Trabalho aos domingos: Flagelo da agenda neoliberal

A cada dia que passa, é possível notarmos com maior nitidez os estragos que a agenda neoliberal ditada pelo consenso de Washington causa à classe operária. No ano de 1991, havia sido aprovada a Lei Federal 5913/91, que regulamentava o trabalho no comércio varejista de segunda a sábado, das 6h às 22h. Essa lei, aprovada com muito custo, foi fustigada com uma medida provisória (1539/7) de autoria de FHC, em surdina, em 31 de Outubro de 1997.

Trabalho aos domingos: Flagelo da agenda neoliberal

“A burguesia rasgou o véu de emoção e sentimentalidade das relações familiares e reduziu-as a mera relação monetária” - Karl Marx

A cada dia que passa, é possível notarmos com maior nitidez os estragos que a agenda neoliberal ditada pelo consenso de Washington causa à classe operária. No ano de 1991, havia sido aprovada a Lei Federal 5913/91, que regulamentava o trabalho no comércio varejista de segunda a sábado, das 6h às 22h. Essa lei, aprovada com muito custo, foi fustigada com uma medida provisória (1539/7) de autoria de FHC, em surdina, em 31 de Outubro de 1997. O artigo n.6 desta medida provisória autoriza o trabalho aos domingos, fazendo do comerciário um verdadeiro fantoche nas mãos de seu patrão.

O funcionamento das grandes redes de supermercados aos domingos traz consigo, além do aumento dos lucros destas grandes corporações, uma série de conseqüências negativas. Leva à bancarrota os pequenos comerciantes que já têm sérias dificuldades em concorrer com estes gigantescos monstros do varejo.

Os grandes diziam que aumentariam a oferta de trabalho, mas ocorre exatamente o oposto, pois o que se vê na prática é que, o mesmo quadro que realizava o trabalho dos 6 dias da semana, agora o farão em 7. Existe o agravante de que a cada dia o quadro se torna menor devido aos chamados “cortes necessários”, onde um trabalhador acaba por fazer o trabalho de dois ou três demitidos.

O estresse do trabalhador aumenta muito, ocasionando problemas físicos e psíquicos. Os sindicatos, cada vez mais subservientes às grandes redes do comércio, pouco fazem em auxílio ao comerciário, pois estão impregnados de carreiristas e oportunistas que se interessam somente em subir na vida.

Essa medida tornou-se Lei com o auxílio das centrais pelegas que afirmam ajudar o trabalhador, mas que na verdade são coniventes com a espoliação cada vez maior da categoria. Mesmo que lhe garantam a merecida folga, o trabalhador do comércio, por medo de perder o emprego, fica suscetível a ceder às chantagens do patrão, podendo fazer com que trabalhe muito além da jornada de trabalho que a Lei “garanta”.

Victor G. Broniev