Tarefas Urgentes do Partido: Lançamento da Tricontinental e Mobilização dos Povos Indígenas!

Realizado, exitosamente, o III Congresso do Partido Comunista Marxista Leninista Brasil, definidas as suas resoluções políticas, recompostos seus organismos dirigentes e estabelecida a agenda de trabalho interno e externo para 2008-2010, aos Comunistas Revolucionários restaram-lhes duas tarefas fundamentais para encerrar o ano de 2007 com um definitivo salto em seu trabalho em torno dos objetivos traçados pelo seu Congresso anterior

Tarefas Urgentes do Partido:

Lançamento da Tricontinental e Mobilização dos Povos Indígenas!


Realizado, exitosamente, o III Congresso do Partido Comunista Marxista Leninista Brasil, definidas as suas resoluções políticas, recompostos seus organismos dirigentes e estabelecida a agenda de trabalho interno e externo para 2008-2010, aos Comunistas Revolucionários restaram-lhes duas tarefas fundamentais para encerrar o ano de 2007 com um definitivo salto em seu trabalho em torno dos objetivos traçados pelo seu Congresso anterior: o primeiro diz respeito ao passo seguinte ao lançamento da Coordenadora Continental Bolivariana, isto é: iniciar seu trabalho nas relações políticas e de solidariedade com os povos da Ásia, África e América Latina, de forma mais organizada e alinhada à OSPAAAL – Organização de Solidariedade aos Povos da Ásia, África e América Latina, que há mais de 40 anos vem desempenhando este honroso papel. O segundo trata-se de um compromisso com a luta no plano nacional, em especial com os povos indígenas, que realizarão um ato de protesto de grande envergadura e combatividade exigindo seus direitos elementares e que contará com nosso apoio e solidariedade.


Em relação a primeira tarefa, ela se constitui na preparação e lançamento da Revista Tricontinental em português no Brasil, contendo a Mensagem de Che ao primeiro número da Revista. o que implica o trabalho de tradução, impressão e organização do lançamento da mesma, acompanhada de uma exposição de aproximadamente 70 cartazes que relembra a trajetória revolucionária deste herói da libertação de Cuba e da América Latina, Ernesto Che Guevara, nos três continentes. Esta atividade marca o esforço revolucionário da OSPAAAL, no marco das comemorações dos 40 anos da queda, em combate, de Che, em manter vivos aos fundamentos da estratégia global de combate ao imperialismo, traçada pela histórica Conferência da Tricontinental, realizada em Janeiro de 1966, em Havana, congregando os comunistas revolucionários dos três continentes. A OSPAAAL e a revista Tricontinental foram desdobramentos naturais da Conferência e esforço revolucionário de coordenação da luta. A OSPAAAL, ao reunir os materiais para a edição do primeiro número da revista Tricontinental, recebeu como primeira contribuição uma mensagem de Che, contendo os fundamentos da estratégia global revolucionária contra o imperialismo que haviam permeado a histórica conferência, diante da atualidade do tema e a força da orientação que o mesmo representava naquele contexto revolucionário, tomou a iniciativa de fazer uma edição especial com esta Mensagem de Che. Esta histórica mensagem se tornou simbólica pela consigna: formar mais um, dois, três e muitos outros Vietnã's, em todo o mundo, para golpear o imperialismo em todos os pontos possíveis até sua derrota total.


Portanto, organizar o lançamento da revista Tricontinental com esta mensagem especial de Che e a presença da OSPAAAL no Brasil, justo neste momento histórico, em que novamente os comunistas revolucionários brasileiros nos colocamos em marcha para nos ombrearmos aos revolucionários da Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua e, em especial, Cuba, através da Coordenadora Continental Bolivariana - Capítulo Brasil - Luis Carlos Prestes, é de fundamental importância, pois ela além de reafirmar nosso caminho de luta consolidará nossa iniciativa de marcharmos no sentido mais amplo de nossas convicções e princípios revolucionários, emblemados pela luta revolucionária internacional, pela revolução mundial e o internacionalismo proletário. Nestes termos, nossa tarefa é levar a cabo o lançamento da Tricontinental nas principais capitais e cidades estratégicas no país, dando visibilidade à luta da OSPAAAL e às idéias revolucionárias de Che, que o contexto revolucionário em Nossa América e Ásia e África reclamam.


Já nossa segunda tarefa, não menos importante, é iniciarmos os preparativos para apoiar, no terreno nacional, a luta dos povos indígenas. Todos sabemos o que representa esta luta para a América Latina, em geral, e o Brasil, em particular. Sem dúvida, o genocídio que se seguiu à conquista, exterminando a população nativa, chega a casa dos 5 milhões, reduzindo a população a cerca de 250 mil, em todo o país. A resistência à conquista configurada e inúmeras batalhas, como a Guerra dos Tupinambás, a República dos Guaranis, e centenas de outras, é um componente indissociável ao caráter combativo na formação e identidade do povo brasileiro. Apagar esta memória, esquecer nossos heróis e mártires, como Cuñambebe, Aiberé, Sepé Tiaraju e tantos mais é o mesmo que esquecer a resistência do povo africano em nossas terras, esquecer Ganga Zumba, Zumbi dos Palmares, Tobias e tantos outros. Não se pode apagar a memória de um povo, nem a contribuição histórica e cultural de nossa identidade nacional. A cobiça dos conquistadores, seus princípios de eugenia como forma de dominação e usurpação das riquezas naturais, apropriação dos meios de produção da terra, da biodiversidade, dos mananciais de água potável, da tecnologia, relegando aos povos originários da terra o isolamento e aniquilamento por falta de terras cultiváveis e depredação dos meios naturais de existência pela contaminação bacteriológica, envenenamento, assassinato de suas lideranças, a violação e aberrações sexuais contra a população feminina, são feridas que corroem a dignidade humana e do povo brasileiro.


Hoje, não há mais como ocultar ou encontrar argumento escatológico que obscureça esta realidade que continua e se acentua a cada crise, e política oficial dos governos que entregam o país ao imperialismo. A ferida é tão grande que mesmo os que cobiçam as riquezas naturais do país, infiltram, diuturnamente, milhares e milhares de espiões, piratas, ladrões e assassinos, disfarçados de ONGs, em defesa da ecologia, dos povos indígenas, ou missionários religiosos e etc, para continuarem o saque, o extermínio e o domínio sobre as terras nativas e seus povos, chegando a ameaçar a soberania do país. Portanto, quando os povos indígenas se levantam a exigir direitos elementares, a demarcação de suas terras, a autonomia de sua nações e povos, o direito a viver de sua própria cultura e exigir o apoio oficial do Estado, é mais que justo que os revolucionários brasileiros, que sabem o quão é importante a experiência e resistência dos povos nativos para sua luta, estejam ombreados a estes nossos parentes. Parentes sim, porque já não há muito como pensarmos a distância consangüínea e cultural destes, nem as condições de exploração e miséria a que somos submetidos. É necessário ainda pensar a solução para este genocídio que continua, como impedir que as oligarquias lancem em confronto os pobres da terra contra a população nativa, pelo contrário, unir suas lutas, entendendo a diferença cultural e modo de vida dos que vivemos sob o capitalismo em nosso país. É necessário pensar em um novo pacto federativo e nos marcos do próprio Estado de Direito se admitir a formação de um Estado Indígena como parte do pacto republicano e federativo do Brasil.

Naturalmente, não defendemos a secessão ou, ainda, a negligência quanto à soberania nacional, mas não se pode pensar em Estado do Direito negando direitos fundamentais aos povos originários, seu direito de se rebelar contra os violadores de sua integridade econômica, territorial e naturais de vida. Um país, como o Brasil, cujo território integra 70% da Amazônia, não pode se privar da inteligência para mantê-la como estuário da humanidade de benefícios naturais, oxigênio, água potável, biodiversidade e culturas. Não há usina ou atividade privada ou pública com fins lucrativos que justifique a violação dos territórios indígenas. E não há lei maior que a defesa da vida dos povos ameaçados pelos monopólios agro-industriais, lançando mão, para isto, de protestos contundentes, inclusive o uso da violência. Os EUA bombardearam o Afeganistão e o Iraque e estão prestes a bombardear o Irã, alegando a ameaça à vida. Por que as populações ameaçadas não podem se utilizar de igual direito para aniquilar seus aniquiladores? É momento de um grande levante dos povos indígenas em todo o país, irmanados com seus irmão de luta pela terra, pelo direito à moradia, pelo direito à saúde, pelo direito, ao emprego, pelo direito à brasilidade. Nós não podemos estar ausentes deste processo, temos que nos unir, ombro a ombro, marcharmos juntos, lutar! Exigir, como solução ao dilema o reconhecimento de parte do pacto federativo republicano, a existência do Estado indígena nos marcos do estado de direito e da soberania nacional. E, se consideramos a Amazônia grande demais e cobiçada demais para sozinhos defendermos, então chegou a hora de nos unirmos em termos de estratégia geopolítica, econômica, política, militar, cultural e ambiental aos outros países de nossa América que defendam as mesmas posições, como é o caso da Venezuela, Bolívia e Equador.


Assim, nossa segunda tarefa é apoiar o Movimento de Mobilização dos Povos Indígenas em sua ação de protesto, de todas as formas possíveis. Será nossa primeira ação como Coordenadora Continental Bolivariana, Capítulo Brasil – Luis Carlos Prestes. O Congresso do Partido aconteceu, a CCB foi lançada, agora chega a hora da ação, a hora da luta. Os povos que resistiram e resistem a quase seis séculos os todo-poderosos de ontem e hoje, só nos têm a ensinar muito e nós a aprendermos humildemente com eles. Indígenas, somos todos nós!


Aos 40 anos da queda, em combate, de Che e aos 90 anos da Revolução Socialista na Rússia, agradecemos sincera e revolucionariamente a todos que nos apoiaram na realização do IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo, nas comemorações do 16o aniversário do Jornal Inverta e 15o aniversário de circulação do Jornal Granma Internacional no Brasil, no Lançamento da Coordenadora Continental Bolivariana e no III Congresso do Partido Comunista Marxista-Leninista Brasil.


Ousar Lutar! Ousar Vencer! Até a Vitória Sempre!


Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2007

P. I. Bvilla


P/ OC do PCML