversário do Jornal INVERTA e 15º aniversário de circulação do Jornal Granma Internacional no Brasil, após dois dias de conferências, intenso debate e ampla participação resolvemos, por livre e consciente decisão, lançar o Capítulo Brasil da Coordenadora Continental Bolivariana.


La mejor forma de decir es hacer”


A Coordenadora Continental Bolivariana (CCB), surgiu da necessidade de uma resposta mais contundente e definitiva dos milhares e milhares de compatriotas de Nossa América - indígenas, camponeses, operários e trabalhadores expulsos das suas terras, homens, mulheres e jovens - da massa de explorados, oprimidos, vilipendiados que, em movimento iniciado em 17 de dezembro de 2001 na Colômbia, em data e local onde fora enterrado os restos mortais de Simón Bolívar, se reuniram em protesto indignado contra a opressão e miséria, proclamando como palavras de ordem a retomada do ideário do libertador como única maneira de pôr fim ao horror econômico neoliberal, sofrimento e torturas que o imperialismo, especialmente os EUA, impõe à Nossa América.


O movimento se repetiu em 2002, concentrando cada vez mais participantes e neste ato surge a idéia de reeditar a Campanha Admirável de Bolívar. Em 2003, milhares e milhares de manifestantes vindos de todas as partes da “Pátria Grande” sonhada pelo Libertador iniciam a marcha. Saindo de Cartagena, na Colômbia, a marcha dos manifestantes cruzava rios e montanhas, vales e florestas, campos e cidades, por onde passava, era recebida com entusiasmo e aplausos pelas populações locais, a campanha, com sucesso, chegou a Caracas, na Venezuela. No Município Libertador foi recebida calorosamente pela população e se concentrou no Forte Tiúna, base fundamental das Forças Militares Bolivarianas formando o Acampamento Bolivariano por Nossa América. No acampamento, com a participação de mais de 1000 bolivarianos oriundos da Venezuela, Equador, Colômbia, Panamá, Peru, Chile, Brasil, Argentina, República Dominicana, Guatemala e México, após intenso debate sobre os pontos de unidade para dar continuidade ao movimento, tendo por eixo o ideário de Simón Bolívar e do Socialismo, no 190º aniversário da Campanha Admirável, se constituiu a Coordenadora Continental Bolivariana e sua Direção Geral.


Unidad, Unidad, Unidad” (Bolívar)


A CCB é um espaço de coordenação progressista, que projeta sua atividade face a consolidação de uma estrutura ampla e democrática, com participação de todos setores sociais e estabeleceu como Plataforma de luta unitária os seguintes pontos:

Buscar o resgate e a reafirmação de nossa memória histórica, da sabedoria popular e a integração bolivariana como base para a construção de um novo pólo de poder alternativo ao predomínio das potências imperialistas do mundo. Assim, luta pela autodeterminação dos povos, soberania, dignidade e solidariedade internacional.

Expressar a solidariedade com a luta dos povos do mundo, independentemente de suas formas organizativas, que devem ser respeitadas.

Combater o intervencionismo, o neocolonialismo e a globalização do capitalismo como propósito principal. Neste sentido, luta contra a ALCA, a Doutrina de Segurança Nacional estadunidense, o Plano Colômbia, a Iniciativa Regional Andina, o Plano Puebla-Panamá e a dívida externa que asfixia a economia de nossos países.

Trabalhar pela unidade do movimento juvenil e popular através de ações práticas que impulsionem, dentro do conceito de que Nossa Pátria é América, os processos de avanços democráticos que acontecem na AL e Caribe, especialmente, a Revolução Bolivariana na Venezuela, Cuba Socialista, o movimento de resistência ao fascismo na Colômbia, o desenvolvimento das lutas populares no Brasil, Equador, Peru, Bolívia e demais países de Nossa América.


No hay mejor medio de alcanzar la libertad que luchar por ella”(Bolívar)


A CCB tem por finalidade principal a vida em condições de liberdade e paz, por isso:

Defende nossos recursos naturais, biodiversidade e direito de uso e fruto dos mesmos de maneira racional.

Defende a Amazônia contra a cobiça das transnacionais e do capitalismo em geral.

Luta pela igualdade social que garanta os direitos de cidadania e humanos fundamentais como Educação, Saúde, Trabalho, Moradia, Lazer e Cultura.

Luta pelos direitos e reivindicações do movimento popular, das juventudes e dos povos de Nossa América, pela construção de uma verdadeira democracia, promovendo a construção e consolidação do movimento bolivariano ou outros espaços de coordenação que possibilitem estes e outros projetos e metas de profundo conteúdo humano.

Mantém relações de fraternidade, solidariedade e cooperação com organizações sindicais, indígenas, camponesas, juvenis, estudantis e populares em geral, de caráter internacional, nacional e regional que compartilhem nossos princípios e lutas antiimperialistas, como a Federação Mundial de Juventude Democrática (FMJD), o Movimento Mundial pela Paz, a Federação Sindical Mundial e a Organização Continental Latino-americana de Estudantes (OCLAE).


É por isso que a humanidade só levanta os problemas que é capaz de resolver e assim, numa observação atenta descobrir-se-á que o próprio problema só surgiu quando as condições materiais para o resolver já existiam ou estavam, pelo menos, em vias de aparecer”. (Karl Marx)


Portanto, a formação da CCB é uma resposta ao imperialismo, por um lado, à nova estratégia de dominação e exploração através da política econômica neoliberal, que tem levado ao desespero, à miséria, fome, às chacinas e massacres, desemprego e ao abandono forçado de suas terras a milhões e milhões de trabalhadores, camponeses e indígenas; por outro, uma resposta à nova estratégia e tática de contra-insurgência em Nossa América, na tentativa de aplastar a nova onda revolucionária que se levanta, tendo por substrato as idéias de Simón Bolívar, José Martí e do Socialismo, condensando as lutas pela verdadeira independência, unidade, liberdade, justiça e solidariedade dos homens e mulheres, que com seu sangue irrigaram estas terras.


Para nós, participantes do IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo, o movimento, que culminou com a constituição da CCB, não é um fato fora de lugar e hora. Pelo contrário, este é o lugar e esta é a hora. Primeiro, porque ele é parte de todo um movimento de insurgência na América Latina que se desenvolve em contradição à tendência que domina a cena histórica mundial nas últimas duas décadas, caracterizada como de grande ofensiva do capital, através da globalização neoliberal dirigida pelos EUA contra o socialismo, a luta revolucionária dos povos e o “Estado do Bem Estar Social”, mesmo este último tendo sido um instrumento das oligarquias financeiras para resguardarem o seu sistema, por ocasião do grande ascenso da luta dos trabalhadores e do Socialismo depois da grande depressão de 1929 e da Segunda Guerra Mundial.


A guerra fria (suja) que tomou lugar neste período teve no “Estado do Bem-Estar Social” a base econômica (o complexo-industrial militar), política e social (a aliança espúria de classes entre as oligarquias e a aristocracia operária -sindicalismo amarelo da social-democracia) para impedir que os trabalhadores se passassem para o socialismo. Mal sabiam os trabalhadores que com este processo seriam vítimas de seus enganos e do engano dos outros (os reformistas que viam no capitalismo de Estado a via pacífica para o Socialismo sem a necessidade da revolução), pois estariam construindo a base para todo o seu sofrimento atual. A guerra fria desencadeou a corrida armamentista, aeroespacial e nas comunicações, exigindo o esforço científico e tecnológico que resultou no que se chama atualmente de revolução informacional.


Com a queda do campo socialista e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), as transformações tecnológicas e o avanço da ciência, logo se transplantaram para a indústria, o comércio e serviços desencadeando um processo de acumulação brutal e desemprego monstruoso, chegando àquilo que Marx, em “O Capital”, formulou como Lei Geral da Acumulação. Com a incidência da mesma veio a polarização de riqueza nas oligarquias e miséria, torturas do trabalho, degradação moral e fome para a grande massa no pólo dos trabalhadores em todas as partes do mundo; não tardou a pane geral dos mercados e a crise geral do capitalismo se manifestarem de todas as formas possíveis. Então, a burguesia não teve remédio, por um lado, partiu para a destruição violenta das forças produtivas já desenvolvidas, e que se tornaram supérfluas, isto é válido tanto para as máquinas já fora de uso ou ociosas, quanto para a parte estagnada do exército industrial de reserva (os desempregados que não encontram mais empregos); por outro, intensificou a exploração dos trabalhadores e desencadeou uma nova corrida neocolonial por mercados e fontes de matérias-primas. Assim, teve lugar o processo de privatização (entrega para as oligarquias das empresas estatais), a desregulamentação e a flexibilização das relações formais de trabalho e da mão de obra (a precarização); o desmonte do Estado do Bem Estar Social, o esvaziamento do poder dos governos frente as oligarquias; paralelamente, a intensificação das guerras e das políticas de extermínio e toda a legislação de segurança dos patrões contra a revolta dos trabalhadores. Instaura-se a crise institucional e de valores geral do sistema: este foi o cartão de visita do período neoliberal do imperialismo.


“...No seáis insensibles a los lamentos de vuestros hermanos. Id veloces a vengar al muerto, a dar vida al moribundo, soltura al oprimido y libertad a todos”...(Bolívar)


Mas o neoliberalismo como solução à crise geral do capitalismo rapidamente se esgotou porque não conseguiu derrotar totalmente as forças revolucionárias do comunismo no mundo, como demonstra a resistência de Cuba para os povos da América Latina e da África; teve que fazer concessões a China, que devido sua forma particular de desenvolvimento logrou penetrar no mercado capitalista, subtraindo parcelas do mesmo do imperialismo em toda a parte; não conseguiu derrotar o Vietnã e também lá teve que fazer concessões; não conseguiu derrotar a Coréia do Norte; nos países ex-socialistas do Leste Europeu, especialmente os que integravam a ex-URSS, o mercado não é tão simples e a Rússia trata de manter sua área de influência e disputar o mercado no próprio campo capitalista. Além disso, a Europa dos Sete diante da crise criou o seu próprio círculo de fogo - a Europa Unificada e o Euro (moeda única) e passou à ofensiva em termos de mercado.


Finalmente, embora o imperialismo e as oligarquias em todo mundo, através do ciclo de ditaduras militares a seu serviço no período de guerra suja, tenham banhado as mãos com o sangue de milhares de mártires revolucionários, a exemplo dos Comandantes Ernesto Che Guevara, Salvador Allende, Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Joaquim Cerveira, Patrick Lumumba, Samora Machel, Amílcar Cabral, e tantos outros mártires da revolução mundial; e, somente a Operação Condor, em Nossa América, contabiliza cerca de 50 mil mortos, 34 mil desaparecidos e cerca de 500 mil presos e torturados; ainda assim não conseguiu derrotar a resistência dos verdadeiros grupos revolucionários, mesmo aqueles dispersos, aprisionados e torturados; e, sobretudo, o espírito de luta de nossos povos e a emergência de novas lideranças revolucionárias. Que fique bem claro: assim como NÃO depusemos os princípios, nem a resistência e luta revolucionária pela revolução libertadora e socialista, em nosso país e continente; NÃO esquecemos nossos mártires, mortos e presos políticos, NÃO esqueceremos também os torturadores e assassinos de nosso povo! E este fato é muito claro com a luta revolucionária das FARC-EP na Colômbia, o Levante Zapatista em Chiapas, no México, a ação do MRTA no Peru, a Revolução Bolivariana na Venezuela e a nossa luta pela reorganização revolucionária e a revolução socialista no Brasil e dos demais compatriotas em situação similar em outros países do continente e do mundo.


“Los Estados Unidos parecen destinados por la providencia para plagar la América de miséria en nombre de la libertad”. (Bolívar)


Assim, o imperialismo dos EUA, que hoje representa cerca de 30% do PIB mundial, e o Japão, que até ontem era segunda economia mundial, passam a dançar um dueto na crise. O Japão, cuja tecnologia oriunda da guerra-fria aplicou com mais eficiência a sua economia, rapidamente, tirou vantagem disso através de suas exportações, principalmente para os EUA, refletindo-se espetacularmente no déficit e dívida estatal deste. Esta massa de capitais que se concentra no Japão se descarrega em parte no próprio mercado imobiliário americano e parte vai financiar o que se traduziu chamar em “Tigres Asiáticos”. E não deu outra, a queda da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1987, varreu 1/3 do PIB do Japão, mergulhando toda sua economia em estagnação e depressão durante o início dos anos 90, culminando na crise geral da economia mundial de 1998, que iniciada na Ásia se alastrou para o Leste Europeu, África e América Latina. O mundo dos sonhos das oligarquias estremeceu. A desvalorização geral das moedas sobrevalorizou o dólar, os preços das mercadorias nos outros países caíram, enquanto o preço das mercadorias dos EUA subiu, desenvolvendo-se uma crise de realização no mesmo. Um terço do capital financeiro mundial se evaporou na crise.


“Uma organização social nunca desaparece antes que se desenvolvam todas as forças produtivas que ela é capaz de conter”. (Karl Marx)


Entretanto, a crise do capitalismo seria até boa para humanidade se dela resultasse apenas a revolução social e a mudança do modo de produção, mas como nem toda a crise leva necessariamente a uma revolução, chegou-se ao impasse atual. O processo de crise permanente do capital levou ao esgotamento das forças produtivas que o próprio modo de produção contém, avançando para exaurir os meios de vida naturais no planeta, como é o caso das principais fontes de energia: o petróleo e a água, bem como a devastação do meio ambiente, gerando crise ambiental e as alterações climáticas que cientistas e ecologistas têm denunciado. Esta equação é difícil de resolver, pois exige toda uma revolução energética no modo de vida da humanidade. E, desta forma, a crise geral se transformou numa crise de transição, porque diante da composição orgânica do capital, da substituição da força muscular pela força motriz no processo de produção e de reprodução da vida no planeta, a dependência do padrão industrial e da sociedade da matriz energética dos combustíveis fósseis não se resolve apenas pela mudança do padrão energético, porque depois que o copo está cheio basta uma gota para transbordá-lo. Nestes termos, ou a humanidade entende que chegou a hora de colocar um fim neste modo de produção, que se tornou insano e não tem mais por que existir, já que qualquer prolongamento de sua existência significa risco de vida para todos, inclusive para as próprias oligarquias burguesas e seus capitais, ou estamos ridiculamente contra nossa própria existência na terra. Aqui, qualquer solução desta crise no capitalismo representa apenas estar cavando uma sepultura ainda mais profunda para nós mesmos.


E, justamente, por estas razões, o capitalismo não é capaz de atingir a um novo padrão de acumulação, aprofundando as tendências que decorrem da mesma: queda na taxa de lucro, superprodução, crise de realização e a formação daquilo que se convencionou chamar atualmente de bolhas especulativas. O processo de darwinismo econômico cresce, com ele, a necessidade de romper com as superestruturas jurídicas, políticas e ideológicas, conformadas pelas relações de produção anteriores sob a doutrina do Keynesianismo. No entanto, a resistência do movimento revolucionário e dos países socialistas assusta as oligarquias, obrigando-as a manterem toda uma superestrutura supranacional que se vertebrou para permitir a hegemonia dos EUA sobre o mundo capitalista e o aplastamento do movimento revolucionário de caráter antiimperialista e socialista. Deste modo, não é possível transitar para um novo padrão industrial e de acumulação. Por outro lado, os EUA, dado o grau da produção atual em escala planetária, a demanda pelo petróleo e mercados, levou a cabo uma campanha armada - a guerra que deflagrou contra os povos islâmicos para usurpar suas reservas e rebaixar seu custos de produção. Quando um país opta pela guerra tem que se submeter às suas leis, se não quer ser derrotado. E sua primeira lei é que necessita vencer para atingir seu objetivo político, portanto, é necessário o esforço de guerra, este esforço cobra seus custos a peso de ouro ao imperialismo dos EUA, pois ao deslocar forças para outros continentes, abriu espaço para que em seus pés surgisse uma nova onda revolucionária em contra tendência à sua estratégia que pretendia a que todos se alinhassem.


“Todo homem honesto que possa fazer um bem à humanidade, se converte em delinqüente se permanece ocioso”.


Embora o Oriente Médio seja uma região estratégica para o imperialismo dos EUA, devido as fontes de petróleo do Iraque e o ópio do Afeganistão, a resistência do povos árabes é praticamente invencível, constituindo-se um impasse. Nestes termos, dada a importância ainda mais estratégica da América Latina para a hegemonia mundial dos EUA; a crescente resistência contra seu domínio - e o conteúdo da mesma tendo por espelho a Revolução Cubana - o centro da revolução mundial deslocou-se para esta região, logo não há surpresa se a qualquer momento os EUA passem a uma intervenção direta sobre o continente, nem que para isso tenham que forjar, mentir ou criar um fato que justifique este seu objetivo. Embora a especificidade da Revolução Bolivariana ainda não justifique imediatamente uma intervenção direta, mas uma tendência a este processo, acreditamos que o ponto decisivo de tudo está ao lado, na Colômbia, pois aí a guerrilha das FARC-EP e do ELN podem chegar ao poder de fato pelas armas, como fez Cuba, criando uma nova situação que fará avançar este processo diretamente para o Socialismo criando as condições para que o mesmo possa ocorrer com a Bolívia, o Equador e a Nicarágua. Portanto, o que devemos ter em conta é que a Venezuela, por sua importância estratégica para esta nova onda revolucionária, está muito mais próxima do papel da República Espanhola, quando do nascimento do fascismo do que se imagina, o que exige dos revolucionários em nosso continente uma reedição do internacionalismo proletário revolucionário, tal e qual ocorreu com a formação das Brigadas Internacionais durante a Guerra Civil Espanhola e durante a primeira luta pela independência de Nossa América. Como disse Bolívar: “todo homem honesto que possa fazer um bem à humanidade, se converte em delinqüente se permanece ocioso”.



Para onde pender o Brasil, penderá a América Latina.”


Neste contexto, considerando a importância geopolítica do Brasil para o continente, como nos alertou Guevara: “para onde pender o Brasil, penderá a América Latina”, a constituição da Coordenadora Continental Bolivariana é o instrumento fundamental para integrarmos o processo de luta revolucionária, levada a cabo pelas várias organizações que no Brasil não se deixaram enganar pelo canto da sereia das oligarquias, do “fim do comunismo”, do “fim da luta de classes”, do “valor universal da democracia” e do “fim da história” no espaço nacional e continental. E assim, evitar que o Brasil continue a desempenhar o triste e revoltante papel de fazer o trabalho sujo do imperialismo, como fez com a sua ausência ao Congresso convocado por Bolívar no Panamá, em 1826, cujo objetivo era levar às últimas conseqüências a campanha pela Pátria Grande com a libertação de Cuba e Porto Rico que continuavam sob o jugo do colonialismo espanhol. E como fez também durante a Tríplice Aliança na guerra contra o Paraguai pela Bacia do Prata. O mesmo ocorreu durante a Revolução Dominicana, e agora no Haiti. Sabemos que o servilismo das oligarquias no Brasil chega ser aviltante e ofensivo à história de luta do povo brasileiro.


quando a vida se degrada e a esperança foge do coração dos homens, só a Revolução”


A hora é agora, pois como disse Oscar Niemeyer: “quando a vida se degrada e a esperança foge do coração dos homens, só a Revolução”. Por isso, tomamos a iniciativa de constituir este processo de integração da luta revolucionária pela unidade continental e pelos ideais da Pátria Grande Socialista, que nos deixou Bolívar ao consignar: “nossa Pátria é a América”. E que se completa com a consigna de José Martí: “Pátria é humanidade”. Mas só poderemos sustentar esta posição de honra e dignidade revolucionárias ombreados aos nossos compatriotas de Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e dos movimentos revolucionários nos outros países, se antes conseguirmos unir as forças revolucionárias em nosso país para cumprirmos esta tarefa histórica. Portanto, nossa consigna é “Unidade, Unidade, Unidade!”, pois somente através deste caminho poderemos honrar estas palavras de Prestes: “Somos os herdeiros das melhores tradições revolucionárias de nosso povo e é recordando a memória de nossos heróis que marchamos para a luta e para vitória!”.


“Lutar por uma utopia é em parte construí-la!”


Claro que a história não se repete, mas só poderemos ostentar as máscaras revolucionárias e chamar em nosso concurso os nossos heróis, se como eles caminharmos seus caminhos e nos pautarmos por sua dignidade e entrega à causa revolucionária de nosso povo, porque como demonstrou o Comandante Fidel Castro e o exemplo heróico do povo cubano: “Lutar por uma utopia é em parte construí-la!”. No Brasil, de Aimberê a Sepé Tiaraju; de Zumbi dos Palmares a Tobias; de Antônio Conselheiro a Luis Gonzaga das Virgens; de Tiradentes a Abreu e Lima; todos estes personagens e processos de lutas por eles protagonizados se condensam na imagem, exemplo histórico e idéias de Luis Carlos Prestes. Pois, assim como Zapata, no México; Sandino, na Nicarágua; Farabundo Martí, em El Salvador; Prestes se tornou um herói nacional e personagem revolucionária destacada na América Latina durante o século passado, como declarou Pablo Neruda:


Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros, ... / Uma mensagem tinham. Era: Cumprimenta Prestes...
Hoje estou orgulhoso de vê-lo rodeado / por um mar de corações vitoriosos. / Vou dizer ao Chile: Eu o saudei na viração / das bandeiras livres de seu povo.
Me lembro em Paris, há alguns anos, uma noite / falei à multidão, fui pedir auxílio ... / Pedi-lhes ajuda em nome de tudo o que existe / e lhes disse: Os novos heróis, os que na Espanha lutam, morrem, / Modesto, Líster, Pasionaria, Lorca, / são filhos dos heróis da América, são irmãos / de Bolívar, de O' Higgins, de San Martín, de Prestes. /E quando disse o nome de Prestes foi como um rumor imenso. / no ar da França: Paris o saudava. / Velhos operários de olhos úmidos / olhavam para o futuro do Brasil e para a Espanha.

Vou contar-vos outra pequena história ...

Eu quisera contar-te, Brasil, muitas coisas caladas, / carregadas por estes anos entre a pele e a alma, / sangue, dores, triunfos, o que devem se dizer / o poeta e o povo: fica para outra vez, um dia.

Peço hoje um grande silêncio de vulcões e rios. / Um grande silêncio peço de terras e varões. / Peço silêncio à América da neve ao pampa. / Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo. / Silêncio: que o Brasil falará por sua boca”.1


A marcha da Coluna Prestes para o povo brasileiro tem significado similar à campanha admirável de Bolívar para os povos de Nossa América e a segunda guerra de libertação liderada por Martí para o povo de Cuba. Prestes, ao se tornar membro do Partido Comunista e lançar o Manifesto de 5 de Julho de 1935, conclamando “Todo Poder à Aliança Nacional Libertadora!”, protagonizou a insurreição de 27 de Novembro deste mesmo ano, em Natal, Recife e no Rio de Janeiro e conduziu o conteúdo da luta revolucionária, para além da democracia e da revolução agrária radical burguesa, ao conteúdo revolucionário do Socialismo. Portanto, protagonizando, como Fidel Castro, a ponte entre o liberalismo radical e o Socialismo, o mesmo papel que Hugo Chávez começa a representar no contexto atual e que Manuel Marulanda vem desempenhando há mais de 3 décadas à frente da luta revolucionária na Colômbia.


“Somos os herdeiros das melhores tradições revolucionárias de nosso povo e é recordando a memória de nossos heróis que marchamos para a luta e para vitória!”.

Nestes termos, nós, organizações, movimentos, entidades e personalidades presentes ao IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo, ao lançarmos a Coordenadora Continental Bolivariana, temos o dever revolucionário de denominá-la como Capítulo Brasil Luis Carlos Prestes e homenagear a todos os revolucionários brasileiros que combatem até os últimos dias de sua vida em nossa terra. O poeta revolucionário e camarada Taiguara afirmou ao refletir sobre a realidade brasileira, após a ditadura, e a máxima de Lênin do sonho na revolução: “O Sonho Não Acabou!”. Nós reafirmamos este fato com o lançamento da Coordenadora Continental Bolivariana – Capítulo Brasil Luis Carlos Prestes, seguindo o ensinamento do grande mestre José Martí:“a melhor forma de dizer é fazer”! Assim, conclamamos a todos os movimentos, organizações, entidades e lutadores no Brasil a se integrarem a esta luta: Com Prestes todos nos encontramos em Bolívar! Viva a Coordenadora Continental Bolivariana – Capítulo Brasil Luis Carlos Prestes! Socialismo ou Morte!


Ousar lutar! Ousar Vencer! Até a Vitória, Sempre!


Rio de Janeiro e Niterói, 22 e 23 de Setembro de 2007.


Organizações Presentes ao Evento que assinam esta Declaração:

Aluisio Bevilaqua (Cientista Político e Editor-chefe do Jornal Inverta);

Aníbal Cavali (Dir. do Sind. dos Trab. da USP);
Antônio Cícero Souza (Dr. em História e CEPPES);
Bianka de Jesus (Jornalista-Responsável pelo Jornal Inverta);

Daílton Fontes Soares (Associação da União de Vendedores Ambulantes - RJ)
Denise Acquarone (Vice-pres do Sindicato dos Profissionais de Dança do RJ)

Delson Plácido (GTNM-SP)

Edison Albertão (Vereador do Município de São Bernardo - SP)
Eliane Slama (TV CAOS de Niterói-RJ);
Elton de O. Lima (Pres. Sindicato dos Trab. nas Indústrias de Alimentação-RS);
Francisco Malta (Adv-Correspondente do Inverta-CE);
Georgina Queiroz (Mestre em Serviço Social, Dirigente do Mov. Nac. CLCN);
Glauber Braga (Sec. de Eventos Especiais da Pref. de Nova Friburgo - RJ);
Haroldo Teixeira de Moura

Hiparidi Top'Tiro (Coord. da Mobilização dos Povos Indígenas do Cerrado-MT);

Idioraci Santos (Movimento de Cultura Popular Contra o Neoliberalismo);
Jacqueline Alves (Dir. do SINDSPREV-RJ);

Jaques Dornelas (UMNA – União dos Militares Não Anistiados)

Jorge Luis Prates (Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo do DF)

Jorge Grama (Sindicato dos Trabalhadores em Alimentação do Rio Grande do Sul)
José Chacon (Engenheiro, Coord. Nac. do Mov. de Cidadania Pelas Águas);
José Fernandes (Vice-Presidente da Assoc. dos Metalúrgicos Aposentados do ABC-SP);
José Paulo Netto (Prof. Titular da UFRJ);
José da Silveira Filho (Economista e Prof. Faculdades Integradas Sta Cruz de Curitiba-PR);

Josiane C. Teodoro (Movimento de Luta Pela Moradia - MG)
Josiel Morais (Historiador e Dir. do CEPPES);
Manoel Matta Machado (Psicólogo, Socioanalista e Pesquisador da História da Arte-MG);
Marcos Silva (Dr. em História/USP);
Margarida Meressi (Prof. e Coord. do Núcleo da Casa das Américas de NF-RJ);

Maria Carmem de Farias (Núcleo Estudos da América Latina – UNEB-BA);

Maria Isabel C. dos Reis (Pres. do Sindiserviço-DF);

Maria Suelen Jacobsen (DCE da Universidade Federal de Pelotas – RS e União Pelotense das Associações de Bairro)

Marina Machado (Dir. de Comunicação do CEPPES);
Neimar Oliveira (Dirigente do Mov. Nac. de Luta Contra o Neoliberalismo-RS);
Neusah Cerveira (Prof. Dra. em História e Pres. do CEPPES);
Nicolino Trompiere Filho (Dr. Educação e Dir. da Fac. de Educação da UFCE);
Orleide Monteiro (Adv. e Dir. do CEPPES);
Osmarina Portal (Prof. e Dir. do Mov. Nac. de Luta Contra o Neoliberalismo-RJ);

Paulo Afonso (Núcleo União de Luta de Trabalhadores do IBGE);
Pedro (Juventude 5 de Julho)

Rafael Rocha (Cientista da Computação, Redação Inverta-SP);

Reginaldo Fernandes (Movimento de Agricultura Familiar – RJ)
Roberto Figueiredo (Sociólogo – Inverta-SP);

Roberto Pontes (Dr. Literatura, Professor Titular do Departamento de Literatura da UFC e membro da mesa diretiva da junta mundial de poesia em defesa da humanidade);

Roseli Fellardo (Associação de Futebol Feminino do Rio de Janeiro);
Robson Ribeiro (Repr. da Agricultura Familiar de Roça Grande-MG);
Rubens Casara (Juiz, Movimento de Magistrados Fluminenses Pela Democracia);

Sebastião Rodrigues (Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo – MG);

Sérgio Feitosa (Associação dos Trabalhadores da Justiça do Trabalho – RJ);
Sylvio Massa (Ex-funcionário da Petrobrás, Economista e Escritor);
Thiago Ferreira (Grupo de Estudos da AL e Caribe - UFF);
Waldemiro P. da Silva (Sind. dos Desenhistas ABC-SP e Dir. do Mov. Nac. de Luta Contra o Neoliberalismo-SP);

1Pablo Neruda, em discurso, no comício no estádio do Pacaembu, em São Paulo, em 15 de julho de 1945 declamou este poema feito especialmente para homenagear Prestes.