Geraldo Sarno é homenageado pelo 5º FestCine Amazônia

O 5º FestCine Amazônia este ano tem a duração de cinco dias, entre os dias 13 e 17 de novembro. Este ano o FestCine Amazônia, em sua quinta edição traz ao público rondoniense um dos cineastas mais conhecidos da geração do Cinema Novo.

Geraldo Sarno é homenageado pelo 5º FestCine Amazônia


O 5º FestCine Amazônia este ano tem a duração de cinco dias, entre os dias 13 e 17 de novembro. Este ano o FestCine Amazônia, em sua quinta edição traz ao público rondoniense um dos cineastas mais conhecidos da geração do Cinema Novo. Trata-se de Geraldo Sarno, que ficou famoso pelo curta-metragem Viramundo, que trata da saga de imigrantes nordestinos que buscam o sudoeste do Brasil para fugir de um sertão povoado de injustiças políticas e sociais, assolado por secas e pelos coronéis.

Sarno, formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia, por volta de 1960, membro ativo do Centro de Cultura Popular, produziu Viramundo em 1965, no auge do entusiasmo militar pelo controle do país, um momento em que críticas ao regime já causavam dissabores aos excluídos intelectuais do sistema. Com um trabalho dinâmico e considerado ainda hoje de vanguarda, Geraldo passou a desenvolver a temática das injustiças sociais como arma de protesto em forma de arte cinematográfica.

Outros trabalhos foram realizados, entre os quais, Viva Cariri! (1969), Vitalino / Lampião (1969), Padre Cícero (1970), Jornal do Sertão (1970), A cantoria (1971), Casa grande e senzala (1974), Eu carrego um sertão dentro de mim (1980) e A terra queima (1984).

Geraldo Sarno realizou filmes em 16mm sobre a reforma agrária, entre eles Mutirão em Novo Sol (1963), perdidos após o golpe de 1964. Trabalhou também o tema da religiosidade popular em Iaô (1976), sobre os cultos afro-brasileiros, e Deus é um fogo (1987), sobre o catolicismo e as esquerdas latino-americanas. Dirigiu ainda dois longas de ficção: O pica-pau amarelo (1973) e Coronel Delmiro Gouveia (1977). Desde 1996 está à frente da revista Cinemais, e desde 1999, realiza uma série de documentários intitulada A linguagem do cinema, composta de entrevistas com diretores brasileiros, entre eles Walter Salles, Júlio Bressane, Carlos Reichenbach, Ana Carolina e Ruy Guerra.

Está em processo de realização o projeto longa-metragem de ficção Gavião, o cangaceiro que perdeu a cabeça, cuja produção teve início em meados de 2006.

É considerado um cineasta criativo, sendo referência obrigatória para o cinema documental.

Segundo Glauber Rocha: "Os filmes de Geraldo Sarno fundam a consciência documentarística. É um desencontro entre Joris Ivens e Santiago Alvarez. Geraldo Sarno desmonta temas e subtemas em modelares filmes: dali poder-se-ia lançar foguetes aos canais do futuro".
Fernando Birri, diretor argentino afirma: “Geraldo Sarno é um homem de equilíbrio e um cineasta de síntese. Vendo seus filmes, tem-se a impressão de assistir-se a um teorema vivo, a uma geometria que se constrói no tempo, que se funde à música (também a música do silêncio)”.
Maiores informações podem ser acessadas pelo site http://www.festcineamazonia/www.festcineamazonia.com.br



Almeida Rodrigues